<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015</id><updated>2012-01-27T16:39:41.258-02:00</updated><category term='as conversas'/><category term='novela com água'/><category term='engov'/><category term='dedicado'/><category term='desafio Pedro Lago'/><category term='tirinha'/><category term='horóscopo'/><category term='top 5'/><category term='música'/><category term='alergia'/><category term='aspas'/><category term='brechó'/><category term='o amor'/><category term='novela'/><category term='gastronomia'/><category term='correio'/><category term='extratos'/><category term='peanuts'/><category term='outros sites'/><category term='diários'/><category term='bang-bang'/><category term='novela com neve'/><category term='twitter'/><category term='livros'/><category term='novela com chuva'/><category term='post-it'/><category term='ciência'/><category term='vamos fazer um filme?'/><category term='versos'/><category term='via láctea'/><category term='os dias'/><category term='funerais'/><category term='textos dos outros'/><title type='text'>morango fields</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>284</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-2483790700998143569</id><published>2012-01-27T11:34:00.002-02:00</published><updated>2012-01-27T11:35:57.123-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gastronomia'/><title type='text'>Os biscoitos recheados do meu tempo</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;No início era o Trakinas, e a gente só tolerava esse tipo de biscoito porque não tinha lá tanto discernimento. Se a gente encarava Cheetos e Fandangos, não era um Trakinas que ia despertar nosso paladar para a sofisticação da indústria alimentícia. Trakinas de chocolate e morango eram ingeridos com a mesma devoção com que comíamos Mirabel na hora do recreio. Ou Deditos. Da seara dos salgados, o biscoitinho de queijo da Piraquê era o meu preferido, e foi só em 2011 que vim a saber que a embalagem deste e de outros produtos da mesma marca foram &lt;a href="http://daniname.wordpress.com/2009/11/27/o-crime-da-piraque/"&gt;originalmente desenhados pela Lygia Pape&lt;/a&gt;. Se os Tostines vendiam mais porque eram fresquinhos (ou se eram fresquinhos porque vendiam mais -&amp;nbsp; e eu gastei muito tempo da minha vida tentando solucionar essa equação), os Piraquês vendiam bem porque eram sensacionais, e a Lygia Pape certamente não tinha nada a ver com isso. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Consta em alguma parte das minhas memórias afetivas que os biscoitos São Luís também tinham seu lugar na merendeira, mas confesso que deles, basicamente, só lembro do jingle: "São Luís Nestlé, qualidade em biscooooitos!" O jingle do Passatempo, por sua vez, poderia ter-nos feito desistir pra todo o sempre de engulir tal massa. Mas o gosto e a nostalgia prevaleceram, e volta e meia compro um pacote de Passatempo recheado no camelô da esquina, só pra voltar a ser criança durante 7 ou 8 mordidas num dia qualquer às 4 da tarde. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Depois de tantos preâmbulos, cheguemos, pois, ao ponto: &lt;a href="http://www.amazon.com/Nabisco-Oreo-Cookies-America-Favorite-Cookie/dp/B000LUC9DK/ref=sr_1_1?ie=UTF8&amp;amp;qid=1327670438&amp;amp;sr=8-1"&gt;oOreo&lt;/a&gt;, o Negresco e o Bono, ou o que correponderia ao “The good, the bad and the ugly” na gôndola do supermercado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O Oreo é certamente o único biscoito que faz frente aos &lt;a href="http://www.euescrevoeteconto.blogspot.com/2009/01/o-dia-em-que-assei-biscoitos.html"&gt;biscoitos da minha avó&lt;/a&gt;, que já receberam &lt;a href="http://www.euescrevoeteconto.blogspot.com/2009/06/suite-numero-3-em-re-maior.html"&gt;excessivas loas&lt;/a&gt; neste blogue. A crocância do Oreo, a cor, o sabor, a brancura do recheio, tudo numa rodelinha de Oreo demonstra a que ponto a humanidade pode se aperfeiçoar e provocar o deleite alheio. Empanturrar-se de açúcar e gorduras trans nunca foi tão justificado quanto quando havia Oreo. Quando estávamos convencidos de que nada podia ser mais alentador que o Oreo, eis que surge o Oreo banhado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O Oreo banhado, confesso, despertou o egoísmo e a ganância de muitos, afinal, a caixa continha apenas seis bolachas, todas envoltas numa capa de chocolate. Estava aí: o sublime. Nem cinema, nem literatura, nem Chopin, nem religião. Oreos banhados. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Quando os Oreos sumiram dessa terra tropical, meu mundo caiu. Eu, que a essa altura já sofria de &lt;a href="http://www.euescrevoeteconto.blogspot.com/2007/01/as-bolinhas-de-queijo-do-meu-tempo.html"&gt;abstinência das bolinhas de queijo&lt;/a&gt;, tive que encarar mais um luto comestível. E tal qual se dava nos bares, onde eu tentava decifrar a poesia de um bolinho de bacalhau, eu buscava em Negrescos e Bonos a felicidade que nenhum dos dois me daria. Eventualmente recorria ao Chocookie de baunilha, que não tinha nada a ver com a história, mas que passou a ser a melhor opção na tentativa de preencher o buraco do Oreo, que, cá entre nós, passou a ser existencial. O mundo nunca fez muito sentido pra mim. Tudo ficava ainda mais abstrato diante de absurdos como a extinção do Oreo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O tema Oreo virou quase um tabu para mim. Era melhor não falar sobre o assunto, era melhor não pensar sobre isso, e em hipótese alguma discutir com alguém o sumiço do biscoito. Mas a verdade um dia vem à tona, especialmente quando impulsionada por cerveja, e foi numa mesa de bar (sem bolinhas de queijo), no apagar das luzes de 2011, que confessei a uns e outros a minha dor. Para meu espanto, a solidariedade e a revolta foram instantâneos: eu não estava sozinha. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Naquele dia, voltamos pra casa e descobrimos que a Amazon vendia: Oreo, Oreo banhado, colar com pingente de Oreo. Obviamente, eles não faziam esse tipo de entregas no Brasil. &lt;i&gt;Desolés&lt;/i&gt;, seguimos nossas vidas, pulamos sete ondas, conhecemos o Japão, a floresta da Tijuca, o mercado de peixe de Niterói e eis que o Thiago anuncia, via email: habemus Oreo banhado. O Thiago estava voltando da Argentina, terra de Ricardo Darín, Fito Paez e Evita. Terra de gente que pode ler Borges degustando Oreos banhados. Terra de vinhos onde se pode ter mullets e Oreos banhados. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Enquanto o Thiago não voltou ao Brasil são e salvo e com os Oreos banhados intactos na mala, a Bibs e eu mal pudemos dormir. A gente abusou do Olcadil, teve dor de barriga, tremedeira, bebeu, fumou etc. Então, na mesma semana que confirmaram os &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=PEpwDOGK4TI"&gt;shows do Morrissey no Rio&lt;/a&gt;, os Oreos banhados aportaram no Leblon, e mais não digo, porque o que se seguiu à abertura das caixas de Oreos banhados é impróprio. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Não deu nem tempo de preparar uma trilha sonora adequada, mas eu diria que o hit do momento traduz com exatidão o nosso sentimento no segundo em que, depois de um brinde, e depois de anos de delirium tremens, nossas bocas abocanharam um Oreo banhado: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=hcm55lU9knw"&gt;nossa, nossa, assim você me mata&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-2483790700998143569?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/2483790700998143569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=2483790700998143569' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2483790700998143569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2483790700998143569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2012/01/os-biscoitos-recheados-do-meu-tempo.html' title='Os biscoitos recheados do meu tempo'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-5497376953194775506</id><published>2012-01-16T20:07:00.000-02:00</published><updated>2012-01-16T20:07:08.590-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bang-bang'/><title type='text'>curtas</title><content type='html'>&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria Math";}@font-face {  font-family: "Cambria";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;             &lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria Math";}@font-face {  font-family: "Cambria";}@font-face {  font-family: "Georgia";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Moro num apartamento que parece casa, com janela pintada de verde e jardim inclinado. Minhas espreguiçadeiras precisariam de cinto de segurança. Tenho gatos e violões, amigos que tocam músicas do &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=wNRH7_Kd5Yc"&gt;Álbum Branco&lt;/a&gt; e de Gilberto Gil. E vizinhos adolescentes que ainda sonham ser rockstars. O repertório podia ser pior. Podia ser melhor também. O que quer que fosse, irrevogável é o fato de que o vizinho e sua banda de garagem tocam mal. Durante anos sonhei que o vizinho de baixo, um dia, bateria à minha porta reclamando, justamente, das minhas habilidades como guitarrista. Ele faria elogios ao meu gosto musical, se declararia fã dos mesmos solos que eu treinava com afinco, mas incentivaria fortemente que eu abandonasse tudo aquilo. Nunca mereci sequer uma cutucada do vizinho, dessas que fazem com a vassoura no teto. Agora, ao meu lado, competindo com a conversa que meus convidados tentam estabelecer, a banda de garagem ensaia o repertório de &lt;i&gt;Ok Computer&lt;/i&gt;. É a pior versão de &lt;i&gt;Karma Police&lt;/i&gt; que alguém poderia aguentar. Abrimos latas e mais latas de cerveja. Tentamos desesperadamente esquecer. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;::&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Você parecia uma Frida Kahlo deslocada no tempo, com leque, turbante e brincos tão grandes. Saboneteiras, pescoço, tudo em você era de outra década. Eu me senti, instantaneamente, a última pessoa da Terra. Caía um temporal de interditar cidades e você cada vez mais podia ser alguém que chegou tarde demais pra semana de 22. Calada, aprofundava o mistério sobre si mesma, olhando fixamente para o espetáculo de raios que se dava a três passos da varanda onde estávamos. Te peguei pela mão, era incrível: sua maquiagem permanecia intacta sob a chuva. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;:: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Hoje de manhã tinha brownie, coca-cola, um império a ser editado na minha mesa e uma vontade quase insana de te convidar pra comer rabanadas fora de época.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-5497376953194775506?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/5497376953194775506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=5497376953194775506' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5497376953194775506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5497376953194775506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2012/01/curtas.html' title='curtas'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-4758749376632186959</id><published>2012-01-12T10:45:00.000-02:00</published><updated>2012-01-12T10:45:06.364-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela com água'/><title type='text'>Lanterna dos afogados - capítulo V</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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" class="BLOGGER-object-element tr_noresize tr_placeholder" id="ieooui" data-original-id="ieooui" /&gt; &lt;style&gt;st1\:*{behavior:url(#ieooui) }&lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt; /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;}&lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Well we all need someone we can dream on, and if you want it, baby, well you can dream on me. - Rolling Stones in &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=7qyhhs5VEkk"&gt;&lt;i&gt;Let it bleed&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Minha incursão pelo mundo das piscinas teve fases bem distintas e definidas. Em comum, todas serviram de pretexto para abandonar a atividade. Estranhamente, segui adiante, com o mantra de &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;se cheguei até aqui, só mais um pouco não vai doer&lt;/i&gt;. Quando ultrapassei a marca dos 1600 metros, confesso, achei que nem as inflamações escapulares (cada vez mais freqüentes) poderiam me parar. Virei uma máquina. Mais que todos os benefícios que a natação proporciona, mais que o impacto &lt;a href="http://www.travessa.com.br/DO_QUE_EU_FALO_QUANDO_EU_FALO_DE_CORRIDA/artigo/5a6a8592-e499-4062-a4c1-7232944fe3ba"&gt;do livro do Haruki Murakami sobre corrida&lt;/a&gt; (eu sei, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, mas no fim dá no mesmo), o que me incentivou a continuar desbravando raias foi o Zé. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Até a minha amizade com o Zé começar, eu enfrentei: a) o pânico de morrer afogada; b) o pânico de ter um treco; c) o Paulão, ou Carlão?; d) a saudade doída do ballet. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Por partes:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 36.0pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 36.0pt; text-indent: -18.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; mso-bidi-font-family: Georgia; mso-fareast-font-family: Georgia;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;a)&lt;span style="font: 7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;O ritual matinal nos primeiros 3 meses da natação consistia em dar um beijo na minha mãe ainda adormecida, afagar o cão idem e dar uma última olhada na cozinha de casa. Mentalmente me despedir de tudo, saber que aqueles gestos de carinho seriam minhas derradeiras delicadezas para com o mundo, porque depois de uma série de crawl, certamente morreria afogada. E eu sabia que era quase impossível tal façanha, visto que era só ficar de pé na piscina pra evitar tal tragédia, e mesmo que não conseguisse, havia ainda cerca de 3 ou 4 professores a postos que não hesitariam em mergulhar pra me salvar, provendo os mecanismos necessários para me ressuscitar. Nada, porém, me convencia, e meu epitáfio era certo: tal qual Ofélia, afogou-se. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 18.0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 36.0pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 36.0pt; text-indent: -18.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; mso-bidi-font-family: Georgia; mso-fareast-font-family: Georgia;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;b)&lt;span style="font: 7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Quando entendi que não iria me afogar, achei, então, que pararia de nadar porque teria um treco. O desespero da falta de ar me faria, numa manhã chuvosa, interromper bruscamente uma braçada de costas, caminhar até a margem oposta, subir pela escada, buscar meus pertences e entrar no elevador ainda pingando, sem olhar pra trás, alheia às súplicas da Lili, ou de quem quer que fosse, de voltar pra água. Nunca aconteceu: numa raia de 3, fazer isso atrapalharia o ritmo do nado dos outros 2 atletas, e pra essas coisas sou solidária, portanto não tive um treco por excesso de compaixão e falta de espaço.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 18.0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 36.0pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 36.0pt; text-indent: -18.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; mso-bidi-font-family: Georgia; mso-fareast-font-family: Georgia;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;c)&lt;span style="font: 7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;O Paulão. Até hoje eu não sei se ele se chama Paulão ou Carlão, mas tanto faz porque Paulões e Carlões são, conceitualmente, a mesma pessoa. Ando destreinada para reconhecer flertes, mas quando o sujeito puxa assunto no elevador e te dá umas sacadas, é batata. No começo achei que era impossível alguém curtir alguém que tinha,&amp;nbsp; antes: marca do travesseiro no rosto, cabelos desgovernados, calça de pijama por cima do maiô; durante: maiô, touca, óculos, pé-de-pato; depois: marca de touca na testa, toalha amarrada na cintura, cabelos amassados, bochechas rosas. Mas cada olhada do Paulão (ou Carlão) em minha direção falava sobre coisas que eu nem sei dizer. Em vez de ficar lisonjeada ou orgulhosa do meu poder de sedução atroz, achei que a existência do Carlão (ou Paulão) na raia ao lado era motivo o suficiente pra abandonar tudo aquilo, porque aquele pretendente era demais até pra quem tem uma casa afetiva como a minha.&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 18.0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 36.0pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 36.0pt; text-indent: -18.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; mso-bidi-font-family: Georgia; mso-fareast-font-family: Georgia;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;d)&lt;span style="font: 7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Em dezembro, também, eu fui assistir a uma apresentação de dança contemporânea e lembrei de como era ridiculamente feliz no ambiente bem menos molhado de uma sala de aula de dança, e toda vez que eu nadava e que tudo era igual e nunca outra coisa, eu pensava puta que pariu, o que eu to fazendo aqui? Drama bem fácil de entender. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Comecei a perceber que o que me mantinha ali chafurdada nas águas cloradas daquela escola de natação era o Zé. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;O Zé divide raia comigo nas aulas de quarta-feira. O que eu sei do Zé: ele tem uma neta Julia de seis meses e um outro neto mais velho. Ele costumava dirigir até Campinas, completando o percurso em cerca de 5 horas. Ele gosta de vinhos. Ele tem voz de Nelson Gonçalves e sempre que o avisto entrando na piscina, cantarolo &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=2NcdwPYMU-s"&gt;Chão deEstrelas&lt;/a&gt; mentalmente. O Zé, não sei por que, me dá vontade de chorar. Ele tem uns 80 anos, nada tranquilamente e ainda se preocupa se não vou bater com as unhas na parede da piscina, e se oferece pra tocar de lado comigo na raia. Eu mostro pra ele que mantenho as unhas curtas, e sinto vontade de chorar de novo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Desde que eu descobri a doçura do Zé que chego mais cedo às quartas-feiras e faço alongamento com ele, a Elda e o Jimmy na piscina, antes de começarmos de fato a nadar. A Elda e o Jimmy também são mais velhos, não tanto quanto o Zé, mas ainda assim. A identificação com essa turminha é imediata e já penso em convidá-los pra um cineminha. Algo me diz que teremos muito assunto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Hoje, às 7h01, fiquei presa no elevador do prédio da natação. Me veio todo esse flashback na cabeça, vi minha vida natatícia passar diante dos meus olhos. Por sorte, o Paulão não estava comigo. Tudo, sempre, poderia pior. Ficar presa no elevador do prédio da natação, ainda que por 3 minutos, foi como morrer afogada duas vezes na mesma quinta-feira, porque de repente, ao dar as primeiras braçadas do dia, tudo começou a doer (ombro, escápulas e pescoço), eu engoli água pacas e eu voltei à estaca zero. Quando consegui me libertar e chegar até a escada de acesso à piscina, não vi o Zé, porque não era o dia dele. Nem a Elda e nem o Jimmy estavam lá. Verdade seja dita, no estado em que me encontrava, até o Carlão poderia ter servido de alento, porque minhas pernas tremiam e eu só pensava em sair correndo, mas desde dezembro que esse ser está desaparecido. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;O episódio dessa manhã anunciou que essa história de natação já foi longe demais. O Zé, posto que era chama, foi eterno enquanto durou. Já sinto saudades. Na hora do almoço vou comprar sapatilhas. Ballet é um massacre, mas é bem mais seguro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-4758749376632186959?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/4758749376632186959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=4758749376632186959' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/4758749376632186959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/4758749376632186959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2012/01/lanterna-dos-afogados-capitulo-v.html' title='Lanterna dos afogados - capítulo V'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-5704592747917347875</id><published>2012-01-02T22:12:00.001-02:00</published><updated>2012-01-05T21:39:08.192-02:00</updated><title type='text'>Olha vai chover, é verão</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria Math";}@font-face {  font-family: "Cambria";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;             &lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria Math";}@font-face {  font-family: "Cambria";}@font-face {  font-family: "Georgia";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;             &lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria Math";}@font-face {  font-family: "Cambria";}@font-face {  font-family: "Georgia";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 13pt;"&gt;A praia sempre foi imprópria, e tem gente que se horroriza quando você pega emprestada a escova de dentes de um amigo. Quando a gente era criança, não tinha grade de proteção nas janelas. A gente lidava bem com sacadas, varandas, claraboias e afins. A maioria de nós, ao que consta. A gente comia batata Pringles, uma lata atrás da outra, e elas tinham um sabor delicioso de industrialização. Fiquei bem aborrecida com minha última incursão no mundo da Pringles. Junto com a gordura trans, ou o que quer que fosse que significasse veneno, lá se foi toda a gostosura. A gente sempre comeu legumes e frutas com agrotóxicos e morangos gigantescos. O abacaxi bom era o do caminhão que ficava parado na esquina. Com o advento Marcos Palmeira + Hortifruti, os tomates ficaram do tamanho de uvas, a tangerina dá o ano todo e o preço das saladas do Gula Gula ficou proibitivo. Cinto de segurança não era obrigatório (isso sim, uma maluquice) e manicure usava raspas de sabão branco diluídos em água quente pra fazer nossas unhas. Sabor de picolé era chocolate, uva ou côco, sorvete Itália era uma questão de muita sorte, cada um levava seu próprio guarda-sol pra praia, onde não havia cartela de consumação, altinha e nem filtro solar específico pra pele de rostos oleosos: todo mundo usava Sundown e era feliz ao meio-dia na areia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 13pt;"&gt;Os tempos se complicaram de tal forma que a gente trocou os futriques do Orkut por uma opinião no Facebook. A Natalie cantou a bola há uns meses, dizendo que achava tudo chato. Eu curti, porque é o que de melhor fazemos. Eu nem sei se ela pensava em tudo isso quando desabafou, mas minha intuição diz que a preguiça generalizada que a Natalie sentia tem muito a ver com a minha. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 13pt;"&gt;Eu tenho saudade do Free Jazz Festival e dos tempos em que colecionava testimonials elogiosos sobre mim mesma. Hoje pra ganhar um polegar levantado hay que suar a camisa, dizer frases de efeito, ter uma visão política bem fundamentada, odiar a Globo, lutar por Belo Monte etc. Ou conhecer vídeos fantásticos e músicas idem. Eu tenho saudade do tempo em que a gente ficava na fila do cinema pra garantir um lugar bom, e eventualmente tinha que sentar longe do coleguinha. Sobretudo, tenho saudade da época em que chovia e esse comentário ficava restrito ao elevador, à avó do seu namorado ou ao vigia da rua. Quando fazia sol a gente telefonava pros amigos e ia dar um mergulho, em vez de ficar postando aos quatro ventos súplicas pra desligar o maçarico. Cá entre nós, a piada nem tem graça. Pra nossa sorte, as pessoas ainda não tem muito o que dizer a respeito de um dia nublado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 13pt;"&gt;Eu não sei quando é que a gente acreditou que tinha tanta coisa a proferir assim, e nem quando resolvemos ter um milhão de amigos virtuais, tampouco sei justificar porque trocamos as comunidades com lasers (e Woody Allen, que sempre nos ligava) e os fotologs por instagrams e ativismo. Tem coisa mais cafona que uma foto da sua geladeira com essa estética 2011? Uma geladeira é uma geladeira é uma geladeira, e precisa bem mais que um iphone pra melhorar seu eletrodoméstico, seu gato, seu pé, seu par de óculos no parapeito da janela (com grade de proteção).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 13pt;"&gt;Eu sempre fui ranzinza, isso não mudou. O McDonalds, por mais que venda maçãs e água, sempre será o McDonalds, e não um fraco como a Batata Pringles. O Balada Sucos era bem melhor antes de virar Mix. Todo mundo usava condicionador Neutrox, as pessoas nem pensavam em clarear os dentes e Supra Sumo não tinha esse nome à tôa. Eu gostava mesmo quando a gente mexericava a vida alheia na internet e todo mundo era bem mais legal. Quando a gente queria ter um milhão de amigos mesmo, e não sair por aí deletando as pessoas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 13pt;"&gt;Pra não dizerem que não me adapto aos tempos, deixo aqui meu apelo a São Pedro: por favor, abotoa o céu, deixa o verão chegar, que no mar todo mundo fica quieto. Do contrário, é como disse a Natalie: eu acho tudo muito chato. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-5704592747917347875?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/5704592747917347875/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=5704592747917347875' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5704592747917347875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5704592747917347875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2012/01/olha-vai-chover-e-verao.html' title='Olha vai chover, é verão'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-8094594411852673735</id><published>2011-12-28T19:22:00.000-02:00</published><updated>2011-12-28T19:22:27.201-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='versos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aspas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria Math";}@font-face {  font-family: "Cambria";}@font-face {  font-family: "Georgia";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;estou no ar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;sem garantia ou validade&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;em várias estações no ar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;o coração vibrando em overbass&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;não há, não há explicações, não há&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;sou agora assim&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;simplesmente&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;cansei &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;de ser&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;como deveria ser&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;vou agora assim&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;seguindo em direção alguma&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;agora sim&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;partindo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;o chão com meus pés&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;aberto para balanço&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;vou errando as previsões&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;quantas danças você me dá?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;quantos passos pra pisar?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;sem garantia ou validade&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;sem previsões de tempo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;não me espere&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;vou&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;sem torre de comando&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;alço voo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;faço&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;meu próprio vento&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Omar Salomão in &lt;a href="http://www.obomleao.com/2011/12/23/livro-impreciso/"&gt;&lt;i&gt;Impreciso&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, Dantes Editora. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-8094594411852673735?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/8094594411852673735/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=8094594411852673735' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/8094594411852673735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/8094594411852673735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/12/font-face-font-family-font-face-font.html' title=''/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-7635663208623678120</id><published>2011-12-23T21:29:00.001-02:00</published><updated>2011-12-23T21:30:45.976-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desafio Pedro Lago'/><title type='text'>Fax</title><content type='html'>&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;       &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://pedrolago.blogspot.com/"&gt;Pedro Lago&lt;/a&gt; sugeriu um texto sobre beijo na boca, de língua. A &lt;a href="http://mundimuliebris.blogspot.com/"&gt;Bel&lt;/a&gt; me deixou uns quinze dias pensando na inexplicabilidade do fax, entre outros. &lt;i&gt;Voilà&lt;/i&gt;. E feliz natal.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;:: &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Manual para fazer origamis, porque dobraduras são as primeiras trocas que se estabelecem com qualquer um. Saber o que esconder é vital, se os defeitos, as qualidades, os vícios. Indicações para construir seu próprio pássaro. Ela responde de letra corrida dizendo “ok, deu certo”. Para enviar, aperte o botão verde. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Bilhetinho de bom dia, mesmo que não seja todo azul. Uma foto de montanha, quase não dá pra ver direito. Cartão de visita, trecho de livro, extrato bancário pra programar as férias, página de revista, receita de nirá, versinhos meio bobos sem rima, notícia de jornal, um fio de cabelo, cinzas de um incenso, uma manchinha de sangue da ponta do dedo pra ter certeza de que é real, mesmo que tudo perca a cor.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E tudo o mais que pode passar de um país pro outro com o mesmo mecanismo de apertar o botão, fazer a folha rodar e se materializar tão longe. Até bula de remédio analgésico: perceba como dói minha cabeça só de não estar perto de você. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Letra de música: &lt;i&gt;piscinas de silêncio, hinos do sem lugar&lt;/i&gt;.* Tenta imaginar como é o ritmo: é o primeiro bocejo depois de uma tarde toda no mar. A voz: é uma respiração tão funda e quieta. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ele fica aguando tudo o que não pode reter. Dobraduras gastas, beija a máquina como se a saliva pudesse atravessar, língua frenética, como se ela fizesse o mesmo do outro lado, como se a temperatura das bocas, como se o esbarrar de dentes, como se fogo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Retalhos de língua, finas camadas colocadas sobre o papel como se fosse um quebra-cabeças. O delírio dos cortes, a mensagem urgente: aqui sou eu, enlaçando a tua cintura. Peles dos lábios nas margens. Se pudesse, arrancava um molar. Te dou uma leve mordiscada no lábio inferior. Gosto de sugar sua língua e depois cravar a boca no teu pescoço. A folha se encharca de sangue. Para enviar, aperte o botão verde. Setas que indicam pra onde a língua roda, duração dos segundos, e começamos um novo movimento. Para enviar, aperte o botão verde. Começo a perder o fôlego. Aperte o bot. (apito). Ap. (FALHA). Para enviar. Aperte. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;* in &lt;i&gt;Acalanto&lt;/i&gt;, de Arthur Nestrovski e Zé Miguel Wisnik, do disco Indivisível. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-7635663208623678120?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/7635663208623678120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=7635663208623678120' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7635663208623678120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7635663208623678120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/12/fax-1992.html' title='Fax'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-5424839976512640553</id><published>2011-12-02T14:21:00.000-02:00</published><updated>2011-12-02T14:21:14.848-02:00</updated><title type='text'>André quer transar</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:WordDocument&gt;   &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:PunctuationKerning/&gt;   &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;   &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:Compatibility&gt;    &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;    &lt;w:SnapToGridInCell/&gt;    &lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;    &lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;    &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:LatentStyles DefLockedState="false" LatentStyleCount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt; /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;}&lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Ou melhor, André precisa transar. Não é um palpite, é uma constatação do próprio, que postou tal afirmativa em sua página do Facebook. Ele não escreveu: “quero”, “gostaria de” ou “estou com saudades de” transar. André foi categórico: “Preciso transar." &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;André disse que precisava transar numa noite de quinta-feira, justamente o dia em que eu já pensava que queria transar também. Segundo uma &lt;a href="http://revistaalfa.abril.com.br/sexo/sexo/pesquisa-diz-que-quinta-feira-e-o-melhor-dia-para-fazer-sexo/"&gt;reportagem da revista Alfa&lt;/a&gt;, quinta-feira é o melhor dia para fazer sexo (a mesma pesquisa afirma que a sexta-feira é o melhor dia pra parar de fumar, mas isso ninguém reparou). Não sei se o André leu essa matéria ou não. O fato é que André precisava transar, e eu fui tomar banho. Frio. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Uma ducha fria diária: ajuda na prevenção do envelhecimento; libera pequenas quantidades de endorfina, diminuindo assim a ansiedade, a depressão e a fadiga; melhora a qualidade do sono quando tomada antes de dormir; abaixa ligeiramente a temperatura corporal (pense no princípio do “congelar conserva” e &lt;i&gt;voilà&lt;/i&gt;) e tem menos impacto ambiental que um banho quente. Isso eu li num livro naquela tarde de quinta-feira, no trabalho. Por uma razão bem óbvia e consoladora, o autor da obra em questão aborda os benefícios da ducha fria diária depois de ter exposto que: relações sexuais regulares nos protegem, no sentido de moderar a aparição de diversas doenças, como cânceres e doenças cardiovasculares; 3 relações sexuais por semana aumentam em 10 anos a expectativa de vida; 21 ejaculações mensais previnem contra o câncer de próstata. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Minhas endorfinas e eu saímos do banho frio. Mas eu ainda queria transar. E André também. Pior: André precisava transar, e eu começava a concluir que: eu também. Precisava. Transar. Pensei em quantas duchas frias o André devia ter tomado antes de concluir que precisava transar. Quanta água gelada o André teria gasto antes de anunciar aos quatro ventos que precisava transar. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Foi fácil admitir. Difícil seria a conversa que eu teria com André antes de transar com ele. Evidentemente eu não era a pessoa mais indicada pra transar com o André naquela quinta-feira, visto que eu queria, antes de tirar a roupa, estabelecer um estatuto em concordância com as minhas vontades e as vontades do André, pra me cercar de possibilidades de que aquilo seria bom pros dois (porque, cá entre nós, sexo casual comigo nunca dá certo). Achei que era necessário criar algumas regras pra essa trepada, só pra ficar tudo esclarecido: André poderia tirar minha roupa, desde que não rasgasse nada; strip-tease estava fora de cogitação, sou muito atrapalhada; tapas não rolam; mordidas, só no pescoço; evitar posições que possam despertar hérnia de disco (de quatro, por exemplo); evitar preservativos com sabor ou cheiro de frutas (mamão me dá ânsia de vômito); evitar trilha sonora; nunca, em hipótese alguma, ligar o shuffle do iTunes; não dormir de conchinha; telefonar no dia seguinte. Ok, telefonar no dia seguinte era uma cláusula que não fazia o menor sentido pra esse tipo de sexo que o André precisava e eu queria. Ok, precisava. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Escolhi um vestido preto de malha, básico, sem muito desespero ou castidade. Salto alto era indispensável. Sem batom. Quando entrei no carro, uma rádio anunciava exatamente as previsões para o meu signo naquela noite: eu ia encontrar um grande amor. Fiquei confusa. “Amanhã de manhã vou pedir o café pra nós dois”, cantava o Rei quando dei play no cd. Tudo naquele dia parecia um roteiro escrito onde o final só podia ser exaustão a dois numa cama. Em que momento o amor entrava na história ainda não estava claro pra mim. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;E foi então que tudo se iluminou: André era um estrategista. Com seu desabafo virtual, André estava arranjando sexo pra muitos e muitos dias. Ia chover gente na horta dele. Por minha parte, eu ia transar com André aquela noite e ia passar o resto do ano tomando banho frio, até no inverno, enquanto ele talvez começasse a recusar trepadas. Numa terça-feira próxima (dia mais propício ao trabalho, d’après revista Alfa), André escreveria: “Não aguento mais transar.”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Quando cheguei ao restaurante onde meus amigos me esperavam pra jantar, anunciei: &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;André precisa transar. Eles não tinham ideia de quem era André. Sequer sabiam se André era alto ou baixo, gordo ou magro, e percebi que nem eu sabia mais qual era a cara do André. Fazia meio século desde uma noite em que, bêbado, André enfiou a língua na minha boca e me beijou. Agora parecia até ridícula a ideia de transar com André, porque se a gente não trepou naquele dia, não ia trepar nunca mais. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Minha quinta-feira terminou com a rotina de lavar o rosto, passar creme hidratante e programar o despertador pro dia seguinte. Sem sexo. E sem um amor novinho em folha. Na sexta-feira, antes de sair para trabalhar, lá estava o anúncio de André com muitos, muitos comentários. Cliquei "Curtir" e escrevi: eu também. Entrei no banho. Decidi parar de fumar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-5424839976512640553?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/5424839976512640553/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=5424839976512640553' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5424839976512640553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5424839976512640553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/12/andre-quer-transar.html' title='André quer transar'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-5932785664202424534</id><published>2011-11-30T23:16:00.000-02:00</published><updated>2011-11-30T23:16:29.800-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='correio'/><title type='text'>Carta a G.</title><content type='html'>&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria";}@font-face {  font-family: "Georgia";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Caro,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Faz dois ou três dias que escrevo na minha cabeça um epitáfio para esse blog. Não é a primeira vez que pego em armas e faço ameaças contra mim mesma. Tampouco é a primeira vez que afirmo que dessa vez é de verdade. Mas dessa vez, receio que seja de verdade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Vou te explicar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Estou chata. &lt;a href="http://www.euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/10/agora-nao.html"&gt;Embora eu mesma tenha levantado uma bandeira a meu favor&lt;/a&gt;, o fato é que, recentemente, nada acontece. Até a natação perdeu o sabor, desde que me convenci de que é inviável morrer afogada na piscina, alcancei certa tranquilidade e hoje saio da aula achando que poderia ter nadado ainda uns 100 metros. Bizarro, não é? Minha nova persona é assim: comprei um par de tênis pra correr na orla, apliquei dinheiro num fundo de investimentos e desenvolvi uma doença de pele cuja causa principal é um “estado psicológico”.&amp;nbsp; Devo evitar, entre outros, bebidas quentes, álcool e vento. Como é que se evita vento? O tratamento homeopático pra alergia, por sua vez, proíbe cânfora, mentol, eucaliptol, trident, bala halls, salompas. Penso em voltar pra análise. A lista do que não fazer é tão grande que me restam poucas coisas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Meus novos amigos são bebês que acham graça das vozes que eu sei fazer, e das músicas que gosto de cantar. Eles também riem de coisas bobas. Eles não discutem Belo Monte, USP, crise na Europa, o poder da China e, provavelmente, também acham que esse conceito de fuso-horário não faz o menor sentido. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Tá tudo assim: morno. Em seu &lt;a href="http://www.travessa.com.br/BARTLEBY_E_COMPANHIA/artigo/82287750-1940-49dc-9f70-363c6882f774"&gt;Bartleby e Companhia&lt;/a&gt;, Vila-Matas cita: “Muitos anos depois, Beckett diria que até as palavras nos abandonam e que com isso tudo está dito.” Em &lt;a href="http://www.travessa.com.br/LUZ_EM_AGOSTO/artigo/2c7d45bb-38aa-4a1e-bb60-a3f872d6c863"&gt;Luz em agosto&lt;/a&gt;, Faulkner escreveu: “Quero dizer como eu disse a você uma vez que existe um preço por ser bom como por ser mau; um custo a pagar. E são os bons que não podem recusar a conta quando ela aparece.” Eu sei, não tem nada a ver. Mas tá vendo? Eu poderia fazer um blog só de citações imperdíveis. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Não falo isso em tom de reclamação. Clayton Fabio, o astrólogo, disse que era tempo de ficar empacada mesmo, mas que em breve isso passa. Espero que sim. Espero, também, que esse curto relato do meu paradeiro aquiete suas expectativas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Cordialmente,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-5932785664202424534?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/5932785664202424534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=5932785664202424534' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5932785664202424534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5932785664202424534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/11/carta-g.html' title='Carta a G.'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-4332037687379017735</id><published>2011-11-06T18:09:00.001-02:00</published><updated>2011-11-06T18:15:07.681-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><title type='text'>This could be the first trumpet*</title><content type='html'>&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria Math";}@font-face {  font-family: "Cambria";}@font-face {  font-family: "Georgia";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Uma sexta-feira de julho&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Tudo deu errado com os músculos que sustentam e envolvem a escápula direita. Nada mais funciona: pescoço, ombro e mesmo o braço parece que vai despencar de tão pesado. Prometi passar no lançamento do livro de um amigo. Confirmei presença num jantar na casa de uma amiga onde certamente não vou conhecer ninguém. Socializar com contratura muscular é tão complicado quanto fazer baliza em dia de torcicolo. Deixo o livro do amigo pra depois, compro a garrafa de vinho pedida pela anfitriã e rezo, quase me ajoelho, pra que tenha maconha. Faz uns 10 anos desde a última vez que fumei maconha, e depois de ter tentado alopatia, bolsa de água quente, cânfora, fisioterapia, massagem, relaxante muscular e Lexotan, me apego à possibilidade da cura fitoterápica. Um trago (tapa?) na maconha alheia e tenho certeza que tudo vai dar certo de novo nas proximidades dos músculos rombóides. Chego ao Humaitá, o vinho na bolsa, fecho os olhos antes de tocar a campainha. Eu deveria conhecer o homem da minha vida nesse jantar, mas agora só consigo pensar no momento em que alguém vai perguntar “e aí, vamos fumar um?”. Meus passos, de repente, parecem passos de reggae. Meu colar de pérolas poderia facilmente ser substituído por um colar de conchas. Amanhã vou à praia na Joatinga, penso. Com o &lt;a href="http://www.amoladafaca.blogspot.com/"&gt;Bruno&lt;/a&gt;. Todo mundo conversa sobre artes plásticas com a propriedade de quem comenta o tempo no elevador. Todo mundo bebe vinho e trabalha com cultura, e eu só sinto uma dor lancinante que me define como alguém que sofre. Muito. Quando o sujeito louro e baixinho sai à caça de um isqueiro, me instalo na poltrona e agarro meu terço imaginário: faz uns 10 anos desde a última vez que fumei maconha, ri feito uma demente, e agora toda essa gente aqui vai testemunhar. Mas que nada. É uma sexta-feira de julho de 2011 e todo mundo está eufórico pra fumar sálvia. Eu pensava que sálvia era ingrediente de pizza, salada ou horta. Um tititi se arma em torno do sujeito louro baixinho, uma euforia maior que a que se desencadeia quando anunciam que o Strokes vem ao Brasil. Esse é o retrato da minha desolação. Não tenho ingressos pro Planeta Terra, não tenho maconha pra fumar. Amanhã não vou à Joatinga com o Bruno porque é inverno e o sol vai embora de lá bem cedo. Aproveito a ocasião pra recuperar minha bolsa e saio de fininho pensando desde quando as pessoas fumam sálvia. Sálvia. Amanhã vou à feira. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Quinta-feira à noite, setembro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;É sempre o pior dia pra se chegar em casa, a cidade empaca, o horário de verão ainda não começou e eu li uns 4 livros naquela semana. Tudo ao meu redor alucina, e ao parar na praia de Ipanema quase em frente ao Laura Alvim vejo a menor palmeira do jardim em frente à casa girar. Esfrego os olhos e já não há mais nenhum movimento. Mando uma mensagem pro Lucas, que me garante que não estou tendo visões e que sim, a palmeira do jardim da Laura Alvim gira. Ele é meu chefe, não ouso discordar, seria como desafiar hierarquias. Mas guardo certa desconfiança. Desde então, nunca mais a palmeira deu piruetas e eu não tive coragem de perguntar a mais gente se aquilo era real ou fruto de ervas que sequer ando consumindo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Quartas-feiras e domingos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Entre um “mengooooo” e outro, ou melhor, verdade seja dita, entre xingamentos débeis como “filha da puta”, “viado” e expressões de mesmo escalão como “chupa ______”, meu vizinho do 202 fuma baseados superpotentes com seus amigos que sempre assistem aos jogos rubro-negros aqui no prédio. O cheiro invade meu quarto, minha mãe já me olha divertida e eu durmo embalada pela marola que bate aqui, enquanto meu vizinho e seus amigos gastam a onda jogando ping-pong no play. E xingando uns aos outros, obviamente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Uma terça-feira de outubro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 12pt;"&gt;Estaciono o carro na Lagoa e descubro um comando que muda a posição do retrovisor esquerdo quando engato a ré. Mostro pra Eugênia, sentada no banco do carona, e repito a operação algumas vezes. Achamos graça e de repente lembramos Beavis e Butthead, mas em vez de AC/DC, ouvimos “Turn your lights down low”, do Bob Marley. O trânsito estava surpreendentemente bom, o que nos fez chegar cedo demais, e portanto fazemos hora no carro antes de subirmos pra aula. Quando “Redemption Song” começa, Eugênia e eu pensamos num pequeno menu da larica perfeita: burrata do Braz, pão-de-queijo da Adriana Lunardi, brigadeiros da tia da Helaine, Kusmi tea. Desde o jantar em que as pessoas fumavam sálvia que eu não pensava mais em fumar maconha, e agora estamos as duas aqui, falando de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=pYQQtxb8wv0"&gt;Laird Hamilton e as ondas de Teahupoo&lt;/a&gt;, pensando hibiscos, elencando comidas disparatadas para uma larica que provavelmente não se produzirá e rindo dos efeitos especiais do carro novo. Talvez a gente não precise de drogas mesmo. Por via das dúvidas, porém, já penso em bater na porta do 202, pedir açúcar, talvez seja um bom começo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 12pt;"&gt;* Bob Marley em &lt;i&gt;Natural Mystic&lt;/i&gt;.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-4332037687379017735?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/4332037687379017735/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=4332037687379017735' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/4332037687379017735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/4332037687379017735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/11/this-could-be-first-trumpet.html' title='This could be the first trumpet*'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-7289436736939759739</id><published>2011-10-28T09:28:00.000-02:00</published><updated>2011-10-28T09:28:25.555-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='textos dos outros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outros sites'/><title type='text'>I'm gonna crawl*</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Não posso ignorar minhas próprias obsessões, e depois de ler &lt;a href="http://blogdoims.uol.com.br/bernardo-carvalho/a-piscina/"&gt;esse texto&lt;/a&gt;, tá decidido: passarei as próximas férias em Berlin nadando com Bernardo Carvalho. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;* Led Zeppelin&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-7289436736939759739?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/7289436736939759739/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=7289436736939759739' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7289436736939759739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7289436736939759739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/10/im-gonna-crawl.html' title='I&apos;m gonna crawl*'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-8839210992862824351</id><published>2011-10-27T23:15:00.002-02:00</published><updated>2011-10-27T23:17:13.450-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vamos fazer um filme?'/><title type='text'>Para o Marcelo</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;             &lt;/span&gt;&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria Math";}@font-face {  font-family: "Cambria";}@font-face {  font-family: "Georgia";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: Wor&lt;/style&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;style&gt; &lt;/style&gt;&lt;style&gt; &lt;/style&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O processo de digestão das coisas boas é sempre mais complexo que o das coisas ruins. De um jeito ou de outro, com mais ou menos esforço, mais ou menos suor, mais ou menos palavrões, as coisas ruins a gente deixa por aí, porque acabam saindo de alguma forma: no mar, em folhas de caderno, em sapatilhas de ballet, em 3 atos de uma tragédia ou em 4 taças de margarita. &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Felicidade, geralmente, só sei no dia seguinte, quando fico pairando em vez de andar.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Felicidade é mais caro, me dá muita solidão e um problema que ainda não sei enfrentar. Fico uma tarde inteira sozinha na praia, tentando guardar as sensações e barulhinhos que o corpo faz, numa tentativa de reter tudo o quanto for possível, segurar com os dentes e as mãos, porque não quero esquecer, não quero perder nenhum detalhe, quero guardar.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Bate um mutismo que parece irreversível. A desconfiança de que ninguém entende. Nenhuma música é possível, e nem mais nada. Felicidade se apropria das entranhas, é latifúndio do corpo. Eu só queria que tivesse um botão que fizesse parar de chorar e então ia começar a te dizer tudo o que eu queria.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;(esses pequeninos parágrafos estão sendo escritos há dias. Ficaram empacados pelo mutismo que a felicidade causa. Hoje o Marcelo ganhou o prêmio de melhor diretor pelo seu primeiro filme, entitulado "&lt;a href="http://www.semanadosrealizadores.com.br/2011/10/testemunha-4/"&gt;Testemunha 4&lt;/a&gt;", que foi exibido na &lt;a href="http://www.semanadosrealizadores.com.br/"&gt;Semana dos Realizadores&lt;/a&gt;. Tem repescagem dia 5/11 no Instituto Moreira Salles, RJ) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-8839210992862824351?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/8839210992862824351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=8839210992862824351' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/8839210992862824351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/8839210992862824351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/10/para-o-marcelo.html' title='Para o Marcelo'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-6268338422785439425</id><published>2011-10-20T22:12:00.000-02:00</published><updated>2011-10-20T22:12:39.778-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outros sites'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aspas'/><title type='text'>Com que roupa</title><content type='html'>Às vezes a revolucionária que há dentro de mim desperta. Hoje ela acordou &lt;a href="http://meupaletovirouestopa.blogspot.com/"&gt;aqui&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, também, seria aniversário de Rimbaud. E ontem de Vinícius de Moraes. Eu ando amando o Paulo Henriques Britto. Fazer o que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="color: #cc0000;"&gt;Nenhum sinal da solidão se vê&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #cc0000;"&gt;lá onde o amor corrói a carne a fundo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #cc0000;"&gt;Dentro da pele, no entanto, você&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #cc0000;"&gt;é só você contra o mundo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #cc0000;"&gt;Esta felicidade que abastece&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #cc0000;"&gt;seu organismo, feito um combustível,&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #cc0000;"&gt;é volátil. Tudo que sobe desce.&lt;/div&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;Tudo que dói é possível. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-6268338422785439425?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/6268338422785439425/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=6268338422785439425' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/6268338422785439425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/6268338422785439425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/10/com-que-roupa.html' title='Com que roupa'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-3416608727313847353</id><published>2011-10-17T22:41:00.001-02:00</published><updated>2011-10-22T14:57:41.411-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='horóscopo'/><title type='text'>Agora não</title><content type='html'>&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria Math";}@font-face {  font-family: "Cambria";}@font-face {  font-family: "Georgia";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;And people they don’t understand&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;No, girlfriends they can’t understand&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;In spaceships, they won’t understand&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;And on top of this I ain’t ever gonna understand&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;The Strokes in&lt;/span&gt; &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=TOypSnKFHrE&amp;amp;ob=av2n"&gt;Last Nite&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Eu sou muito legal. Tão legal que não deveria me justificar no meu próprio blog, e se você vem aqui há muito tempo (ou há pouco tempo também) já deve ter percebido isso. Eu sou imperdível. Se eu fosse enumerar minhas top 5 qualidades, ia ser difícil pacas. Eu falo “pacas”, só isso já faz de mim uma pessoa peculiar, e pessoas peculiares costumam ser bastante engraçadas. Domingo o &lt;a href="http://www.semanadosrealizadores.com.br/2011/10/testemunha-4/"&gt;Marcelo&lt;/a&gt; disse que eu sou hilária. Até o &lt;a href="http://www.maisanimaquesuperego.blogspot.com/"&gt;Gustavo&lt;/a&gt;, que nunca me viu na vida, disse que eu sou diversão garantida. E sou mesmo. Tenho sempre uma história pra contar. E sou muito disponível pros meus amigos: encaro festa falida em play de prédios estranhos, topo ser apresentada pra gente que sua exageradamente, faço cópias de fotos impressas pra eles guardarem de lembrança, mando cds temáticos por correio pra todo mundo ficar de bom humor no trânsito na terra da garoa. Coleciono tirinhas do Snoopy pros momentos em que as pessoas precisam respirar, aviso por email sobre todas as promoções de livros que descubro, aviso por mensagem quando a praia tá esperando. Quer mais? Ajudo a comprar roupa, sempre encontro a ponta do durex, sou boa com molduras, conheço o endereço dos melhores brigadeiros, bebo cerveja ou drinks elaborados, sei um ou dois passos de dança descolados e tenho o sobrinho mais bochechudo e gostoso da cidade. E uma Polaroid. Além de imperdível eu sou também inesquecível. Ontem, no bar, um sujeito que era amigo do namorado de adolescência da minha irmã lembrou de mim. Um francês que conheci num trem a caminho de Paris, no meio de uma nevasca pré-natalina também lembrou de mim quando me encontrou, semanas atrás, na Cinelândia. A minha professora de natação me chama de Juju. Até a Anne Rice me acha lovely! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Então por que eu sou constantemente abandonada é uma resposta bastante complexa de se resolver, possivelmente um mistério sem solução. Além de ser muito legal por todos os motivos acima citados, eu estou sempre cheirosa, bem vestida e dou carona pra todo mundo no meu carro. Dirijo bem, sei fazer baliza e no porta-luvas moram trilhas sonoras confiáveis. Talvez um dos meus poucos defeitos seja não saber a regra dos porquês. Não faz o menor sentido, portanto, que toda primeira vez que eu saia com um sujeito legal ou bonitinho acabe virando também a última. Menos ainda que 45% dos meus amigos mais queridos tenha ido morar do outro lado do oceano. Quando nenhuma criatura tá a fim de dançar a madrugada toda na casa da Matriz ao som de um dj da minha inteira confiança, eu evoco um deus pra tentar decifrar o motivo. Mas o cúmulo da rejeição, dessas impensáveis, é o fato do MAM me ignorar sistematicamente. Quando uma instituição aparentemente falida decide por não te aceitar no círculo de amizades dele, é que alguma coisa está fora da ordem. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Clayton Fabio, o astrólogo, explica. Eu explico também: desde que voltei a trabalhar no centro da cidade, o MAM virou local de peregrinação. Eu almoço lá, decoro minha casa imaginária com os móveis da lojinha, vejo metades de exposições quando sobram 20 minutos da hora de almoço, passeio pelo jardim de pedras e faço planos de voltar no fim do dia pra assistir um filme na Cinemateca. Dia desses, então, porque me pareceu uma solução obvia demais, me inscrevi para ser “amiga do MAM”. Entreguei o panfleto preenchido para o sujeito da chapelaria, que sorridente garantiu que a pessoa responsável entraria em contato comigo pra que eu pudesse efetuar o pagamento da anuidade. Semanas se passaram até que tomei coragem de ir lá perguntar o que estava acontecendo. Preenchi novamente o formulário, entreguei ao mesmo chapeleiro sorridente, e nada. Nenhum contato. Nenhum telefonema. Nenhum email, e eu tenho vasculhado o SPAM diariamente. O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro não quer minha amizade. Faz menos sentido que qualquer obra contemporânea concorrendo ao Prêmio Pipa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Marcelo acha que eu sou a primeira cidadã a me candidatar a tal empreitada, e que Luiz Camilo Osório e cia estão reunidos em cúpula, pensando o que fazer e/ou elaborando uma carteirinha cujo design ainda não sabem se será assinado pelo Cildo Meirelles ou pelo Tunga. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Clayton Fabio, o astrólogo, é mais certeiro: a minha casa afetiva está bem vazia. Isso não explica, porém, os abandonos e a rejeição. Ele não disse que a casa estava sendo evacuada. Ele não disse que eu estava perdendo gente, ele só confirmou que o marasmo nas relações deve durar ainda um tempo. Ele chegou mesmo a empregar a expressão “um longo e tenebroso inverno.” Eu não sei como pode ficar mais tenebroso que o atual quadro, que já está abstrato o bastante. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Sem saber o que fazer, deixei escapar uma lágrima quando Clayton Fabio, o astrólogo, sentenciou minha solidão. Ele sacou que o assunto era espinhento e foi logo passando pro próximo, que tinha a ver com o fato de fazer exercícios. Clayton Fabio, o astrólogo, foi convicto ao afirmar que eu não podia abandonar a natação. Ele disse que preciso de muito alongamento muscular. Mas pra mim é óbvio demais: a abandonada sou eu, e portanto só resta me agarrar com unhas e dentes a tudo o que eu puder reter, especialmente se tal objeto produzir endorfinas. Clayton Fabio, o astrólogo, viu a natação como minha última boia de salvação. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Por alguma razão que, desconfio, pode ter a ver com a posição dos astros no céu, o Tiago me deu um dvd do Peanuts de presente semana passada, e a &lt;a href="http://momentosespontaneos.blogspot.com/"&gt;Eugênia&lt;/a&gt; deixou um monte de livros na minha mesa de trabalho, frisando que todos eram para “uso pessoal”, logo a Eugênia, que também ri comigo e me acha engraçada... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 12pt;"&gt;O que mais eu posso fazer pra te convencer? Eu sou muito legal. Juro.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Cambria; font-size: 12pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-3416608727313847353?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/3416608727313847353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=3416608727313847353' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/3416608727313847353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/3416608727313847353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/10/agora-nao.html' title='Agora não'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-6343268177744521694</id><published>2011-10-13T00:31:00.001-03:00</published><updated>2011-10-19T10:47:39.548-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desafio Pedro Lago'/><title type='text'>Ali onde teu doce voo se detém*</title><content type='html'>&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria Math";}@font-face {  font-family: "Cambria";}@font-face {  font-family: "Garamond";}@font-face {  font-family: "Georgia";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Sem dislexias ou mudanças, dessa vez obedeci ao que sugeriu o &lt;a href="http://pedrolago.blogspot.com/"&gt;Pedro Lago&lt;/a&gt;: um texto sobre sexo oral e a Nona Sinfonia (e se isso for contravenção, então confesso que escrevi ouvindo os Noturnos de Chopin por Nelson Freire, que acabaram tendo participação especial no texto).&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;:: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;De onde eu estava, via o topo da sua cabeça. Fios brancos despontavam aqui e ali. Seus dedos cravados nas minhas coxas. De onde ele estava, se levantasse os olhos, poderia adivinhar meu sorriso escapando entre uma ou duas almofadas. Meus pés em suas costas. Pensava se minhas unhas estavam bem cortadas. Sempre pensava nessas coisas quando havia uma cabeça entre minhas pernas, até sentir uma penetração mais profunda, como se algo me espetasse, então esquecia das unhas e fechava os olhos quando o mundo começava a se apagar à minha volta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Do sofá de onde agora o observo dormir, refaço os passos que nos trouxeram até aqui.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Alguns dias antes, da mesa do almoço, podia ver que ele tomava a mesma sopa que eu. Não era destino nenhum, era apenas inverno no centro da cidade, e o fato de que a sopa era a melhor sugestão daquele cardápio. Via o caderno de esportes do jornal na cadeira vazia à sua frente, o celular ao lado do prato, certa calma em sua fome, e a barba. Uma barba preta, espessa, impenetrável, e milimetricamente desenhada sobre maxilares fortes, geométricos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Poucos dias depois, do fundo de uma livraria ali perto, podia ver seu tamanho, sua camisa jeans, sua nuca. Ele inclinava-se para a frente, folheava alguns volumes. Fiquei imóvel durante os segundos que ele usou para se virar em minha direção. Os olhos negros como os pelos do rosto, em perfeitas linhas aparadas que desciam até onde começa o pescoço. Ficamos ligeiramente mais lentos, como o segundo Noturno de Chopin, trilha sonora daquela tarde modorrenta. Ele franziu um pouco as sobrancelhas, senti minhas bochechas vermelhas e desviei-me do caminho. Espirrou enquanto eu saía pela porta.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Na quinta-feira ele tomava um café no bar da esquina. Coçava o rosto enquanto lia uma notícia sobre o aumento do dólar. As unhas se perdiam na barba impecável e eu quase ouvia o ruído. Eu trazia um guarda-chuva que deixei cair enquanto repetia seu gesto, e entrei no carro antes que ele pudesse me ver.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;E sexta. De novo. Já não sabia como aquilo tinha virado uma pequena perseguição. Da mesa central do sebo onde agora estava, vi quando ele entrou, sacudindo um pouco o meu guarda-chuva do dia anterior. Sua camiseta tinha respingos, suas olheiras eram mais evidentes e sua barba imaculada continuava ali, preta, cerrada. Senti que meus batimentos aceleravam ao ritmo da Ode à Alegria da Nona Sinfonia de Beethoven, como se o local tivesse sido invadido por uma horda de violinos. Quando o primeiro solista tomou conta da música e ele me estendeu o guarda-chuva, meu impulso levou minhas mãos diretamente ao seu rosto. Saímos dali quase românticos, pouco antes do coro e do meu coração explodirem, pouco depois que fechei os olhos e o mundo começou a desaparecer ao redor.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;As minhas unhas estavam bem cortadas, concluí. Arranhões marcavam o interior das minhas coxas. Riscos e traços com resquícios de sangue seco. A potência da língua abafada pela barba cortante. Os pelos afiados do rosto dele. A indecisão de saber o que ele tinha bebido de mim, e se as minhas lágrimas eram de prazer ou de dor.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Sem fazer nenhum barulho, fui até o banheiro e descobri na primeira gaveta uma navalha. Reluzia. Ao pé da cama, calculei: três respirações dele cabiam dentro de apenas uma minha. Eu murmurava aquele mesmo trecho da Nona Sinfonia enquanto seus pelos iam caindo sobre o travesseiro branco. Minha destreza me espantou. Seu rosto ficava liso e branco. No escuro parecia um vampiro. Em questão de minutos, estava feito: passei os dedos lentamente sobre aquele pedaço de carne exposta, a pela macia, escancarada, a antiga barba espalhada sobre a fronha onde ele dormia.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Peguei minha bolsa, bati a porta no exato momento em que o último compasso da Nona Sinfonia morria em meus lábios. No elevador, passei as mãos entre as pernas, fechei os olhos e senti: não demoraria a cicatrizar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: small;"&gt;* tradução (wikipedia) de um dos versos do poema de Schiller, parte da Ode à Alegria, da Nona Sinfonia de Beethoven.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Garamond; font-size: 13.5pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-6343268177744521694?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/6343268177744521694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=6343268177744521694' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/6343268177744521694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/6343268177744521694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/10/ali-onde-teu-doce-voo-se-detem.html' title='Ali onde teu doce voo se detém*'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-2510040895012643821</id><published>2011-10-09T17:42:00.002-03:00</published><updated>2011-10-09T17:43:44.550-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aspas'/><title type='text'>FAQ</title><content type='html'>&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria Math";}@font-face {  font-family: "Cambria";}@font-face {  font-family: "Georgia";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;But it’s about reading something while you’re working and your heart is just longing for your project, and the joy of reading this book by somebody else is actually what makes you turn up at the desk the next day in the broader sense, you see. If I can just generate the same feeling in the reader that this writer generated in me then I’ll have succeeded. And that is probably the biggest influence. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Ian McEwan em entrevista a Zadie Smith para a &lt;a href="http://www.believermag.com/"&gt;Believer&lt;/a&gt;, falando de influências que não se veem em sua prosa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-2510040895012643821?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/2510040895012643821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=2510040895012643821' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2510040895012643821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2510040895012643821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/10/font-face-font-family-font-face-font.html' title='FAQ'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-1297734040347842902</id><published>2011-10-06T22:39:00.001-03:00</published><updated>2011-10-06T22:40:09.239-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='alergia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='brechó'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros'/><title type='text'>Tesouros</title><content type='html'>(ou: do que se encontra dentro de livros comprados em sebos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-fcZR2xtrVYc/To5Uc-mzR8I/AAAAAAAAAvs/ORunQsifCTo/s1600/sebo+copy.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/-fcZR2xtrVYc/To5Uc-mzR8I/AAAAAAAAAvs/ORunQsifCTo/s320/sebo+copy.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(clique nas imagens para ampliar)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;1. Pedaço de embalagem da Kopenhagen;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;2. Canhoto de bilhete de ônibus para uma&amp;nbsp; viagem que foi feita na poltrona 8 do dia 13/10/1970, quando empresa tinha acento circunflexo;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;3. Etiqueta de lavagem de uma peça cuja composição era 60% algodão, 30% poliamida e 10% elastano;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;4. Páginas 45 e 46, por sorte, vieram dentro do próprio livro a que pertencem (ou pertenciam). &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Os dois primeiros itens foram encontrados dentro do livro "Virginia Woolf, a commentary", de Bernard Blackstone, de 1949 pela Hogwarth Press, London. Este é o volume verde que aparece na foto, e que foi originalmente comprado na Freitas Bastos, Livraria Editora, então situada no Largo da Carioca.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-fQnHKNJ0zyY/To5W8s-n85I/AAAAAAAAAvw/ZIfGaTWmwcU/s1600/sebo+v+woolf.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="238" src="http://3.bp.blogspot.com/-fQnHKNJ0zyY/To5W8s-n85I/AAAAAAAAAvw/ZIfGaTWmwcU/s320/sebo+v+woolf.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;O item 3 estava perdido entre as páginas de "Les Fleurs du Mal", de Baudelaire, em edição presentée par Jean-Paul Sartre, pela Livre de Poche Classique e que pertenceu à Zezinha, que o comprou em julho de 1964, sublinhou 2 frases do prefácio e logo abandonou o poema (creio).&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-IJVLloflrwI/To5XRAtINYI/AAAAAAAAAv0/cZ9lbw4lHyA/s1600/sebo+baudelaire.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="214" src="http://1.bp.blogspot.com/-IJVLloflrwI/To5XRAtINYI/AAAAAAAAAv0/cZ9lbw4lHyA/s320/sebo+baudelaire.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;O item 4 foi (felizmente) achado dentro de um exemplar de "Selected Poems, T. S. Eliot", pela Harbrace Paperbound Library.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Alguns dos itens foram trocados por livros que nunca consegui terminar, por culpa única dos autores dos mesmos. A trilha sonora que acompanhou as escolhas variaram de Cake a Chopin (acho). Um sujeito que vestia camisa jeans olhava a mesma mesa que eu, onde encontrei 2 das obras, mas ele não se animou a espirrar em casa. Os livros chegaram à minha biblioteca no final do mês de setembro. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-1297734040347842902?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/1297734040347842902/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=1297734040347842902' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/1297734040347842902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/1297734040347842902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/10/tesouros.html' title='Tesouros'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-fcZR2xtrVYc/To5Uc-mzR8I/AAAAAAAAAvs/ORunQsifCTo/s72-c/sebo+copy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-5286724908390127485</id><published>2011-10-02T19:11:00.000-03:00</published><updated>2011-10-02T19:11:51.121-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='os dias'/><title type='text'>O dia em que tomei champanhe com Adriana Lunardi</title><content type='html'>&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria Math";}@font-face {  font-family: "Cambria";}@font-face {  font-family: "Georgia";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Sempre tive medo de conhecer autores e dividir com eles frases, mesmo que cumprimentos educados, bom dia ou boa noite. Achava que ter contato com um deles fosse demais pra um leitor. Que não se podiam misturar as ficções, que talvez fosse até proibido. Tinha medo que os livros como eu os conhecia morressem no momento em que descobrisse as vozes, tamanhos e gestos das pessoas que os escreveram.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Consta que meu primeiro contato com Adriana Lunardi se deu em 2008, em Paraty, portanto 3 anos antes do dia em que tomei champanhe com ela. É o que atesta a data abaixo da sua assinatura, um A em forma de estrela a tinta fraca de uma caneta preta que naquela tarde marcou o meu exemplar de &lt;i&gt;Vésperas&lt;/i&gt;. No dia em que tomei champanhe com Adriana Lunardi, ela me perguntou se foi simpática comigo aquele dia, e eu não soube dizer. Pensei em forjar alguma lembrança, mas a verdade é que eu jamais poderia mentir para Adriana Lunardi.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Acontece, então, que por uma dessas coisas que desabam na gente, passei a frequentar a casa de Adriana Lunardi uma vez por semana. E diante dela, um mágica ainda maior se operou. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Até o dia em que tomei champanhe com Adriana Lunardi, não entendia como ela podia ser a mesma pessoa de 3 anos antes, e tampouco achava possível que aquela moça magra de mãos pequenas e pousadas sobre um livro de Virginia Woolf fosse a mesma escritora que me assombrava com palavras e frases que só poderiam vir de alguém que não ela. Aquela moça de vestido, e cujas prateleiras amarelas carregavam uma biblioteca onde era possível habitar, aquela moça de voz mansa, de cadência de outono. Eu achava que Adriana Lunardi era duas, que não dava pra existir aquela Adriana que esquentava pães-de-queijo e servia champanhe rosé em taças de vidro dentro da mesma Adriana que inventava aquelas palavras e frases. Que organizar guardanapos era mundano demais pra quem fazia toda aquela literatura. E mesmo comprar flores. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;O dia em que tomei champanhe com Adriana Lunardi foi milagroso porque juntei as duas coisas, porque vi como Adriana Lunardi me olhava com olhinhos brilhando, e como esse brilho abraçava as coisas à sua volta. Eu, que achava não ser possível que Adriana Lunardi desse conta dessa vida tão rotineira de que todos nós nos ocupamos, fiquei maravilhada de entender que ela sim, cuidava do seu mundo e inventava outros tantos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;O dia em que tomei champanhe com Adriana Lunardi ficou marcado no calendário, com caneta especial e estrela no canto da página. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-5286724908390127485?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/5286724908390127485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=5286724908390127485' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5286724908390127485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5286724908390127485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/10/o-dia-em-que-tomei-champanhe-com.html' title='O dia em que tomei champanhe com Adriana Lunardi'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-7544342330742050136</id><published>2011-09-25T23:08:00.001-03:00</published><updated>2011-09-25T23:08:46.487-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aspas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros'/><title type='text'>convite</title><content type='html'>&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria";}@font-face {  font-family: "Georgia";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;“Falar de sentimentos é o mesmo que explicar o sabor do pão pela receita. Nunca dá certo.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Adriana Lunardi in A vendedora de fósforos, página 105, ed. Rocco.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Ihahhy88iCw/Tn_eePbxC3I/AAAAAAAAAvo/OoEIl_leMLY/s1600/Virtual+Adriana+Lunardi.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="220" src="http://3.bp.blogspot.com/-Ihahhy88iCw/Tn_eePbxC3I/AAAAAAAAAvo/OoEIl_leMLY/s320/Virtual+Adriana+Lunardi.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-7544342330742050136?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/7544342330742050136/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=7544342330742050136' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7544342330742050136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7544342330742050136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/09/convite.html' title='convite'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Ihahhy88iCw/Tn_eePbxC3I/AAAAAAAAAvo/OoEIl_leMLY/s72-c/Virtual+Adriana+Lunardi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-600436812833864799</id><published>2011-09-11T23:03:00.000-03:00</published><updated>2011-09-11T23:03:48.166-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dedicado'/><title type='text'>Riocentro</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-iDkGtxtw4Qc/Tm1k7KqoLgI/AAAAAAAAAvk/pX5yKdzGKcU/s1600/anne+rice.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-iDkGtxtw4Qc/Tm1k7KqoLgI/AAAAAAAAAvk/pX5yKdzGKcU/s320/anne+rice.jpg" width="205" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria";}@font-face {  font-family: "Georgia";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;"For Julia, you are a lovely person, and you have made our visit to Rio so pleasurable and so memorable, I cannot thank you enough, Anne Rice, september 2011."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Uma Bienal do livro rende tantas histórias que daqui até a próxima eu poderia fazer um blog só desse assunto. Mas tem aquele problema de que a maioria das coisas só tem graça na hora. A maioria das coisas, de fato, só tem a graça que a gente dá. Entre perguntas como “oi, posso ler um poema pra você?” e “moça, você tem algum livro sobre paraquedistas?”(de uma menina de 8 anos), ainda deu tempo pra um chope com &lt;a href="http://www.travessa.com.br/A_VENDEDORA_DE_FOSFOROS/artigo/326de6ae-3e97-43c6-85cf-2e80bbfebb02"&gt;Adriana Lunardi&lt;/a&gt;, um jantar com &lt;a href="http://www.travessa.com.br/A_PAGINA_ASSOMBRADA_POR_FANTASMAS/artigo/ad7a2ba3-ea7d-446c-b098-271494c004a8"&gt;Antônio Xerxenesky&lt;/a&gt;, um abraço em Thalita Rebouças e um tour por igrejas e pelo Corcovado com &lt;a href="http://www.travessa.com.br/ENTREVISTA_COM_O_VAMPIRO/artigo/84b4e5b1-3545-48c4-99e9-685c25f9eee7"&gt;Anne Rice&lt;/a&gt;. Isso só pra citar &lt;a href="http://www.rocco.com.br/"&gt;os autores da casa&lt;/a&gt;. Eu que tinha medo de conhecer as pessoas dos livros, estou achando que estou no lugar certo. E se não estiver, parece que tenho &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=1Wv23UpBw-o"&gt;um futuro promissor como figurante&lt;/a&gt;. &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-600436812833864799?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/600436812833864799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=600436812833864799' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/600436812833864799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/600436812833864799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/09/riocentro.html' title='Riocentro'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-iDkGtxtw4Qc/Tm1k7KqoLgI/AAAAAAAAAvk/pX5yKdzGKcU/s72-c/anne+rice.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-2500965557243574826</id><published>2011-09-01T12:21:00.001-03:00</published><updated>2011-09-06T21:12:04.396-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela com água'/><title type='text'>Burn down the disco, hang the dj*</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;A minha mais nova obsessão atende pelo enrugado nome de hidroginástica. Mais precisamente, a trilha sonora e a influência da mesma sobre os alunos que às 7 horas da manhã estão fritando na piscina enquanto eu tento não sufocar na raia ao lado, alternando crawl, costas e peito (e lutando contra as infiltrações dos óculos). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Minha cisma começou numa manhã em que “&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=3w8r2txD1RU"&gt;Colombina&lt;/a&gt;”, do Ed Motta, tocou à exaustão, num repeat aquático que nem um ser dotado de barba e tridente seria capaz de contornar. Fosse aluna eu já teria organizado uma reivindicação e exigido um DJ. Por esses motivos difíceis de determinar se feliz ou infelizmente, eu sou só uma aluna da natação que escuta apenas relances das músicas, e que nem para mais tanto pra descansar nas bordas da piscina pela mesma razão. Eu que já tenho implicâncias com pierrots, peguei um eca da música do Ed Motta que estendi minha raiva a essas moças cheias de pompons, e duvido que tudo passe até a próxima quarta-feira de cinzas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Na semana seguinte, preparada para versos como “&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=BE7NMuUuk9Y"&gt;gata de rua faz ron ron / ao luar&lt;/a&gt;” (porque depois de “Colombina” só podia vir mais Ed Motta), dei de ouvidos com uma música clássica remixada. Já é triste o suficiente ter de dançar “I Will survive” remixado em casamentos. Inundar os ouvidos de água clorada e Mozart batidão é algo que só um tarja preta pode resolver no fim do dia. O curioso é que os alunos da hidroginástica pareciam não se abalar. A cabeça sempre pra fora d’água está diretamente relacionada ao fato de eles serem mais felizes que eu na piscina, mas achei que a música pudesse nivelar o nosso sofrimento. Que nada. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Lá estavam eles, na quinta-feira da outra semana, com as mesmas expressões condescendentes enquanto Michael Jackson arrebentava com “&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=yURRmWtbTbo&amp;amp;ob=av2e"&gt;Don’t stop til you get enough&lt;/a&gt;”. Eu não entendi. Ou melhor: comecei a desconfiar que todos eram surdos, e pela média de idade, devem mesmo ser. Contei pra Rita, não sem espanto na voz, que os velhinhos da hidroginástica pouco se importavam com o Michael. O diagnóstico dela foi mais certeiro: insensíveis. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Achei que Pitty remixado (why, god, why?) com “Uh tererê” seria mais que pretexto pra uma revolução submersa. Eu teria, no mínimo, programado incontinência urinária com meus coleguinhas caso me visse afrontada por tal afronto. Mas lá estavam eles. Tão felizes ou indiferentes ou surdos ou insensíveis quanto antes. A essa altura eu comecei a nadar 1500  metros por aula, tão desesperada estava de não escutar mais nada que viesse daquele canto da piscina. Era um bate volta sem fim, eu comecei a engolir água pacas e pensei, quem sabe, em migrar pra natação dos bebês onde ninguém nunca morreria afogado e onde a música era condizente com a turminha. “A baleia / a baleia / é amiga da sereia / olha o que ela faz / olha o que ela faz / tchi bum chuá, tchi bum chuá”. Decidi que se os professores cantassem a música da “Loja do Mestre André” ou a “Galinha Pintadinha”, era o destino me chamando. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Depois de uma quinta-feira bipolar 80s, em que uma sequência que começou com “Louras Geladas”, do RPM, culminou com Legião Urbana em “&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=OR1_dmqAoGY"&gt;Vento no Litoral&lt;/a&gt;”, achei que a piada estava indo longe demais. &lt;b&gt;&lt;i&gt;“Eu deixo a onda me acertar”&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; não é recomendável pra nenhuma atividade dentro da piscina, especialmente quando ela envolve gente da terceira idade. Fiquei tão desnorteada que, sem querer, dei braçadas em toda a galera que dividia a raia comigo, saí da piscina sem conferir se estava tudo dentro do previsto na aula de bebês e prometi só voltar àquele caixote de ladrilhos em caso de surdez aguda. Aí, quem sabe, em vez de me unir aos bebês, vou pra turma feliz em que as cabeças nunca afundam na água.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;*&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=9AlH2oYedfk"&gt;Panic&lt;/a&gt;, The Smiths.&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-2500965557243574826?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/2500965557243574826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=2500965557243574826' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2500965557243574826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2500965557243574826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/09/burn-down-disco-hang-dj.html' title='Burn down the disco, hang the dj*'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-1882255948838427113</id><published>2011-08-28T17:59:00.004-03:00</published><updated>2011-08-28T18:45:28.812-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desafio Pedro Lago'/><title type='text'>You go to my head</title><content type='html'>&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria Math";}@font-face {  font-family: "Cambria";}@font-face {  font-family: "Georgia";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;a href="http://pedrolago.blogspot.com/"&gt;Pedro Lago&lt;/a&gt; me propôs mais um desafio, e eu topei de novo: &lt;/span&gt;Algo sobre a crise de uma cineasta que ama um poeta e um trompetista ao mesmo tempo. (E eu li que era um, em vez de umA cineasta... e quanto ao poeta e ao trompetista ao mesmo tempo, bem, mais uma pequena subversão de minha parte.) &lt;br /&gt;Voilà.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;::&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Um poema por dia. Como num programa de reabilitação. 240 páginas de sonetos, 3360 linhas de palavras escolhidas com esmero, candura, dicionário. Nunca um final. Poemas entreabertos, pontos que poderiam ser reticências. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Eu não pensava ser possível filmar literatura. As ruas já têm assunto demais. Nos becos, nos muros, nos prédios, os meus roteiros tantas vezes escritos com pedras portuguesas, britadeiras, spray ou areia da praia pro final feliz. Sempre gostei do final feliz. Eu era triste demais pra matar alguém, pra fazer alguém sofrer por amor, ainda que fosse ficção. Ainda que fosse prêmio pro ator principal, ainda que fossem as resenhas elogiando a pungência da câmera, ainda que fosse um plano-sequência arrebatador. Meu cinema era de risos. Meus filmes eram de prosas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;E então aquele cara gordo, sempre apressado, descendo do elevador no andar abaixo do meu. Aquele cara cujo nome agora estampava a capa da antologia que habitava sempre qualquer lugar que fosse à minha frente.&amp;nbsp; Um nome gordo também, quase parnasiano. Triste como o meu rosto. Com algumas rugas tomando os cantos dos olhos. Era difícil acreditar que aquele cara era o dono daquele nome e autor daqueles versos. E ainda. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;b&gt;:: &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Sobre como o livro veio parar nas minhas mãos era bem simples. Inspecionando a prateleira de uma livraria, o nome. Gordo e parnasiano, o mesmo da etiqueta da caixa de correio na portaria do prédio. E pronto. No sofá de casa, na primeira página: música. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;::&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Um trompete ardia toda vez que eu abria o livro. A música parecia vir justamente do apartamento do poeta gordo, em sopros que pareciam ser encaminhados diretamente à minha janela. O repertório era de grandes canções americanas, daquelas que todos os cantores pop já gravaram, daquelas que hoje em dia a gente escuta no elevador de grandes prédios comerciais, daquelas que nunca deixam de ser tão bonitas quando sopradas e sopradas e sopradas. Sem letra ou palavra, sem sussurros, sem bateria, baixo ou piano. Porra, cara, daquelas que Chet Baker tocava só pra gente pensar que podia furar o peito sem sangrar, sem morrer. Daquelas que eram melhores que gozo. Os poemas do poeta gordo eram melhores que gozo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;::&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Comecei a ficar obcecado com aquele livro e com todos os outros que consegui comprar do mesmo autor. Era um jorro. Os prazos se encurtando, os produtores telefonando, o roteiro que eu não escrevia. Aos poucos entendi que era a minha primeira grande crise criativa. Estava impotente, invadido por estrofes. Não queria mais escrever filmes, queria ler e ler e ler. E soprar minhas ideias no ouvido de alguém que pudesse fazer delas deslumbramentos do tamanho dos poemas do trompetista do andar de baixo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;::&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Espairecer, andar, ver os rostos nas ruas, inventar que aquela gente que passeia pelas feiras de antiguidade volta pra casa cheia de quinquilharia e felicidade. E então, ali, de novo. O nome gordo e parnasiano na capa de um disco de vinil. Eu nem sequer tinha vitrola. E lá fui, metrô adentro, aquela poeira na sacola. Era óbvio que se escutasse o disco ia ouvir poesia declamada. Era óbvio demais, mesmo. Um livro que toca música, um disco que toca o corpo. Eu estava me apaixonando pelo poeta gordo sem nem mesmo ter trocado com ele um bom dia burocrático no elevador. Eu precisava inventar um filme, não uma paixão gay pelo meu vizinho. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;::&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Expliquei a algumas pessoas que precisava de férias, e tão logo me livre de telefonemas e cobranças, comecei, sozinho, o meu filme. Um poema por dia. Filmar as linhas. As letras tipográficas impressas, as minhas escassas anotações nas margens das páginas, minhas risíveis tentativas de transformar eu-lírico em personagem: nenhum nome poderia. 240 páginas de sonetos. E a minha câmera apontada pra cada conjunto. Parada, contemplativa, ligada o tempo suficiente que cada poema precisava pra ser lido. 3360 linhas, quase rimas. E aquela música subindo. E eu pensando como dar final feliz àquelas páginas quase estáticas, fotografias. Eu não estava mais fazendo cinema. Tinha dias, parecia, que eu fazia um filho. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Dormia e acordava com livro, disco e toda a confusão de melodias, acordes e arranjos que rasgavam páginas. Eu rasgava páginas. Diante do elevador, rasgava páginas e os meus dentes. No andar de baixo, diante da porta, rasgava mentalmente tudo o que me separava do poeta gordo, do tapete da minha sala ao concreto e às vigas do prédio. Se tudo desabasse, se eu conseguisse explicar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;O cara não me convidou pra entrar. 240 dias depois e o cara não me ofereceu nem um copo d’água. Justificou-se com pressa, pegou as caixas que entreguei com pressa, fechou a porta com pressa. Foi com pressa também que interfonou-me, depois de mais exatos 240 dias em que assistiu, um a um, seus poemas filmados. Olhei minhas malas no corredor, enfileiradas, quatro meses de tudo o que eu precisaria enquanto estivesse numa cidade do interior de São Paulo, filmando o meu primeiro longa-metragem cujo final era trágico. A história era quase banal, um caso típico de intoxicação. Um sujeito se apaixona por outro durante um verão de mil dezembros. A intervenção do poeta gordo, porém, parecia dar outro rumo a toda aquela bagagem. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Uma vez na portaria, diante daquele cara volumoso, seus cadernos e seu trompete armazenado numa caixa de couro, pensei se podia realmente amar aquele homem, se podia deixar de ser triste com aquele homem e suas 240 páginas de sonetos e seus standards e versões sopradas de Cole Porter. Eu podia, pensei. Eu podia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-1882255948838427113?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/1882255948838427113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=1882255948838427113' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/1882255948838427113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/1882255948838427113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/08/you-go-to-my-head.html' title='You go to my head'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-7433874082536426109</id><published>2011-08-23T09:46:00.002-03:00</published><updated>2011-08-23T09:46:10.499-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='twitter'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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&lt;![endif]--&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Se todas as esquinas fossem habitadas por encontros, se todas as ressacas fossem como as do mar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-7433874082536426109?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/7433874082536426109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=7433874082536426109' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7433874082536426109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7433874082536426109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/08/normal-0-21-false-false-false.html' title=''/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-5814814025861075773</id><published>2011-08-09T15:33:00.000-03:00</published><updated>2011-08-09T15:33:09.113-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='os dias'/><title type='text'>O dia em que Clarice chegou</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Aquele pôster ficou enrolado dentro do tubo de papelão muito mais tempo do que devia, com outras duas impressões iguais de um mesmo show que eu teria ido duas vezes, e que teria servido a dois encontros, mas esse era o tipo de coisa que não acontecia por aqui. Ocorria faltar paredes, coração e, eventualmente, gente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;O dia em que Clarice chegou foi o mesmo em que o cachorro morreu pela primeira vez, e a partir desse dia toda a dúvida poderia recair sobre ela. Houve quem tentasse me convencer de que não convinha ter Clarice emoldurada na parede do quarto, que era carga demais, e não só literária. Houve quem tentasse me animar com o fato de que ela poderia me inspirar a investir na minha carreira de escritora. Houve quem achasse que eu era escritora. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Houve, também, quem sentasse ao meu lado na cama e ficasse pasmado admirando Clarice. Parecia haver certo repouso ali, uma calma de ver que há muito só praticava quem tinha intimidade com o mar. Era uma calma parecida com aquela que se têm na arrebentação, aquele momento em que ficamos à deriva com as pernas pendendo para os lados da prancha, pouco antes da manobra que nos coloca no centro de onde se deve estar para deslizar, tal qual uma canção meio cafona dos anos 90, o sol abraça o meu corpo, meu coração etc. A calma de quem brinca com as mãos na água salgada, vendo os dedos enrugados e a praia do melhor ângulo, de quem tem o nascer do sol como religião. A calma que se escuta de algumas vozes. Um altar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Ter Clarice ali aliviou a perda diária do cachorro, que insistia em morrer ao menos uma vez num intervalo de 24 horas. Chegar em casa passou a ser um suplício cotidiano. No caminho eu tentava decidir o que fazer se o cachorro morresse de fato. Ele começava a perder os dentes, o que resultava conclusões bem mais simples. Eu fazia todo o barulho possível ao entrar: de chaves, dos pés, da bolsa, da prancha. Eu voltei a surfar no dia seguinte ao que Clarice chegou, porque eu precisava de um conforto improvável pra quando o cachorro realmente morresse, um desses confortos que te roubam os pensamentos por alguns minutos, algumas horas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Eu o chacoalhava entre as almofadas, lágrimas a postos. Clarice parecia indiferente na parede, nem era possível atribuir-lhe a função de velar o sono do cãozinho. Ela escreveria toda uma obra caso se deparasse com mais um bicho morto, eu não saberia nem mesmo inventar uma oração. Eu comecei a inverter a lógica das coisas, e me empenhava em sentir a maior quantidade de felicidade possível toda vez que o cachorro não estava morto. Comecei a entender também que eu não precisava pegar todas as ondas que invariavelmente eu perdia por falta de fôlego, que a mim bastava aquele tempo silencioso de boiar sobre a prancha, olhando a areia, tentando assoviar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Um mês depois do dia em que Clarice chegou eu decidi abrir a garrafa de Seacher’s Gin que veio junto com ela, porque eu estava exausta de todos os dias de sol e de checar de hora em hora os sinais vitais do cão. Adormeci diante de Clarice, depois de contemplação, três garrafinhas de água tônica e meio limão siciliano, e aquela placidez que eu sentia ao sentar na areia, depois de passar uma hora dentro do mar. Acordei no dia seguinte, o cachorro ao pé da cama me chamando pra brincar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-5814814025861075773?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/5814814025861075773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=5814814025861075773' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5814814025861075773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5814814025861075773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/08/o-dia-em-que-clarice-chegou.html' title='O dia em que Clarice chegou'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-4365746698130390685</id><published>2011-07-31T22:52:00.002-03:00</published><updated>2011-07-31T23:02:54.576-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aspas'/><title type='text'>Corrosão</title><content type='html'>&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria Math";}@font-face {  font-family: "Cambria";}@font-face {  font-family: "Georgia";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;(um post com 2 epígrafes) &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Só não dói mais porque não é preciso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Se fosse o caso, a dor era pior. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Paulo Henriques Britto in&lt;/span&gt; &lt;i style="color: black;"&gt;Trovar Claro&lt;/i&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;::&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;porque eu não sei o que é uma nêspera&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;ou como as coisas são sem mim.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Marcello Sorrentino in &lt;i&gt;Um pequeno sistema de incerteza&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;b&gt;::&lt;/b&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Quanto mais você não está aqui mais eu te invento neste lugar onde eu nunca estou: uma casa que não conheço, escadas que não sei onde vão dar, discursos que jamais saberei decifrar, músicas que ficarão quietas, coreografias que não vou saber dançar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Quanto mais eu não consigo chegar até você, mais caminho se abre à frente, mais buracos pelo asfalto, sinais sempre fechados, ausência lancinante em cada esquina em que não estaciono pra te abrir a porta, te ver entrar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Quanto mais você não volta, mais vai embora. Quanto mais teu CEP desconhecido, tuas mãos organizando estantes e coleções de discos que não compartilharemos. Quanto mais correspondência devolvida, mais cortinas nas tuas salas, e mais poesia nos meus braços. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Quanto mais não ver tua cara, mais desbotam as fotos, e invento outras imagens, quase todas desfocadas pra poder te desenhar no meio. Quanto mais a vida sem você, mais eu sozinha. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-4365746698130390685?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/4365746698130390685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=4365746698130390685' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/4365746698130390685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/4365746698130390685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/07/vento.html' title='Corrosão'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-5518589008217746309</id><published>2011-07-17T14:02:00.002-03:00</published><updated>2011-08-28T17:59:52.949-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desafio Pedro Lago'/><title type='text'>O silêncio das línguas cansadas</title><content type='html'>&lt;a href="http://pedrolago.blogspot.com/"&gt;Pedro Lago&lt;/a&gt; me propôs um desafio e eu topei: contar uma história que tratasse do encontro de um jovem leitor de Dostoiévsky com uma mulher mais velha no Jardim Botânico. Substituí o russo por um português e aí está o resultado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;::&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;             &lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria Math";}@font-face {  font-family: "Cambria";}@font-face {  font-family: "Georgia";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Sabe-se pouco a respeito dos encontros, mas que se davam toda terça-feira no banco de madeira perto do orquidário. Foi ali onde ela teve a ideia de enterrar os livros. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Antes que os primeiros quadrados de porcelana brotassem, porém, passaram-se meses em que ela era vista ali sozinha, a olhar fixamente praquele pedaço de chão onde seus sapatos ortopédicos tantas vezes se alongaram ao lado das sandálias de couro dele. Dizem que tinha um ar ao mesmo tempo desolado e econômico: eram escassos os suspiros, os movimentos e mesmo a contemplação foi substituída por uma espécie de nuvem que lhe encobria a visão. A qualquer momento tinha-se a impressão de que poderia chover perto dela. Parecia castigada por uma dor que ninguém adivinhava.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Quando as quinas dos quadrados começaram a perfurar o chão, o rebuliço foi geral. Achava-se que a obra do orquidário poderia ter soterrado antigas fundições. Ou que tesouros da família Imperial tinham sido esquecidos sob o solo, e agora subiam à superfície. Até que nem tanto esotérico assim. Técnicos, autoridades e entidades políticas e espirituais concordaram, unânimes no decreto: aquilo era obra de portugueses. Diante do espanto, decidiram arranca-los pelas raízes e conter, assim, os escândalos e curiosos que se amontoavam para ver os azulejos que floresciam no Jardim Botânico. Um plano de ação foi arquitetado para que se desfizesse tal absurdo, e os jardineiros mais experientes do parque foram requisitados para dar fim ao canteiro. A surpresa maior, porém, ainda estava por vir. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;::&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Conta-se que ela era já uma senhora e que frequentava o local desde o ano anterior. Era discreta em vestes, gestos e palavras, mas emanava alegria. Não uma de carnaval, mas aquela alegria que se evidencia pelas mãos, sempre gentis aos toques, e pelos olhos, ainda ávidos pelos dias, especialmente pelas cores das orquídeas. Seu passeio era religioso. Contornava o roseiral, ia dar no lago de vitórias-régias e aspirava o ar com entusiasmo quando dava o primeiro passo pra dentro do orquidário. Seu prêmio: teria enfrentado tempestades marítimas, teria afundado naus inimigas, teria singrado oceanos povoados das mais monstruosas criaturas para chegar até ali. Morava do outro lado da rua, porém. Sua aposentadoria fora planejada para nutrir o grande amor que tinha por aquelas plantas, e depois de uma existência pontuada por perdas que a esquartejavam por dentro, fez daquele pedaço do Jardim Botânico o seu recanto. Esquecia-se de tudo em companhia das orquídeas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;::&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Um dia ela entrou no parque carregando uma pá, uma sacola que parecia pesada e óculos escuros que escondiam parte do rosto. Poucas pessoas viram quando ela abriu um buraco no chão. As poucas pessoas que viram quando ela abriu um buraco no chão estranharam, mas nenhuma delas se deu conta de que o canteiro de azulejos que brotava era justamente a pequena cova que aquela senhora havia aberto meses antes. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;:: &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Meses antes ela plantou os livros dele, e contou num bilhete a história que é a que se conta até hoje: ela Amália, nome de fado. Ele Gaspar, como um nobre navegante. As orquídeas, bengalas que a mantinham de pé. Os livros de Fernando Pessoa, alicerces dele. Numa terça-feira Amália não foi ver o roseiral, tampouco contornou o lago. Foi direto ao orquidário, e viu aquele sujeito ali, quase inexistente, pela primeira vez. Tão magro e tímido, calçava sandálias de couro, tinha a boca semiaberta e ondas nos olhos. Era jovem, alto, tinha uma ameaça de curva nas costas e parecia ter também todos os sonhos do mundo. Usava um bigode ultrapassado, além de óculos de leitura de molduras levíssimas. E carregava livros. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Sentaram-se no mesmo banco de madeira, ela para descansar, ele para ler. Quando percebeu a curiosidade que se esticava em sua direção, pigarreou, ficou rubro. E leu uma estrofe. Aflito, gaguejou. Ela riu, ele também. E tudo o que se desenrolou após esse primeiro encontro pareceu seguir essa lógica do também. Ela ficou mais feliz, ele também. Ela passou a falar mais, ele também. Ela ria, ele também. Ela qualquer coisa e ele também. Em pouco tempo ele tinha declamado boa parte da obra de Fernando Pessoa. Ao final de cada volume, ele a presenteava com o livro: orelhas, dobras, dedos, todas as marcas daquelas tardes, até mesmo folhas caídas de orquídeas que recolhiam juntos e que manchavam palavras. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Ela montou uma pequena biblioteca na sala de casa, e além das orquídeas, passou a fixar-se também nas lombadas e nas páginas do poeta português. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Um dia, porém, ele não apareceu na hora certa. Noutro dia, porém, ele não apareceu. Ela voltou a ser vista ali, sozinha, olhos fixos na terra do chão, agora sem as marcas dos pés longos e finos dele. Desabituara-se da solidão, e foi ganhando ares tristes, dizem, até, que parecia diminuir de tamanho. Decidiu, então, plantar os livros. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;:: &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Foi um cair de queixo atrás do outro. Ao lançarem as armas que revelaram o que havia sob os azulejos, a estupefação foi ainda maior. Antologias, coletâneas, sonetos, odes, rimas formavam um verdadeiro cemitério de livros, e deles brotavam azulejos. Quadrados brancos que iam furando a terra. Bocas se alargavam até quase esgarçarem os rostos incrédulos. Nenhum dos jornalistas e fotógrafos presentes ousou disparar um flash. A gente aparvalhada que estava ali, aos poucos, deu as costas ao canteiro e saiu andando, muda, aos tropeços. Aturdidos, os jardineiros aguardavam as ordens dos superiores. Incapazes de dar voz aos pensamentos, os superiores enxugaram das testas o suor, deram as costas e saíram escoltados pela polícia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;No dia seguinte não se falou mais no assunto. Não se escreveu uma linha nos jornais sobre os azulejos. Não se escutaram sussurros nem cochichos a respeito de tal episódio. Não se buscou explicação, não se consultaram os astros, não se encomendaram estudos. Quando descobriram o bilhete de Amália preso a um vaso dentro do orquidário, acrescentaram nas placas e nos mapas da instituição os caminhos e setas que levavam ao tal canteiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;:: &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;A placa que contava a história da amizade entre Gaspar e Amália foi instalada numa manhã radiante. Fazia muito que Amália não era vista por ali, de fato, desde o dia em que ela chegou carregada com os livros e a pá ela não tinha mais voltado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Naquele dia, conta-se, surgiram sobre os quadrados de porcelana os primeiros traços de tinta azul. Era primavera, a estação das flores. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-5518589008217746309?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/5518589008217746309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=5518589008217746309' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5518589008217746309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5518589008217746309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/07/o-silencio-das-linguas-cansadas.html' title='O silêncio das línguas cansadas'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-5389182453995464065</id><published>2011-07-13T23:10:00.001-03:00</published><updated>2011-07-13T23:11:20.709-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='twitter'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aspas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o amor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros'/><title type='text'>Twitter</title><content type='html'>&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria Math";}@font-face {  font-family: "Cambria";}@font-face {  font-family: "Georgia";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;             &lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria Math";}@font-face {  font-family: "Cambria";}@font-face {  font-family: "Georgia";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;“Sempre gostei de ter medo”&lt;/span&gt;, disse &lt;a href="http://www.valterhugomae.com/"&gt;valter hugo mãe&lt;/a&gt; bem no começo de uma noite que todo mundo merecia ter de vez em quando. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Há anos tenho uma queda literária por tudo o que vem de Portugal, e a paixão se estende a Angola e Moçambique. Gosto de tudo dessa língua parecida com a nossa, mas tão diferente no trato. Gosto, sobretudo, do uso do imperfeito. Gostava falar como eles, ter a mesma cadência e a nítida impressão de que prosa e poesia podem se confundir. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Gostava também que todo mundo tivesse, de vez em quando, uma noite tão gentil como a que acabei de ter, e que ainda vou saborear. Meus melhores momentos de valter hugo mãe são os que seguem. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Ele contava como foi quando o filho de Clarice Lispector lhe pediu que autografasse um livro: &lt;b&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;“Alguém nascer de Clarice Lispector é quase um desrespeito à raça humana que não pode nascer de Clarice. Ia ser maravilhoso se pudéssemos ter várias mães.”&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Sobre livros e o fazer artístico, ele aponta a insatisfação como força motriz e norte, e sem ela um escritor deixa de escrever, um pintor deixa de pintar: &lt;span style="color: #cc0000;"&gt;“Nenhum livro até agora foi capaz de me calar. Nenhum livro foi suficiente.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;“Maridos há poucos, mulheres há muitas.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Sobre personagens, gosta de livros sobre &lt;span style="color: #cc0000;"&gt;“pessoas que efetivamente poderiam ser encontradas.”&lt;/span&gt; Diz também que ao escrever momentos decisivos ou de grande impacto sobre o personagem, se vê compelido a telefonar para amigos para dizer o quanto os ama, e que chega a sentir inveja dos personagens. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;“Nós adultos temos todas as idades dentro de nós.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Defende a ideia de que deveríamos lidar apenas com pessoas agradáveis, e que deveria haver um esquema de substituição dos que não nos satisfazem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;“Achava os prosadores seres cheios de demasia”&lt;/span&gt;, enquanto que a poesia sempre lhe pareceu essencial. Falando sobre sua pontuação e sobre a escolha de escrever somente com letras minúsculas, destacou a vontade de dar velocidade ao livro. &lt;span style="color: #cc0000;"&gt;“A poesia não perde tempo”&lt;/span&gt;, afirmou. Enquanto a prosa se vale de aspas, travessões e reticências, a poesia se livrou de tudo o que parece supérfluo. Não pensamos com todos esses sinais ortográficos, e sua escrita quer se aproximar do fluxo do pensamento e da oralidade. Execrou o uso de reticências, que para ele são uma tentativa de conferir profundidade a uma frase ou pensamento. Se a frase ou pensamento não forem profundos, as reticências não ajudarão. E se as reticências são formas de interrupção, então que um ponto só seja o final. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;“Os meus livros vem do que eu quero saber.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;“Dizia as coisas para ter coisas, dizia palácios para ter palácios.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;“&lt;i&gt;Pirilampo&lt;/i&gt; é a minha palavra favorita.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;A minha é &lt;i&gt;libélula&lt;/i&gt;.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;mais no &lt;a href="http://twitter.com/#%21/LivTravessa"&gt;twitter da Travessa&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-5389182453995464065?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/5389182453995464065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=5389182453995464065' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5389182453995464065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5389182453995464065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/07/twitter.html' title='Twitter'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-7704816067392904061</id><published>2011-07-11T22:50:00.001-03:00</published><updated>2011-07-11T22:50:39.084-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aspas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria Math";}@font-face {  font-family: "Cambria";}@font-face {  font-family: "Georgia";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Ninguém sabia o que fazer em caso de felicidade. Havia seguro de vida, seguro para veículos e para morte ocorrida dentro de veículos. Mas quem nos protegeria em caso de felicidade?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;David Foenkinos in &lt;a href="http://www.travessa.com.br/EM_CASO_DE_FELICIDADE/artigo/209fbc4b-13ad-4c25-ae5c-7c1fbfbf2b34"&gt;Em caso de felicidade&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-7704816067392904061?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/7704816067392904061/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=7704816067392904061' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7704816067392904061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7704816067392904061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/07/font-face-font-family-font-face-font.html' title=''/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-4907566302394552892</id><published>2011-07-06T22:39:00.003-03:00</published><updated>2011-07-06T22:50:00.826-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='os dias'/><title type='text'>O dia em que jantei com Claire Denis</title><content type='html'>&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria Math";}@font-face {  font-family: "Cambria";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;br /&gt;&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria Math";}@font-face {  font-family: "Cambria";}@font-face {  font-family: "Georgia";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;(para Ana) &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 10pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Todo mundo precisava de um casaquinho no dia em que jantei com Claire Denis. Passávamos pela temporada atípica de inverno no Rio, aqueles poucos dias em que todos nós desejamos o verão de volta, aqueles poucos dias em que relativizamos o conceito de meio-dia em janeiro, aqueles breves instantes em que todo mundo tem um resquício de naftalina na pele e uma jaqueta de couro no figurino. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 10pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Uma semana antes do dia em que jantei com Claire Denis eu não fazia ideia de quem era Claire Denis, ou melhor, não fazia ideia de como era o cinema de Claire Denis. Também não conhecia alguém que viria a me emprestar um dvd de Claire Denis, tampouco imaginava que uma música da Corona viesse a fazer parte da minha lista de Prozac Songs. Uma semana antes do dia em que jantei com Claire Denis, eu não podia imaginar que uma música da Corona coubesse num filme francês inspirado em Melville, e que &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=9OR_jXPum0o"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;essa cena&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; se tornaria pra mim o perfeito sinônimo de &lt;i&gt;dancing with myself&lt;/i&gt;.&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 10pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Eram tempos bons aqueles que precediam o dia em que jantei com Claire Denis. Eu experimentava novidades que me enchiam de alegria, sorria pelos motivos mais prosaicos, fazia test-drives em concessionárias e lidava bem até com piadas de vendedores da Volkswagen. Eu acordava cedo pra tomar um café da manhã consistente e cantava as curvas da estrada de Santos enquanto era a única babaca a obedecer os limites de velocidade do aterro do Flamengo, e até o trânsito era motivo de felicidade: eu chegava atrasada na natação, deixava de nadar 200 metros e me dedicava à discografia completa do Rei. Eu havia me tornado uma daquelas pessoas felizes e completamente irritantes que tanto detesto, mas nem isso me abalava: a vida era boa no dia em que jantei com Claire Denis, o prato thai preparado por um cineasta era ótimo, e uma ou duas conversas que se iniciavam naquela noite eram ainda mais promissoras. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 10pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Mas a vida tem suas surpresas, e no dia em que jantei com Claire Denis eu fui abordada por alguém que não entendeu que eu não estava a fim de elucubrações complexas sobre a vida, a literatura ou a procedência de sotaques. No dia em que jantei com Claire Denis, e em todos os outros dias da minha vida em que nada ou ninguém acontecem, eu não queria conversar sobre bloqueio de escritor, ou sobre seu processo criativo de escritor, ou sobre qualquer outra pauta que envolvesse teorias ou critérios demais sobre o ato de escrever. No dia em que jantei com Claire Denis, eu tentei explicar ao meu interlocutor que eu não tinha qualquer propriedade sobre o assunto, que escrever, pra mim, não era uma Questão que precisasse de maiúscula, que eu nem mesmo iria à Flip e que menos ainda eu sabia porque o valter hugo mãe insiste em só usar minúsculas. No dia em que jantei com a Claire Denis eu estava muito mais interessada em perceber como o efeito físico das emoções arrebatadoras, sejam elas boas ou ruins, causadas por cenas sublimes ou grotescas, são irremediavelmente as mesmas (pernas fracas, revertérios no estômago, levitação). Eu olhava desesperadamente pros lados procurando o Pedro ou o João Manuel, que com sorte entenderiam meu código e iriam me resgatar com a desculpa esfarrapada de consumirmos algo no bar. Até mesmo a Cuba Livre sem gosto que estavam servindo àquela hora me parecia mais atraente do que aquele papo intelectualoide que eu tentava a todo custo evitar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;No dia em que jantei com a Claire Denis lamentei o fato de ter me tornado uma pessoa simpática e comunicativa que não sabe como se desvencilhar de gente mala. Ir ao banheiro teria sido a solução. Eu pensava em como seria boa a explosão de um bueiro naquele momento. Ou um ataque antropofágico. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 10pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;No dia em que jantei com a Claire Denis deixei duas pessoas falando sozinhas, fiz passos de dança excêntricos quando o dj colocou &lt;i&gt;The Rythm of the Night&lt;/i&gt; na pista e não consegui retomar as conversas promissoras que se haviam iniciado antes que eu fosse interrompida pelo tal sujeito. No dia em que jantei com Claire Denis eu não troquei uma palavra com Claire Denis. Voltei pra casa embriagada num taxi com a certeza de que na estrada de Santos eu não vou mais passar. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 10pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-4907566302394552892?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/4907566302394552892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=4907566302394552892' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/4907566302394552892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/4907566302394552892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/07/o-dia-em-que-jantei-com-claire-denis.html' title='O dia em que jantei com Claire Denis'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-3467550889779973594</id><published>2011-06-22T15:27:00.001-03:00</published><updated>2011-06-22T15:28:31.254-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outros sites'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aspas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="color: #a64d79;"&gt;"That's not writing, that's typing."&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Truman Capote, sobre Jack Kerouac.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros insultos literários &lt;a href="http://flavorwire.com/188138/the-30-harshest-author-on-author-insults-in-history#more-188138"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-3467550889779973594?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/3467550889779973594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=3467550889779973594' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/3467550889779973594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/3467550889779973594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/06/thats-not-writing-thats-typing.html' title=''/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-7929991083240341857</id><published>2011-06-20T23:35:00.003-03:00</published><updated>2011-06-26T03:45:20.062-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='as conversas'/><title type='text'>If I can make it there</title><content type='html'>&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "Courier New";}@font-face {  font-family: "Wingdings";}@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }p.MsoListParagraph, li.MsoListParagraph, div.MsoListParagraph { margin: 0cm 0cm 0.0001pt 36pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }p.MsoListParagraphCxSpFirst, li.MsoListParagraphCxSpFirst, div.MsoListParagraphCxSpFirst { margin: 0cm 0cm 0.0001pt 36pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }p.MsoListParagraphCxSpMiddle, li.MsoListParagraphCxSpMiddle, div.MsoListParagraphCxSpMiddle { margin: 0cm 0cm 0.0001pt 36pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }p.MsoListParagraphCxSpLast, li.MsoListParagraphCxSpLast, div.MsoListParagraphCxSpLast { margin: 0cm 0cm 0.0001pt 36pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }ol { margin-bottom: 0cm; }ul { margin-bottom: 0cm; }&lt;/style&gt;     &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpFirst" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Mas o livro dizia o que, afinal?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Dizia o que todos os livros de auto-ajuda dizem, mas esse me fisgou, entende?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Não, não entendo. Sinceramente, não entendo porque nunca li algo do gênero e não acredito que auto-ajuda "fisgue" alguém. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;É, eu sei, eu também sou muito preconceituosa. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Não é questão de preconceito, é incompatibilidade. Quem lê Faulkner não pode ler auto-ajuda. Quem lê Camus não pode acreditar nessas coisas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Sei, sei. Mas quem vê cara não vê coração. E &lt;i&gt;Quem ama não adoece&lt;/i&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;O que?!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;É o título de um dos livros mais vendidos de auto-ajuda. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;E é com esse argumento que você vai tentar me convencer? Títulos?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Os títulos são o primeiro motivo, uma vez rendida a ele o resto vem, pode apostar. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Duvido. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Um exemplo: &lt;i&gt;Quando termina é porque acabou&lt;/i&gt;. Vai contra tudo o que o Lenny Kravitz nos cantou durante anos e anos. E faz muito mais sentido. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Qualquer coisa faz mais sentido que o Lenny Kravitz. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Mas eu juro, você vê o resultado. É tipo um grupo de apoio, mas sem a chatice de ter que conviver com as pessoas, entende?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Não, continuo sem entender patavinas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Ok, eu vou te explicar. Vou te dar um exemplo prático: eu. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Você não é confiável. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Claro que sou. Eu fui a cobaia da minha própria experiência. E além do mais, você anda consultando horóscopos, se apegando a planetas e tal. Fé é indiscutível, você devia saber. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ok, vou te dar uma chance.&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Caiu nas minhas mãos esse livro que diagnosticava os perfis amorosos e apontava os medos e inseguranças e tal. De repente eu me vi ali descrita em frases meio cafonas, sabe? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Depois de anos de análise você foi se apoiar em frases cafonas?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Mas é que ali não tem o peso do consultório, nem&amp;nbsp; o preço da consulta, e nem, enfim. Tanto é que dá certo que eu providenciei dois encontros na mesma semana. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Tomou iniciativa e tudo?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Exatamente. É isso o que um livro de auto-ajuda deve fazer pela gente, certo? Pró-ativismo!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;E como foram os encontros?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Eu faltei a eles. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Você convidou dois sujeitos pra sair e não apareceu em nenhum encontro?! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Um sujeito, dois furos. E eu avisei que não iria. Eu realmente estava vivendo dias atribulados. Priorizei outras coisas e...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;E você quer me convencer de que um livro de auto-ajuda está realmente te ajudando tendo em vista o fato de que nenhum encontro se concretizou. E pelo que eu me lembro, seu problema não era dessa natureza, ele começava sempre depois do segundo ou terceiro encontro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Verdade. Aí é que está a questão. Eu só li dois capítulos do livro. O resto ainda não foi traduzido. Daí que a solução só veio metade, sabe? Eu convidei, mas o segundo passo, o de aparecer, não rola ainda. Fico em pânico! &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Mas por que essa vontade súbita de ter alguém? Você sempre me pareceu uma solteira convicta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Eu era. Mas outro dia enveredei uma conversa sobre relacionamentos com alguém e tentei convence-lo de que eu era mesmo muito complicada e tal. E que por isso não engatava nada sério com ninguém. Aquele velho “o problema não é você, sou eu”. Mas aplicado a mim mesma. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;E...?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E aí que ele argumentou. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Desenvolva. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Ele disse que achava muito fácil gostar de mim e tal. Que não podia acreditar que eu era tão difícil assim. Ele foi enfático o suficiente pra eu me convencer de que sou muito mais simples do que sempre pensei.&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;“Se eu sou algo incompreensível...”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;“Mistério sempre há de pintar por aí.” A culpa é dele. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Se ele soubesse...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E ainda mais, não é muita coincidência eu ter que ler dois capítulos de um livro de auto-ajuda que fala sobre dificuldades de relacionamentos quando eu to justamente disposta a trabalhar isso? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Tanto anos de análise... Tantas conversas sobre atualizar o outro e você esqueceu de atualizar você mesma. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Não fosse o discurso do sujeito eu estaria aqui muito quieta, levando minha encalhada vida adiante, sem nem pensar nisso. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Bem, tecnicamente você continua encalhada. E cá entre nós, eu te falo isso há anos. Foi preciso cruzar um oceano pra se convencer?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Eu sei, eu devia ter te dado ouvidos. Mas já entrei na aula de alemão, pra ler o restante do livro. Daqui a uns 5 ou 6 anos eu devo conseguir entender tudo. É uma boa perspectiva, não acha? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Acho que existem métodos mais eficazes. Tipo aparecer nos próximos encontros que você marcar. Ver que não é tão assustador assim quanto parece sair com a mesma pessoa por duas semanas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Ah mas e a preguiça? Você acha mesmo que as pessoas são tão interessantes assim? Acho que me motivei pelo fato de de repente ter me descoberto muito mais legal do que eu pensava, e menos complicada também, entende? Aí achei que mais gente além das 4 ou 5 pra quem dou atenção irrestrita merecia desfrutar de mim mesma. Mas no meio do caminho mudei de ideia. E fui pra casa gravar um “Auto-ajuda songs” pro Marcelo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Poucas pessoas são de fato mais interessantes que o Marcelo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Raríssimas. E ainda tem a pilha de livros aqui pra ler... &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;i style="color: red;"&gt;Quem mexeu no meu queijo&lt;/i&gt;&lt;span style="color: red;"&gt; feelings? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Que nada. Balzac, Houellebecq, essa francesada. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;E agora?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E agora nada. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Não dá pra re-convidar?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Até daria. Mas depois de ter amarelado, preciso ler alguma outra coisa pra me dar confiança de novo, entende? Hoje na hora do almoço entrei numa livraria duvidosa do Centro da cidade e fui direto pra gôndola de autoajuda. Confesso que me deu uma certa vergonha. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Rá. Eu sabia. Você não frequentaria a auto-ajuda da Travessa, aposto. Muito menos a da Argumento. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;A da Argumento nem pensar, seria um &lt;i&gt;downgrade&lt;/i&gt; na minha imagem. Todo mundo me conhece ali. Não seria mais aceita nem no café. Já pensou? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Alors&lt;/i&gt;,&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;de volta à estaca zero. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Pois é... &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Mas e esse disco do Marcelo, tem o que?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Tudo o que poderia ser classificado como autoajuda se a música tivesse esse gênero. &lt;i&gt;Ain’t no mountain high enough&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Tente outra vez&lt;/i&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;&lt;i&gt;You gotta be&lt;/i&gt;?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;i&gt;Bad, bold, wiser, hard, tough, stronger, cool, calm, stay together&lt;/i&gt;. Imagina tentar ser tudo o que diz essa música? Teria que existir um livro pra cada resolução. A pessoa desiste na terceira palavra e volta pro Lenny Kravitz na hora. Tem Queen também. &lt;i&gt;The show must go on. New York, New York. &lt;/i&gt;Tem música mais autoajuda que&lt;i&gt; New York, New York&lt;/i&gt;?! &lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Não, não tem. Você devia ganhar a vida fazendo coletâneas bizarras pro Marcelo. Devia haver um modo de isso se expandir em escala industrial. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="color: black; text-indent: -18pt;"&gt;-&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu sempre achei. O mundo merecia minhas coletâneas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;-&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Taí, mais um motivo pra você não faltar aos cafés que marcar futuramente. Mas e o disco, fecha com que?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpLast" style="text-indent: -18pt;"&gt;-&lt;span style="font: 7pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;i&gt;All you need is love&lt;/i&gt;... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-7929991083240341857?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/7929991083240341857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=7929991083240341857' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7929991083240341857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7929991083240341857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/06/if-i-can-make-it-there.html' title='If I can make it there'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-7056282073598625891</id><published>2011-06-18T22:06:00.004-03:00</published><updated>2011-06-18T22:21:47.717-03:00</updated><title type='text'>Bukowski</title><content type='html'>&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria Math";}@font-face {  font-family: "Cambria";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Hoje é 2003 enquanto atravesso o túnel Zuzu Angel pra buscar Maíra no meu carro com goteiras. Ela vai reclamar do cheiro de mofo, vai querer fumar pela janela e vai ligar pra mais alguém que também vai estranhar o aroma ambiente. Ela vai pedir desculpas pelo atraso e completar a maquiagem enquanto diz que o problema todo é que o furão escapou da gaiola e ela teve que caça-lo pela casa, o que significou o tempo equivalente a 5 ou 6 músicas de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Mkm3rRs4Qbk"&gt;Burn To Shine&lt;/a&gt; naquela rua pacata do Leblon. Ela aguenta o cheiro do furão mas não suporta o meu pequeno aquário itinerante. Ela tem mesas de MDF no quarto, um livro da Sylvia Plath na cabeceira e 3 namorados. Eu moro na Barra, estou platonicamente apaixonada por um paulista e escuto Ben Harper obsessivamente. Quando o segundo elemento entrar no carro (e ele pode ser Nat ou João) eu vou explicar de novo que sim, aquele veículo alaga e não tem jeito. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nós vamos terminar a noite com os pés pra cima de uma cadeira de madeira do Tio Sam, com cabelos indomados até que vejam condicionador novamente. Maíra vai cambalear pra casa, eu vou trôpega até outro bairro e no dia seguinte, antes do café-da-manhã, vou tomar banho pra amenizar o cheiro do segundo andar daquela casa em Botafogo onde dançamos até quase derrubar o chão, e onde ainda não existe lei que proíbe cigarro em ambientes fechados. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Em 2009 eu paro meu carro prata na rua sem saída pra onde Maíra se mudou. Quando abrir a porta ela vai perguntar porque não estacionei na garagem. Tem coluna em excesso ali, é melhor evitar. Ela vai dizer que não dirige e portanto não pode opinar. Ela substituiu o furão por um peixe que nada em círculos entre bolas de gude na estante da sala. Ela tem 3 computadores no escritório, uma cadeira de balanço na cozinha e 8 namorados, sendo 2 deles internacionais. Eu continuo sendo proprietária de um automóvel cuja vedação contra chuvas não é competente, invento desculpas quando &lt;b&gt;&lt;i&gt;ele&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; me telefona e me chama pra sair e, em vez de nos esbaldarmos em algum outro segundo andar como aquele de Botafogo, eu traduzo pro francês as cartas de amor que ela dita e que serão enviadas para um dos amados transatlânticos. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Essa semana Maíra e eu não conseguimos jantar, tomar café ou falar ao telefone. Ela mora perto da Cobal com um gato (finalmente um animalzinho cordial), ainda usa os anéis que compramos juntas no Saara e tem 1 namorado engraçado. Eu ajudo o cão velhinho a subir na minha cama, dou um rim pra não sair de casa aos sábados e, confesso, minha senha do banco é a data de aniversário &lt;i&gt;&lt;b&gt;dele&lt;/b&gt;.&lt;/i&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No início do século XX, quando conheci Maíra, ela fazia o teatro lotar todas as noites. Tinha cabelos cor de fogo, um cachecol bordado inseparável e já gostava de vodca. Nós nos tornamos amigas numa tarde em que os ponteiros dos relógios empacaram por excesso de gelo que caía do céu. O inverno russo era uma merda, só ela me fazia sair de casa mesmo na pior nevasca. Pouco depois eu fugi para Paris para levar uma vida mais preguiçosa repleta de chocolates-quentes. Maíra rodou o mundo com as turnês de Diaghilev e os balés que escandalizaram a Europa dos anos 20.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Hoje é 2011 e eu escrevo sobre ela usando entre os dedos apetrechos de silicone que prometem evitar o crescimento desses ossos cretinos nas laterais cansadas dos meus pézinhos. Por sorte, nessa vida, escolhemos outras profissões. Não haveria cetim que resistisse aos nossos joanetes reencarnados. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-7056282073598625891?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/7056282073598625891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=7056282073598625891' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7056282073598625891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7056282073598625891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/06/bukowski.html' title='Bukowski'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-1598278325919156794</id><published>2011-06-08T22:49:00.000-03:00</published><updated>2011-06-08T22:49:45.088-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela com água'/><title type='text'>Lanterna dos afogados, o retorno</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;             &lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria Math";}@font-face {  font-family: "Cambria";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;(para ler ao som de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=pof7-R2jgp0"&gt;The Swimming Song – Vetiver&lt;/a&gt;) &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu sou uma pessoa má: eu julgo a indumentária alheia, creio que existem bebês feios, amaldiçoo um ou outro escritor, menosprezo todas as séries do Multishow. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Por outro lado, eu não sou uma pessoa competitiva, de modo que, ao final da aula de natação, quando a professora me informou que eu havia nadado 900 metros, eu não fiquei feliz, impressionada ou desafiada a aumentar a minha marca para 1 kilômetro. Eu continuei esbaforida, achando que aquele esporte servia mais como exercício expiatório de toda e qualquer culpa que eu poderia ter e fiz planos radicais de diminuir meu rendimento para módicos 400 metros. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Freud e todos os outros pensadores devem ter explicações embasadas que justifiquem &lt;a href="http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2007/06/lanterna-dos-afogados.html"&gt;o fato de eu ter voltado à natação&lt;/a&gt;. Os meus motivos são os que seguem. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nadar é resolver seus pecados em tempo de no dia seguinte poder comete-los todos outra vez. Qualquer xingamento a terceiros se dissolve nas primeiras braçadas e pernadas de crawl. E também, convenhamos, depois de 5 quilos adquiridos em embriagantes e calóricas viagens, e de uma esperança que acendeu as luzes da minha agonizante vida afetiva, ter uma barriga e duas pernas socializáveis virou item de urgência na minha agenda. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Além do mais, a minha nova professora de natação tem cara enfezada e bota fé no meu teatro desesperado, logo, ela não vai me empurrar pro nado golfinho ao menos até o final de agosto, que é quando termina o meu plano trimestral que estupidamente adotei. É claro que tal decisão foi tomada depois de uma aula. Pico de endorfina, sentimento de superação. Sair viva e andando da aula de natação é motivo mais que suficiente pra escrever todo um livro de auto-ajuda: você não morreu sufocada, aguntou firme o figurino patético e o olhar de pena da professora. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas vitória mesmo é sobreviver ao professor pró-ativo de hidroginástica. Todas as vezes em que eu alcançava o outro lado da piscina, ali onde dava pra escutar a música do Ed Motta que parecia tocar em looping (“mia, arranha o sol, uuuuuu...), ele tinha na ponta da língua uma frase de incentivo: “no começo é difícil mesmo, depois fica mais fácil.” O que ele nunca entenderia, e eu nem ousaria explicar, é que o “depois” dele tinha uma conotação bem diferente da minha: ele pensava em um mês ou dois, eu pensava em reencarnação. Ele continuava seu discurso otimista, eu pensava em espanca-lo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Na segunda semana de natação, eu implorei pra minha chefe me prender numa reunião interminável, mas eu era muito nova naquele escritório pra participar de qualquer evento desta importância, e lá fui eu, plano infalível, fingir afogamento antes de completar 200 metros e, sob a alegação incontornável do trauma, nunca mais me arriscar numa piscina. &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-1598278325919156794?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/1598278325919156794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=1598278325919156794' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/1598278325919156794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/1598278325919156794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/06/lanterna-dos-afogados-o-retorno.html' title='Lanterna dos afogados, o retorno'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-4769726332374073218</id><published>2011-06-04T21:39:00.003-03:00</published><updated>2011-06-04T21:55:23.379-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='correio'/><title type='text'>Carta a C.M.</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;My dear, &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu e minhas ideias: hoje fui a praia. Hoje é um daqueles dias em que eu poderia ter uma lareira. E eu fui a praia. Daqui do alto nunca dá pra ver o que acontece no litoral, portanto descer à rua é sempre surpreendente, de modo que fui cheia de casacos à clínica de vacinação enquanto todos caminhavam de roupas leves sob o melhor sol que temos por aqui, o de outono. Horas depois eu me defendia do vento, e da areia que subia com ele, com uma revista que ficou pela metade, e com um pedaço de praia dentro. Nem mesmo havia os bravos homens que alugam cadeiras e guarda-sóis (guardas-sóis? Guardas-sol? Meias-calças? Here we go again...) durante todo o verão. Um vendedor de mate parecia com medo das nuvens que surgiam por detrás do Dois-irmãos. Eu me distraí com um poema e quase não percebi. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu poderia me especializar nessa coisa de programas insólitos. Passeios de bicicletas que deixam hematomas por duas semanas. Viagens atrasadas porque eu jurava que o voo era num horário quando era no outro. Dormir uma noite em Nantes porque o avião não pode chegar. Perder sua casa uma vez porque planejei voar na pior tempestade de neve europeia dos últimos cem anos. Perder sua casa uma segunda vez porque a minha conta poupança ainda não dá conta de todos os câmbios, e a minha agenda ainda não dá conta de todos os tempos. Operar o olho e ficar com tudo ao contrário. Ir pra aula de natação pra salvar as costas e quase matar os braços. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu me distraio à beça com todas essas coisas: os dias, dinheiros, meios de transporte verdes, plural da língua portuguesa. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Hoje eu queria ir de novo à última festa em que fomos juntas...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ainda nem te contei do trabalho novo e de tudo o que já ri com ele. Eu sei que a gente muda de ideia sempre, que para e pensa de novo, que volta atrás, que retira o que disse, que, horror!, eventualmente cospe no prato em que comeu, que pede desculpas, que inventa uma lista de hipóteses etc. Mas se eu fizesse um resumo dos últimos três dias, diria que tem amor e fascínio envolvido. Penso que não há possibilidade de ser ruim. Dessa vez eu não quero estar errada a respeito disso. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Hoje é um daqueles dias em que eu poderia ter um namorado. Ando tão feliz que agora me parece que isso seria possível. Acho que tocou essa música no casamento: I’ve had the time of my life. Nosso ano começou com fogos, banquete, uma viagem de trem e o melhor croissant de Yville-sur-Seine. Desde então, parece que todos os dias tem tido ao menos um desses elementos. Me parece que é irreversível, que nem saudade. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Putz grila, essa migração, esse fuso-horário. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Tenho um jantar me esperando, e um encontro com novos amigos e vinhos. Ou dois filmes, um chá alemão (sorte que menta é menta, e verde, em qualquer lugar do mundo) e o meu edredom.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Wish me luck.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;um beijo, &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-4769726332374073218?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/4769726332374073218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=4769726332374073218' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/4769726332374073218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/4769726332374073218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/06/carta-cm.html' title='Carta a C.M.'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-287453056167864468</id><published>2011-05-26T16:31:00.001-03:00</published><updated>2011-07-11T22:50:51.327-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros'/><title type='text'>We few, we happy few, we band of brothers*</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria Math";}@font-face {  font-family: "Cambria";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Como te explicar? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Entrei naquele lugar esperando que ali houvesse somente mais uma livraria charmosa, como quase todas daquela cidade são. Mas desde a fachada percebi que não sairia isenta dali. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Livros abarrotados em prateleiras e mesinhas meio tortas, meio velhas, meio como num cenário de filme onde tudo é de um jeito que até faltam palavras. Não cabem adjetivos. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu entrei ali e fui passando os dedos sobre diversas capas e títulos, enquanto olhava aquele teto antigo, prestes a despencar. Postais, papeizinhos, uma bagunça de coisas penduradas por entre toda a literatura. Não sei quantas pessoas estavam ali, hipnotizadas como eu.&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Subi as escadas guiada por um piano que parecia vir do andar de cima. Percorri os cômodos até encontrar: um sujeito qualquer, que visitava a livraria, assim como eu, assim como a mocinha que aproveitava uma poltrona ao lado, assim como o casal que olhava a vista da janela. Ele tocava uma melodia que poderia ser Mozart, Chopin ou até mesmo uma bobagem qualquer. Ali dentro tudo tinha uma aura diferente, quase religiosa. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Devo ter ficado cerca de 40 minutos em meio a almofadas vermelhas e livros infantis. Naquele canto havia um painel improvisado com bilhetinhos, fotos 3x4, desenhos, cartas, declarações, cartões-postais, ingressos de metrô usados, de gente de todo o mundo. “Thank you. I needed that.”, dizia um tal de Elliot. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Só levantei dali quando o sujeito ao piano foi embora. Durante todo o tempo que permaneci na livraria tirei fotos e chorei um choro fino. A vida era tão boa naquele dia, e não só. Horas antes eu tentara entrar na Notre Dame para agradecer tantas coisas, mas a fila me assustou. Talvez aquele pequeno cantinho dos leitores tenha servido como altar, e saí dali com a sensação de que os deuses haviam me escutado. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O que eu senti, não posso te contar, porque é daquelas coisas que a gente guarda em segredo pra ninguém roubar ou tentar estragar. As pessoas que passaram por mim e me viram ali, com olhos vermelhos e nariz fungando, me sorriram solidárias, compreensivas. É, me desculpa, eu bem que tentei, mas esse capítulo eu não sei como contar.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;* William Shakespeare , &lt;i&gt;Henry V&lt;/i&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-287453056167864468?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/287453056167864468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=287453056167864468' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/287453056167864468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/287453056167864468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/05/we-few-we-happy-few-we-band-of-brothers.html' title='We few, we happy few, we band of brothers*'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-7923091488010999446</id><published>2011-05-24T18:19:00.002-03:00</published><updated>2011-05-24T18:20:49.396-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outros sites'/><title type='text'>Parênteses III</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Enquanto nada acontece por aqui, to dando expediente no &lt;a href="http://www.meupaletovirouestopa.blogspot.com/"&gt;Meu Paletó&lt;/a&gt; - tentando decifrar o mundo dos hipsters, falando de maiôs de 400 euros e me achando loucamente só porque tenho um vestido da Madame Grès (sonhar não custa nada). Além disso tem um bilhetinho pras &lt;i&gt;sneaker-lovers&lt;/i&gt; mais bacanas que conheço lá no blog delas: Vamos de Tenis. Clique &lt;a href="http://vamosdetenis.blogspot.com/2011/05/desejo-vintage-direto-de-berlin.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; se você é um dos 3 leitores que entram neste blog segundo o Google Analytics e dê sua audiência a outras praças (e por favor, me ajude a decifrar porque a letra daqui tá tão pequenina, já fiz de tudo e nada). &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-7923091488010999446?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/7923091488010999446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=7923091488010999446' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7923091488010999446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7923091488010999446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/05/parenteses-iii.html' title='Parênteses III'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-2302256540525008327</id><published>2011-05-24T14:40:00.004-03:00</published><updated>2011-05-24T14:49:50.925-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='textos dos outros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outros sites'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aspas'/><title type='text'>Parênteses II</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A vida está cheia de almas gêmeas, e eu descobri mais uma depois de ler &lt;a href="http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2011/05/23/a-banda-mais-intrigante-da-cidade/"&gt;esse texto&lt;/a&gt; do André Forastieri (&lt;a href="http://sinaisdefumaca.zip.net/"&gt;via Eugene,&lt;/a&gt; o dj que salva vidas). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-2302256540525008327?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/2302256540525008327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=2302256540525008327' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2302256540525008327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2302256540525008327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/05/parenteses-ii.html' title='Parênteses II'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-8299559984159989331</id><published>2011-05-07T20:06:00.002-03:00</published><updated>2011-05-07T20:15:20.856-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='via láctea'/><title type='text'>Ticket to ride</title><content type='html'>&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Jamie Lidell não cantou &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=O7o3AMlnHGw"&gt;minha música preferida&lt;/a&gt; no show de sexta-feira, o que pode estar diretamente ligado &amp;nbsp;ao fato de eu ter perdido o voo para Berlin hoje. Coisas aparentemente desconexas podem ser intimamente relacionadas quando eu sou a pessoa por trás da teoria.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Tento me acalmar enquanto decido se chá é bom, ou só água quente. Parto para a cerveja minutos depois e meus lábios incham e fico rosa e coçando e alien. Aposto que é reação alérgica a um dos novos cremes da dermatologista. Edito a nécessaire e acrescento Polaramine na bolsinha de remédios. Há que se ter disciplina e ócio pra cumprir o roteiro da Dra. Luisa, que subiu para o topo da lista de pessoas que eu espancaria hoje.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Choro e auto-xingamento, é o que se pode ter em dias como esse, além de uma saudade eterna de acentos ortográficos que nem eu mesma vivi. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas triste mesmo eu fiquei quando soube que &lt;a href="http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2009/12/porteiro-da-noite-issue-vol-2.html"&gt;o porteiro da noite, protagonista dos momentos áureos deste blog&lt;/a&gt;, quem diria, pediu demissão...&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-8299559984159989331?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/8299559984159989331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=8299559984159989331' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/8299559984159989331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/8299559984159989331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/05/fresh-tears-leaning-nervous-on-me.html' title='Ticket to ride'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-5356117407550646187</id><published>2011-05-04T16:31:00.001-03:00</published><updated>2011-05-04T17:43:54.405-03:00</updated><title type='text'>Considerações sobre um i-pod</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;(ou: sobre como a Amazon pode ser um braço da CIA)&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu desconfio da tecnologia e das modernidades do meu tempo, e demoro mais que todo mundo pra me adaptar. Acho um horror os celulares em cima das mesas de chope, tenho ojeriza ao BBM que nos rouba as pessoas do mundo real e ando até com dificuldade de acreditar em fotos. Acho incompreensível a horda de gente que percorre o MoMA disparando câmeras de celular dos Matisses sem nem olhar pra tela da pintura, e também não vejo sentido em fotografar incessantemente shows – a música está ali, tem coisa melhor do que dançar ao vivo?&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu sou do tipo que ainda coleciona cds e estou ciente de que corro o risco de ficar ultrapassada. Minha câmera de retratos é analógica e recentemente comprei uma polaroid genérica (Fuji). Não me lembro quem, há pouco tempo, perguntou se eu era de outro século, eu disse que sim. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A contradição fica por conta dos dois i-pods que chamo de meus. Não é culpa minha, ambos foram presentes de mãe e pai, e esse poderia ser o único episódio típico de pais separados em guerra pelo amor de uma filha. A história, porém, é bem diferente, e bem menos emocionante. Diante do fato de ter dois i-pods, eu tive que sucumbir e encarar o mundo de torrents, downloads e afins. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A angústia que o conceito do i-pod me causava era a mesma que a minha câmera digital despertava: pra que tanto? Eu mal terminava de ouvir uma faixa e já passava adiante ao saber que aquele aparelho carregava o equivalente a mais 5,4 dias de músicas. Mal enquadrava uma paisagem e já me sentia compelida a registrar qualquer outra imagem. 500 fotos eram facilmente feitas em um fim-de-semana na Bahia. Era mais tempo olhando a tela da máquina que comendo acarajé. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Depois de muitos meses de luta e adaptação, levantei bandeira branca pro i-pod. Meu método talvez não faça sentido, mas tem funcionado. O i-pod amarelo recebe apenas os downloads novos de determinada semana. Eu não baixo nada inédito até ter escutado tudo aquilo. As músicas e discos aprovados seguem, então, para o i-pod verde, o amarelo ganha novos sons e assim sucessivamente. No fim dá no mesmo, eu continuo angustiada porque a lista de músicas que gosto de ouvir só aumenta. Mas me engano um pouco, e graças a esse esquema já parei de tomar ansiolítico. Como nem tudo é perfeito, acabo comprando pela Amazon alguns discos, pra ter certeza que parte de tudo continuará existindo caso eu seja assaltada. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;De posse de um cabo que conecta o i-pod ao som do carro, a relação melhorou ainda mais. Pela orla, de vidro abaixado, eu começo a amar &lt;i&gt;Os Mutantes&lt;/i&gt; e danço de me acabar com a lista de &lt;i&gt;Prozac Songs&lt;/i&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Até que um dia, percebo: meu i-pod é sensitivo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A explicação é bem simples: eu voltava do Centro, pela praia de Ipanema, e o i-pod estava no modo aleatório. Eu pensava na saga que havia travado com o ingresso.com na madrugada anterior por conta do show de Paul McCartney e de repente escuto os primeiros acordes de &lt;i&gt;Band on The Run&lt;/i&gt;. Por motivos óbvios, pensei na Ritinha, e a próxima música foi uma que descobrimos juntas um dia qualquer em que comíamos cachorro-quente. Espantada, continuei: era pensar nos amigos e em todos que tinham participado efetivamente da minha vida naqueles últimos dias que suas músicas tocavam. Era batata! &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Fiquei obcecada pela teoria que começava a desenvolver mentalmente. Bati de carro e, catatônica, desliguei o i-pod. Jurei que nunca contaria a alguém que meu i-pod adivinha humores, pensamentos e gente. Era inverossímil demais, e certamente deveria haver qualquer justificativa para tudo aquilo, e ela não devia ser astrológica, emocional ou desvairada. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Vida que segue. Até que, numa quarta-feira de manhã, numa semana cheia de emoções fortes, abro um e-mail da Amazon, que gentilmente me sugere comprar 8 cds, 5 dos quais eu havia baixado na semana anterior. Meu queixo caiu. Eu sei, deve haver uma explicação racional envolvendo bits, cookies, número de ip ou coisas que o valham, mas no meu mundo avesso a tecnologias, eu ainda lido com espiões secretos e investigações sigilosas que envolvem negativos e envelopes com fotos, lupas, trench-coats e chapéus Fedora. Eu não hesitaria o palpite de que o e-bay é o próximo site a me investigar, e não levantaria a sobrancelha ao descobrir que o Juveny, que consertou minha Pentax, é o agente secreto de tal missão. Nesse mundo, há que se desconfiar de todos. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Como disse a minha prima, que também crê que estou sendo perseguida: eles estão nos espionando. Espero que gostem de nós. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-5356117407550646187?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/5356117407550646187/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=5356117407550646187' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5356117407550646187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5356117407550646187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/05/consideracoes-sobre-um-i-pod.html' title='Considerações sobre um i-pod'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-8706116298124298390</id><published>2011-04-18T17:05:00.003-03:00</published><updated>2011-07-11T22:52:23.816-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outros sites'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aspas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="background-color: white; color: #674ea7; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;I could just remember how my father used to say that the reason for living was to get ready to stay dead a long time.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;William Faulkner in &lt;i&gt;As I Lay Dying.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-7ujrgK40BSo/TayZW1-l7eI/AAAAAAAAAng/ZZ52voYShsE/s1600/Captura+de+tela+2011-04-18+%25C3%25A0s+17.00.42.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-7ujrgK40BSo/TayZW1-l7eI/AAAAAAAAAng/ZZ52voYShsE/s320/Captura+de+tela+2011-04-18+%25C3%25A0s+17.00.42.png" width="259" /&gt;&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Faulkner e sua máquina de escrever. Outros autores fazendo o mesmo, &lt;a href="http://flavorwire.com/167127/famous-authors-and-their-typewriters"&gt;aqui&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-8706116298124298390?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/8706116298124298390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=8706116298124298390' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/8706116298124298390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/8706116298124298390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/04/i-could-just-remember-how-my-father.html' title=''/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-7ujrgK40BSo/TayZW1-l7eI/AAAAAAAAAng/ZZ52voYShsE/s72-c/Captura+de+tela+2011-04-18+%25C3%25A0s+17.00.42.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-3993633225247815534</id><published>2011-04-17T22:51:00.001-03:00</published><updated>2011-04-18T17:07:40.852-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='textos dos outros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outros sites'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aspas'/><title type='text'>Parênteses</title><content type='html'>&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foi num almoço de fim do dia que uma amiga sorridente mais uma vez concluiu que sexo faz bem pra pele. Do lado de cá dos heterossexuais não praticantes, eu rebati que Hipoglós e produtos Avène também são ótimos, especialmente quando ministrados por uma boa dermatologista. Aí o Antonio Prata escreve &lt;a href="http://antonioprata.folha.blog.uol.com.br/arch2011-04-03_2011-04-09.html#2011_04-06_14_38_55-159487429-0"&gt;esse texto&lt;/a&gt; sobre queda de cabelo e eu começo a desconfiar: somos almas gêmeas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-3993633225247815534?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/3993633225247815534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=3993633225247815534' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/3993633225247815534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/3993633225247815534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/04/parenteses.html' title='Parênteses'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-1004331070887552458</id><published>2011-04-15T21:24:00.001-03:00</published><updated>2011-06-22T10:08:16.252-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bang-bang'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><title type='text'>Ensaio sobre a umidade</title><content type='html'>(trilha sonora sugerida: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=yS_DcqPkEYM&amp;amp;feature=related"&gt;Get me Away From Here I'm dying&lt;/a&gt;, Belle and Sebastian)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Já faz alguns anos desde que me instalei nessa casa que ainda acho que é nova. Sempre morei noutro lugar e não estabeleci uma relação de tempo confortável com nenhum dos endereços. Acho que já estou aqui há tempo suficiente pra ir embora, parece que saí do outro apartamento numa vida anterior, porém quando me acho por lá, não sei. Não chamo mais nenhum dos lugares de lar, faço planos de pintar as paredes e arranjar novas mesas e quadros, mas deixo pra depois porque algo me levou a crer que ambos os CEPs eram temporários. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Divagações à parte, eu pensava neste 102 de agora e em como, um dia que não sei precisar, abri as portas do armário de sapatos e vi uma fina camada esverdeada que cobria tudo. Não chegou a ser uma surpresa. O cheiro dos outros armários denunciava que a umidade por aqui era maior que no resto dos lugares, e isso eu percebia toda vez que me vestia para sair e sentia certo calor na rua. A sensação térmica do meu apartamento e o aroma duvidoso que começava a se impregnar nas roupas deviam ter sido alertas suficientes pra correr para a corretora mais próxima, ligar para o Procon ou, no mínimo, traçar um plano de combate ao mofo, que começava a dar provas de seu caráter implacável. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu ainda não conhecia todos os paradoxos da umidade, e tudo o que sua presença neste apartamento implicaria: restaurações, zelo, nostalgia, desapego, faxina, anti-histamínico. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Numa linha do tempo imaginária, diria que a minha personalidade ficou marcada pelas sucessivas vezes em que abri as portas do armário dos sapatos e, esperança em punho, fui vencida pelos fungos que se apoderavam da minha coleção de sapatilhas. Usasse substantivos para descrever cada fase da minha luta contra o mofo, começaria por ingenuidade. No meio caberia um breve período de êxtase, seguido de meses intermináveis de desespero, e por fim, rendição.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A era da ingenuidade durou pouco, felizmente. O otimismo que veio junto com a pilha de Secar e Pingu adquiridos no supermercado durou o tempo que os potes com cloreto de cálcio demoraram pra absorver a umidade dos armários e quase transbordar: 24 horas. Entendi que teria de pegar em armas mais pesadas e comecei a desprezar os conselhos de gente pacifista que achava que fórmulas como água morna e vinagre poderiam trazer algum tipo de benefício aos meus calçados. Iniciei um período de intensas pesquisas e limpezas, e quando voltei a acreditar que seria possível vencer a praga que começava a se alastrar para as bolsas e jaquetas, me deparei com algo que fez toda a minha crença tombar por terra: os álbuns de fotos começavam a ser tragados pelos fungos. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Boquiaberta (atrás de uma máscara cirúrgica que amenizava a aspiração de ainda mais ácaros e afins), folheei álbum atrás de álbum e comecei a ver sorrisos derretidos, abraços grudentos e afetos estragados. Diversas imagens 10 X 15 se agarravam aos plásticos dos álbuns de retrato e fundiam-se neles para jamais saírem dali, tumbas definitivas para lembranças que eu não queria esquecer. Eu me sentia derrotada. A umidade começava a destruir não apenas as coisas de verdade, mas também um passado organizado, feliz e seco de gente que agora mofava nas minhas prateleiras. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A fase mais radical e prolífera da batalha começou com essa constatação, com a chegada do inverno e de uma máquina que impunha respeito no meu quarto, diagnosticado como o ponto mais úmido da casa. Um desumidificador vinha pra ridicularizar ainda mais qualquer tentativa anterior de salvar meus pertences do aspecto aveludado que o mofo conferia a tudo. Segui rigorosamente as instruções da máquina que anunciava um novo tempo e fui acordada por apitos da mesma, por volta das duas da madrugada: ela atingira sua capacidade máxima de absorção, e me presenteava com cerca de 5 litros de água armazenados em seu compartimento. Esvaziei a máquina e começamos de novo. Às 10 da manhã, mais apitos. Durante uma semana a rotina de despejar a água na varanda se repetiu à exaustão. O sorriso ao abrir as portas dos armários também. O desumidificador era mágico, eu era feliz e me deixei levar por esses dias em que deitei de lado os panos e materiais de limpeza. Naquele inverno comprei uma jaqueta de couro e planejei dominar o mundo: eu ia convencer os moradores da minha rua e de outros focos de mofo da cidade a comprarem a mesma máquina que eu, e juntos iríamos desumidificar nossas casas e produzir água. Comecei a armazenar litros e litros de água e já previa as manchetes dos jornais, anunciando mega obra para construção de dutos que levariam nossas águas para abastecer diversos locais necessitados. Eu seria líder do movimento “água para todos”, cogitava até virar mártir porque certamente a minha empreitada geraria tramoias, crimes e sangue. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Minha derrocada começou justamente aí. Tomada pela megalomania que meu plano exigia, comecei a desencanar dos fungos, das sapatilhas, das fotos e de tudo o mais que estava à minha volta. Ocupei-me de tal forma em reaproveitar a água produzida que esqueci dos cuidados que o meu ambiente pedia. A primavera terminava, eu escrevia cartas para as autoridades, me inscrevia em editais e estava cega à vingança silenciosa que a umidade tramava. O destino não é criativo e a treva se abateu sobre mim da mesma forma que outrora, ao abrir as portas do armário de sapatos. Mas já era tarde, eu subestimara a natureza e comecei a cavar minha sepultura quando, ao me deparar com a camada esverdeada que cobria as sapatilhas, espirrei compulsivamente. A sentença era clara: eu estava alérgica e descalça. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;::&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Uns sugeririam budismo, e teria sido o momento propício de me agarrar à fé, já que tive de me desfazer de metade dos sapatos. A jaqueta de couro, argh, teve o mesmo destino. Eu simplesmente não tinha mais ânimo, coragem ou estômago pra limpar ou salvar minhas roupas. Os paradoxos se estabeleciam. Eu praticava o desapego. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Guardei as energias para as fotos, que limpava com ardor. Tirei todas as impressões de dentro dos álbuns, arejei, sequei, testei todas as técnicas e os conselhos que me foram dados: cânfora, carvão, giz, vinagre, por momentos me julgava ingênua de novo, pobrezinha, tive até pena de mim. Acreditei ter salvado os retratos, respirei aliviada depois de uma sessão de nebulização. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu segurava o telefone com uma das mãos enquanto esperava a secretária do alergista encontrar o melhor horário para mim. Eu tentava alinhar os quadros nas paredes com a mão livre quando um grito de horror se libertou da garganta. As litografias apresentavam os sinais da peste. O mofo arrebentava lacres, vidros e varria tudo: os cds mofavam, os livros, os dicionários, as revistas. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Estabeleci uma rotina de faxinas minuciosas. Pedi demissão. Terças e quintas eu me dedicava aos armários de roupa e sapatos. Segundas e quartas eu limpava fotos, músicas, páginas e páginas de poesia. Inevitavelmente, enveredei pelas rimas pobres onde amor só combinava com dor. Aquele ritual de abrir baús e caixas e se deparar com o passado começou a me assombrar. Os términos de namoro, as amigas que se afastaram, de repente me via discutindo relações remotas com gente que me olhava com desconfiança, porque eu começava a reviver aqueles dias e paixões sepultadas pelo tempo. A umidade me tornou nostálgica de um jeito irreversível. Eu queria seguir adiante, me libertar dos fantasmas, mas eles voltavam duas vezes por semana: verdes, bolorentos, mas ali, imortalizados em sorrisos quase apagados e que por isso mesmo se tornaram inesquecíveis. Fixei na minha mente todos aqueles rostos, encomendei um carregamento de ginko biloba e revistinhas de palavras-cruzadas. Eu só podia contar com a minha memória. Meu coração, tomado pela pieguice e pela lógica que consumia tudo o que morava comigo, começava a mofar também. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;::&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foi um período de contradições e gastos extraordinários. As litografias foram recuperadas e os livros também, embora alguns versos tenham ficado para sempre incompreensíveis. Me desfiz das revistas e dos dicionários, com suas tendências e ortografias superadas. Aproveitei a promoção da Zara e repus alguns dos sapatos. Tentei baixar meu nível de exigência, mas até as Havaianas pareciam contaminar-se do mofo, de modo que continuei comprando sapatilhas. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A umidade alterou meus hábitos, minha saúde, meu mundo material. Ao mesmo tempo em que desenvolvi T.O.C., por motivos mais que óbvios, comecei a me sentir à vontade em ambientes não aprovados pela Vigilância Sanitária. Albergues, motéis, banheiros públicos, não que eu frequentasse qualquer um desses espaços, ganharam meu voto de confiança. Minha alergia galopante consumia caixas e caixas de Allegra D e lenços de papel, e minha congestão ininterrupta me fez parar de fumar, questão de sobrevivência. Minha vida social sofreu abalos profundos. Ocupada que estava em salvar minhas coisas, parei de sair, de telefonar, de ver o mundo. Eventualmente ia à praia, onde me esturricava pra ter certeza que toda e qualquer umidade agarrada à minha pele se evaporaria em questão de uma tarde. Funcionava, eu acho. Nesses dias eu retomava minha juventude, encontrava pessoas, combinava programas, confessava saudades. A reciprocidade, porém, foi diminuindo à medida que todos percebiam minhas obsessões. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quando, um ano depois da restauração das litografias, percebi novamente os sinais dos fungos ultrapassando as molduras e vidros preparados com material anti-mofo, joguei a toalha. E joguei fora fotos, livros, discos e uma sorte de objetos. Eu já não controlava o tempo que envelhecia precocemente tudo, eu estava apática e pálida, cansada. Concluí que essa casa nunca seria minha porque todo o espaço ali estava tomado por essa força capaz de afundar tudo. Numa fúria mais intensa que os estragos provenientes do mofo, joguei o pouco que sobrava pela janela. Chorei por três dias e três noites, liguei o desumidificador, produzi piscinas de água, decretei vitória ao inimigo e enfim, encontrei um CEP seco, livre desta merda chamada umidade: comprei passagem só de ida para Brasília. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-1004331070887552458?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/1004331070887552458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=1004331070887552458' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/1004331070887552458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/1004331070887552458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/04/ensaio-sobre-umidade.html' title='Ensaio sobre a umidade'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-9131886043272463728</id><published>2011-04-11T20:33:00.001-03:00</published><updated>2011-07-11T22:51:24.588-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='os dias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros'/><title type='text'>O dia em que tomei um café com Ondjaki</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;     &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ainda não havia a faixa 8 do novo cd do Marcelo Camelo no dia em que tomei um café com Ondjaki. Provavelmente ela já existia, mas não ainda pra mim, o que me poupava lágrimas à época. Confessasse as minhas intimidades neste texto e eu diria que à época do dia em que tomei um café com Ondjaki eu tinha poucas razões pra chorar. Era março e eu experimentava o auge da minha apatia física e emocional: um mergulho no mar não me redimia do verão e as sinopses que concorriam ao Oscar me faziam bocejar. Eu quase não saía mais de casa, até que cruzei a cidade em direção a Laranjeiras por causa da Daphne. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A Daphne chegara ao Rio poucos dias antes, com uma mudança de 8 malas, uma bicicleta na caixa, um marido, uma Nikon, uma filha de um ano e tantos outros de África. A Daphne me deixou segurar as mãozinhas da filha, que ensaiava seus primeiros passos com o amparo de nós adultos, cuja inércia, quando existente, se dissipa ao ver essas criaturinhas e sua extensa gama de cores. E era isso o que eu fazia quando a Daphne e o Ondjaki, passados anos distantes, se reconheceram num café da Rua General Glicério. Eu estava lenta, concentrada e ignorante da presença do Ondjaki e, mergulhada no encantamento que aquela criança me causava, teria passado reto pelo Machado de Assis caso ele estivesse dando pinta por ali. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas não estava, e a Daphne, entre sorrisos e exclamações, me apresentou ao sujeito à minha frente: um grande amigo de Luanda e um dos maiores escritores de seu país. Uma vez instalados na mesa, os dois se puseram a conversar, eu dei um sorriso concordando que ele devia ser um dos maiores escritores de seu país porque era o máximo que eu podia fazer naquele momento sem ter a mais vaga ideia do tipo de palavras que aquele sujeito poderia juntar pois não tinha prestado atenção ao nome exótico que a Daphne tinha pronunciado. Numa exclamação mais estridente, a Daphne me puxou pra conversa, eu atropelei os elogios que agora ela destinava a mim e comecei a tagarelar sobre escritores angolanos, moçambicanos e portugueses que eu vinha lendo, porque assim disfarçava o rubor que me subia às bochechas. Eu havia citado dois ou três escritores angolanos, moçambicanos ou portugueses que eu vinha lendo e me preparava para anunciar o terceiro ou quarto nome quando a Daphne acrescentou a informação derradeira daquela tarde: seu amigo escrevia sob o pseudônimo de Ondjaki.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Tivesse com o café na boca e eu teria cuspido tudo na surpresa que escapou com um tapa na mesa e mais vermelhidão: não acredito!, verbalizei, e queria dizer que não acreditava ser possível que ele fosse Ondjaki, que existisse de carne e osso, que estivesse à minha frente, que minutos depois pegasse no colo a filha da Daphne, que fazia algo tão corriqueiro quanto tomar um café em Laranjeiras então percebi que, embora não tivesse dito nada disso, minha reação era de fato demodé e eu parecia uma tiete adolescente e imbecil. Senti as bochechas em brasas e, ocupada que estava em parecer uma tiete adolescente e imbecil, deixei de lado todas as perguntas e conversas que eu teria com Ondjaki se fosse uma pessoa normal e comedida. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Se o dia em que eu tomei um café com Ondjaki tivesse ocorrido essa semana eu teria chorado copiosamente como tenho feito cada vez que ouço a faixa 8 do cd do Marcelo Camelo, ou quando tomo o trem para Beacon, ou quando bebo margaritas com outro Marcelo, ou quando penso em toda a neve que caiu no Municipal naquela quinta-feira de Pina Bausch. Não sei se seria reação mais digna, se provocaria fuga ou só mesmo pena.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Fato é que do dia em que tomei um café com o Ondjaki pra cá, alguma coisa aconteceu que desatou um choro que insiste em encontrar mais motivos pra sair. São prantos felizes, agradecidos, até, e que por vezes me deixam catatônica, muda e no limite da levitação, o que me faz desconfiar de que Ondjaki esteja diretamente ligado à raiz de toda a emoção que se apossou de mim, e quando leio a interrogação da linha 24 da página 66 de um de seus livros é que acho que sim. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O dia em que tomei um café com Ondjaki deve ter sido o pontapé inicial pra esses dias em que tenho encontrado tantos transbordamentos e amores que nem sei como dividir, fico aqui imersa nsa lembranças e nos lenços de papel, volume máximo, &lt;i style="background-color: white; color: #674ea7;"&gt;eu que já perdi a hora e o lugar, aceito&lt;/i&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;&lt;span style="color: #674ea7;"&gt;*. &lt;/span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;* Marcelo Camelo, na faixa 8 de seu novo cd, chamada &lt;i&gt;Vermelho&lt;/i&gt;.&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-9131886043272463728?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/9131886043272463728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=9131886043272463728' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/9131886043272463728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/9131886043272463728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/04/o-dia-em-que-tomei-um-cafe-com-ondjaki.html' title='O dia em que tomei um café com Ondjaki'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-7882949626018418011</id><published>2011-04-04T19:31:00.002-03:00</published><updated>2011-04-04T23:17:02.141-03:00</updated><title type='text'>Escolhas</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "ＭＳ 明朝";}@font-face {  font-family: "Cambria";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: Cambria; }.MsoChpDefault { font-family: Cambria; }div.WordSection1 { page: WordSection1; }&lt;/style&gt;       &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black;"&gt;(ou: um post com 3 epígrafes)&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #674ea7;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #674ea7;"&gt;Hanging on in quiet desperation is the English way / The sun is gone, the song is over, thought I’d something more to say. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #674ea7;"&gt;Pink Floyd em &lt;i&gt;Time.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #674ea7;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #674ea7;"&gt;(...) and we feel really shitty that we don’t have the guts to tell you in person. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #674ea7;"&gt;Kurt Cobain, &lt;i&gt;em carta de 1988&lt;/i&gt; onde despede seu então baterista. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #674ea7;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #674ea7;"&gt;A morte começa de muitas maneiras (...). &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #674ea7;"&gt;Michel Laub em &lt;i&gt;Diário da Queda.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;::&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sempre achei que havia, ao menos, duas maneiras de traduzir &lt;i&gt;&lt;span style="color: #674ea7;"&gt;“it’s the end of the world as we know it and I feel fine”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, e incontáveis formas de lidar com a música numa pista de dança, desde que haja fôlego, paixão, boas pernas, uma dose a mais de vodca ou só mesmo desinibição. Domingo de manhã, sóbria como poucas vezes estive na vida, agradeci a invenção de djs, virei pro lado e dormi até as cinco horas da tarde, porque esse era o meu jeito de morrer um pouco aquele dia. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;::&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Dizer que você é fantástica em meio a gargalhadas, dizer que você é fantástica em meio a lençóis, dizer que você é fantástica no meio de um debate de ideias, no meio do choro, no meio da rua, no meio do bloco, no meio dessas confusões de veias, salivas e retinas. Dizer que você é fantástica por escrito a uma distância segura no meio de um temporal, em vez de elogio, constatação ou deslumbramento, é provável que seja só adeus, e precipitado quando nem deu tempo de ficar. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;::&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Morrer segue lógica parecida. O tempo é sempre insuficiente, e morre-se vivo ou morto, por pior que seja essa frase. Jogar-se do sexto andar ou impedir que as pessoas tenham acesso a você. Estatelar-se num baque seco contra o chão ou ignorar o outro e lhe fechar todas as portas que aparecem pelo caminho. Arrebentar ossos no desespero de deixar tudo pra trás. Encerrar conversas, cortar toda a interlocução porque é mais fácil, rápido, quase indolor e condizente com a sua incapacidade. Desligar o telefone, ignorar pedidos de socorro, contar com a sorte de que todo mundo vai entender quando seu egoísmo engolir tudo em volta. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Esconder-se em quartos e casas onde fatalmente as gentes desistirão de insistir, por cansaço, solidão ou conformismo. Mostrar-se pela última vez ao mundo estirada em concreto numa poça de sangue que testemunha alguma esquecerá, não importa quantas vezes dance sem olhar ao redor, não importa quantos bilhetes suicidas tentem justificar, não importa quantas pessoas digam na sua frente que você é fantástica, te abracem e saiam de fininho prometendo voltar, sem bater a porta pra não te acordar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-7882949626018418011?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/7882949626018418011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=7882949626018418011' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7882949626018418011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7882949626018418011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/04/sem-titulo.html' title='Escolhas'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-2021448448422781519</id><published>2011-03-22T23:29:00.002-03:00</published><updated>2011-03-29T00:10:13.350-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aspas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="color: #a64d79;"&gt;A self-portrait&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #a64d79;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #a64d79;"&gt;An eternal dreaming full with the sweetest excess of life&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #a64d79;"&gt;Disquieted,&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #a64d79;"&gt;With uneasy pains within, in the soul.&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #a64d79;"&gt;Blazes, burns, grows for a fight,&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #a64d79;"&gt;heart smite.&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #a64d79;"&gt;Because of and insane astir with stirring desire.&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #a64d79;"&gt;Powerless is the agony of tought, meaningless, to reach toughts.&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #a64d79;"&gt;Were the language of the creator to speak and were there&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #a64d79;"&gt;Demons!&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #a64d79;"&gt;Break the violence!&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #a64d79;"&gt;Your language,&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #a64d79;"&gt;Your signs,&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #a64d79;"&gt;Your Power.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #741b47;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Egon Schiele, 1910. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-2021448448422781519?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/2021448448422781519/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=2021448448422781519' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2021448448422781519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2021448448422781519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/03/self-portrait-eternal-dreaming-full.html' title=''/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-3767212322800028610</id><published>2011-03-22T22:05:00.004-03:00</published><updated>2011-04-05T12:26:26.087-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='via láctea'/><title type='text'>Broadway</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Fiz minhas malas de novo, peguei um trem pra longe e entre hambúrgueres e sopas de tomate resolvi ir além. Trem, pontes e marrecos pelo caminho, lagos que pareciam cercados de trigos, não tinha sequer como fotografar. Subi um caminho que poderia ser uma pintura do Hopper, vi tanto espaço e luz que dancei por entre riscos e cores. Tudo ali pode parar o tempo, e é pra esses lugares que sempre quero voltar: um castelo do século XVIII, uma praia onde se criam tartarugas, um jardim cheio de esculturas, a tela de um pintor. Virei a barra da minha calça jeans, cruzei as pernas, mas a pose funcionaria melhor se fosse você. Entendi que não se pode listar quadros que nos fazem nascer de novo, tampouco contar os blocos que nos separam de uma foto inesquecível. Qualquer cidade nova me faz andar. &lt;i style="color: #b45f06;"&gt;It might just be fantastic, don’t get me wrong&lt;/i&gt;&lt;span style="color: #b45f06;"&gt;*&lt;/span&gt;. Enchi a cara e ainda sinto os efeitos: ando alcoólatra esses dias, tomando apple martinis imaginários que me reviram o estômago como você faria, se pudesse. Guardei tickets, ingressos e ainda algumas poucas atrações para poder voltar, além de uma folha seca pra minha coleção. Apertei tanto os amigos que juntos explodimos e combinamos um dia, talvez, voltarmos a viver na mesma cidade. Combinamos também dias num barco, com sol. Não encontrei vazios ou buracos no skyline, não me escondi do vento, não economizei nos vestidos. Cruzei com tantas pessoas interessantes, teria feito tantos retratos quanto pudessem os negativos, mas depois do segundo dia perdi o foco. Fiz um novo álbum de viagem e voltei pra casa sem nenhum caderno a mais na bolsa. Eu soube ouvir e conversar sobre todas as coisas sem qualquer tropeço. Eu coube com perfeição entre você e as almofadas do teu sofá, e combinei de namorar o Daniel. Eu fiquei meia hora parada em frente a um Klimt e não vou saber explicar. Sempre chego inteira nos destinos e saio deixando pra trás alguma coisa. Dessa vez eu diria que foram as pernas, mas ainda não inventariei meus órgãos vitais pra ter certeza de que estão todos aqui. No trem de volta batia um sol no rosto e o ipod adivinhava tudo. De repente era possível ser estupidamente feliz. Será que se a gente tivesse mais das coisas, conseguiria saciar a saudade delas?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;* Pretenders in &lt;i&gt;Don't get me wrong. &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-3767212322800028610?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/3767212322800028610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=3767212322800028610' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/3767212322800028610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/3767212322800028610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/03/broadway.html' title='Broadway'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-6208005381298929058</id><published>2011-03-10T01:06:00.000-03:00</published><updated>2011-03-10T01:06:57.094-03:00</updated><title type='text'>Noturnos</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:WordDocument&gt;   &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:PunctuationKerning/&gt;   &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;   &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:Compatibility&gt;    &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;    &lt;w:SnapToGridInCell/&gt;    &lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;    &lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;    &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:LatentStyles DefLockedState="false" LatentStyleCount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt; /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;}&lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Para a minha coleção de palavras: cacofonia, desfraldar, pestanejar, negligenciar, mas não adianta, desaprendi a costurar. Penso cenas e pessoas em câmera lenta, penso o silêncio que não sei mais onde, penso os teus dentes ligeiramente trincados e, num estalar de dedos, você. Teu jeito de me ver sem se desculpar por me achar tão linda. Tudo de novo. Roesse as unhas e minhas mãos estariam em frangalhos.&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Eu pergunto se isso que cobre a tua camisa é suor ou chuva e já sei a resposta. Minutos depois estaremos os dois despidos, tuas mãos pelos retalhos das minhas costas, escoliose e os teus calos, todo o nosso folclore reencenado. Penso destemor, cangote, superlativo, seqüestro. Penso em ter alguém com quem ser sensível. Li isso num livro. Demolir, vastidão, anarquia. Derrubar governos: não é isso que fazemos os dois quando juntos e vencidos? Caio num sono de inverno, acordo em outro país. Penso: tumulto. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-6208005381298929058?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/6208005381298929058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=6208005381298929058' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/6208005381298929058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/6208005381298929058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/03/noturnos.html' title='Noturnos'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-764959871314531492</id><published>2011-03-07T23:47:00.003-03:00</published><updated>2011-03-08T00:04:23.557-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='engov'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gastronomia'/><title type='text'>Reminiscências</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;(ou: a evolução da liberdade) &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Praia de Ipanema, fevereiro, 2006 – &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Orgulhosa de uma trança postiça que me serve de fantasia e alheia a toda a areia que entra pelo tênis, arquiteto com o grupo de amigos qual será o próximo bloco daquele dia. É sábado de Carnaval e bem perto de nós, dois ou três gringos bebem cerveja e observam tudo ao redor. Eles são o Franz Ferdinand, nós somos 6 ou 7 bêbados que resolvem se refugiar no meu quarto quando a chuva começa, porque não queremos nos separar, porque somos o epicentro dessa epidemia contagiante que faz qualquer um aprender a sambar, porque embora ainda tenhamos muitos dias de folia pela frente não queremos desperdiçar nenhum segundo. Acabamos de perder a cabeça juntos, dividindo os últimos toddynhos da despensa e os cobertores quentinhos da minha casa. Antes das seis da manhã a Bebel vai tocar o interfone, parte do grupo vai seguir serelepe para o Boitatá. Você e eu, ressacas e vontades semelhantes, vamos dormir até mais tarde, reintegrando a trupe depois do almoço.&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Búzios, fevereiro, 2007 – &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Junto pequenos círculos de diferentes cores de tule com linha e agulha, são os detalhes finais da minha originalíssima fantasia de Colombina. Ela é uma cópia de um modelo da infância que minha irmã combinava com gel de purpurina no cabelo, nos anos 80, sabe-se lá onde. Ao embalo da rede eu alinhavo com calma as rodelas, dou alguns palpites no papo dos amigos cineastas sem poder imaginar que em cerca de uma semana estarei segura e ofegante na estação Carioca após um quase esmagamento em decorrência do Cordão da Bola Preta. Mais um sábado de Carnaval, dessa vez reúno forças para o amanhecer na Praça XV, de onde saio bem depois do meio-dia à procura de Coca-cola, ventilador e relaxante muscular. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Praça XV, fevereiro, 2008 – &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;É domingo de Carnaval e parte da minha saia de Colombina ficou presa num gelo baiano da Gávea no ano anterior quando ia de encontro a um bloco que não existe mais. Não sei como estou de pé, mas algo me diz que é preciso ter fé mesmo sob dilúvio. Estou de volta ao lugar onde a folia é mais feliz, onde executo pulos e coreografias que independem das minhas pernas.&amp;nbsp; Algo, porém, mudou. A cerveja não desce, a capa de chuva não impede que meus óculos se alaguem e meus pés afundam em poças até que começo toda a sentir frio. Entro num taxi com vontade de chorar: cadê meu Carnaval de arremesso de serpentinas, de beijos roubados, de alegrias desmedidas, de estandartes e Sanatórios Gerais? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Praia da Barra, fevereiro, 2009 –&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Mergulho no mar, bóio e quase não noto quando o celular é levado por uma onda. É segunda-feira e eu não vi o Boitatá passar. Não corri risco de vida no meio da multidão suada. Não deixei rastro de confete ao entrar em casa porque a água das mangueiras de Santa Teresa lavou todas as provas de que estive no Céu na Terra daquele ano. Ninguém desconfiou quando afirmei que não fui às touradas em Madri e descobri como sobreviver a mais um mês de Fevereiro.&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Inhotim, fevereiro, 2010 – &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Cansamos de especulações acerca da sexualidade de Zezé e nos refugiamos no meio de obras de arte. É quarta-feira de Cinzas na estrada, um padre e um índio me fizeram perder, um dia antes, a Orquestra Voadora e mais tarde juntos na praça Pio XI preferimos deixar o Último Gole pra trás. Nos recolhemos já foscos, cansados, sem disfarçar suspiros e uma saudade tímida do Empolga às 9h de quatro anos antes. Paramos o carro para esticar as pernas e conferir o mapa. Não sabemos da massa fresca que nos espera pro jantar, tampouco adivinhamos que um quadrado mágico número 5 pode ser mais divertido que entoar marchinhas da década de 30 cercados de gente que ostenta antenas, agora ridículas, na cabeça. Dentro de poucas horas estaremos libertos, convencidos de que podemos viver sem mais um Carnaval e sem toda aquela gente bronzeada e feliz arrastada pelos cordões. Brumadinho é o nosso grito do Ipiranga. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Rua Capitão Salomão, Botafogo, março, 2011 – &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Já não me importa o caráter de Aurora, há tempos que o amor de Pierrot e Colombina parece mais sem sentido que qualquer um dos meus ex-namorados e não suplico mais pra que você não me esqueça ou não desapareça. Bandeira branca, amor. Não posso mais, e ainda assim lá vamos nós. Esvaziamos latas de cerveja sem muita convicção e todas as conversas convergem para aqueles anos dourados onde éramos felizes dentro de narizes de palhaço e metros de poliéster, e onde fazer xixi na rua era condição &lt;i&gt;sine qua non&lt;/i&gt; dum Carnaval de rua sem banheiros. Entre uma melancolia e outra, a vendedora de cerveja informa que estou resistindo bravamente a mais uma festa de Momo sobre o cadáver de um rato cujas tripas estão para fora. Estamos em frente à casa da Matriz, qualquer menção a Ozzy Osbourne seria plenamente justificável, mas um rato morto com as tripas para fora me põe a correr antes mesmo do batuque começar. Em poucos minutos estou com um grupo de amigos desiludidos gastando fortunas num de nossos restaurantes preferidos. Crônica de uma morte anunciada, somos defuntos cabisbaixos querendo passar adiante todas as idéias de fantasias que prometemos nunca mais usar. Caímos de boca na vodca, uma Madonna e um Robert Smith se juntam a nós, e de repente lá estão novamente o padre e índio do ano anterior, ambos mais velhos, com menos alegorias e adereços. Eu vomito todo o risotto de limão siciliano, horas depois, no aconchego do meu banheiro. Minha bota que, mais cedo, supostamente esmagara as tripas de um rato, repousa na varanda até que a terça-feira de Carnaval me acorde. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Recebo mensagens de amigos que ainda não perceberam que estou liquidada, velha ou tanto faz. Por sorte tenho um vôo a pegar. Amanhã, eu sei: luvas e o direito a uma alegria fugaz: todos os quadros do Hopper só pra mim. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-764959871314531492?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/764959871314531492/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=764959871314531492' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/764959871314531492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/764959871314531492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/03/reminiscencias.html' title='Reminiscências'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-1211887268378409061</id><published>2011-03-04T00:15:00.001-03:00</published><updated>2011-03-05T18:42:00.136-03:00</updated><title type='text'>Estação Vivo Gávea</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Acomodados nas poltronas da fila E, distância ideal entre nossa emoção e a tela, ele vai propor um combo de guloseimas, pedirei licença com ar de quem não queria incomodar, voltarei com doces além da conta, que me acudirão quando achar que não poderei mais evitar a explosão de tanta lágrima. Ele vai ficar com os dedos melados de tanto sal, nossas barrigas proeminentes de tanta Coca-cola, nossos peitos comprimidos por tantas indicações ao Oscar. Disfarçaremos a vermelhidão dos olhos atrás das hastes que nos corrigem as miopias, compraremos chicletes pra tirar o gosto, ele me beijará na fila do pagamento do estacionamento. Ele confessará que chorou naquela outra parte também, que sentiu insuficiência de pernas quando levantou junto dos créditos. Eu vou sorrir devagar, dizer que entendo. Ele me perguntará se sinto esse frio na barriga, às vezes. Ou contorções do estômago. Confessarei que as minhas borboletas não habitam meu abdomem, que elas voam pelos meus pulmões.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-1211887268378409061?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/1211887268378409061/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=1211887268378409061' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/1211887268378409061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/1211887268378409061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/03/cinema-leblon.html' title='Estação Vivo Gávea'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-8875906560554853520</id><published>2011-02-15T12:06:00.000-02:00</published><updated>2011-02-15T12:06:46.953-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tirinha'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-gEg9ow70bFA/TVqIR7UFqYI/AAAAAAAAAlE/IdI9kwPlaOg/s1600/tirinha+woody+allen.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="109" src="http://1.bp.blogspot.com/-gEg9ow70bFA/TVqIR7UFqYI/AAAAAAAAAlE/IdI9kwPlaOg/s320/tirinha+woody+allen.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-8875906560554853520?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/8875906560554853520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=8875906560554853520' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/8875906560554853520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/8875906560554853520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/02/blog-post.html' title=''/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-gEg9ow70bFA/TVqIR7UFqYI/AAAAAAAAAlE/IdI9kwPlaOg/s72-c/tirinha+woody+allen.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-1689007144920680212</id><published>2011-02-12T19:59:00.002-02:00</published><updated>2011-02-12T22:22:08.280-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='correio'/><title type='text'>Carta a C.S.</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Bom dia, comunidade! &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;De fato, é noite enquanto te escrevo. Mas já vai tanto implícito na saudação que vale a arbitrariedade. Hoje fiz coisas que você adoraria fazer e portanto não pude mais adiar esses escritos. Ficar pelada pela casa, por exemplo. Fazia tanto calor que não havia alternativa. Ouvir Marina no repeat umas quinze vezes. Gosto tanto de “Acontecimentos” que se o som empacasse nela pra sempre eu não me incomodaria, embora tenha certeza de que três dias depois ia querer ficar surda.&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E engordei a lista de livros que você e Luis acham insana. Também estou começando a achar. Talvez se eu resolvesse esses impasses afetivos e profissionais passaria mais tempo dedicada a outras atividades. Mas agora não dá. Comecei a ler os clássicos e alguns parecem irresistíveis. O foco agora é preencher essas lacunas e com sorte terminar, ainda em 2011, um romance do Eça que, ora pois, é a coisa mais chata do planeta. Como disse alguém outro dia, estou lendo a passos de cágado centenário, e sempre prestes a abandonar e queimar o exemplar em praça pública. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Guardei um Caio F. pra quando chegasse esse momento de desilusão em que começo a achar que nunca mais vou conseguir passar da página 229. Verdade seja dita, não é o Caio F. em pessoa, mas memórias de uma grande amiga dele. Paula Dip. Não é um ótimo nome? Pra minha surpresa, Paula Dip está no Facebook. Ando com essa mania de procurar pessoas na rede, de wikipediar tudo. É uma síndrome esquisita. Quando dei por mim estava vendo as fotos da Paula Dip, um álbum inteirinho só de retratos do Caio. Ele realmente existiu. É uma loucura pensar que escritores existem. Eu já estava na sexta ou sétima linha de uma mensagem pra Paula Dip quando resolvi apagar tudo, achei que seria bem cafona enviar. Chorei potes quando ele morreu no livro. Chorei potes quando concluí que já tinha lido tudo dele que foi publicado, há uns anos atrás. Choro potes toda vez que ele se vai. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Chorar com essa alergia, aliás, tem se mostrado tarefa árdua. São lágrimas e secreções que inundam tudo o que vêem pela frente. Sei que ando meio obcecada com essa questão alérgica, não deve ter graça nenhuma ler sobre o assunto. É que fui atingida em cheio, e tão subitamente que ainda não sei como lidar. Do dia pra noite passei a avaliar remédios de nariz. Afrin, que era tão promissor no começo, provou-se um embuste. E lenços de papel? Eu poderia escrever um tratado sobre eles. Dava meu reino por um carregamento de Softy’s até poucos meses atrás. Hoje em dia eu mataria por um patrocínio da Kleenex. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Gravei pro Marcelo outro dia um cd com esse nome: Kleenex Songs. Estou ficando muito boa nessa coisa de inventar nomes pras trilhas sonoras dele. Se eu te dissesse que fulano tem muita opinião sobre móveis, você poderia vislumbrar algum aspecto da personalidade dessa pessoa? É que Marcelo tem. Opinião sobre móveis. Outro dia disse isso pra ele, que achou graça. Mas é verdade, o que se há de fazer. É bárbaro. Adoraria ter esses achismos. Embora você tenha certeza de que temos opinião sobre tudo, ainda não acho que seja assim. Não é só a aula de ballet do francês (ou o que quer que seja) que fica nesse limbo de coisas indefinidas. Nem só aqueles textos. Eu te daria vários exemplos. Acho que acabo tendo convicções em relações a coisas muito banais. Tipo queijo coalho, sorvetes e afins. Ou presunto. Marcelo, aliás, é uma das raras pessoas que entende a ciência de abominar presunto e de se sentir ofendido quando as pessoas perguntam “mas e presunto de Parma?”. Oras, é a mesma coisa! Marcelo e eu somos cheios de tambéns. Às vezes tenho certeza de que a gente se conhece de outras encarnações. De alguma vida na Grécia Antiga, batendo papo em togas antes de praticar lançamento de disco. Do descobrimento do Brasil, talvez. Provavelmente da Revolução Francesa, antes de nossas cabeças aristocráticas rolarem. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;(Uma lâmpada acaba de despencar do teto e eu tenho certeza que é Caio Fernando Abreu fazendo contato.)&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Uma coisa é certa: eu sou potencialmente mais agradável quando desempregada. Deve haver um jeito de conciliar trabalho com o resto das outras coisas. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Outra conclusão, que veio junto com a sexta-feira: as pessoas realmente adivinham. Quando estão prestes a serem enterradas vivas elas se fazem ressuscitar por mar, por terra ou via Embratel. Tento teorizar e pensar se isso é saudade em sincronia, ou algum tipo de ligação esotérica que meu ceticismo não consegue explicar. Parece muito sacana. Parece que elas percebem a tentativa de assassinato. É um tiro nas costas. Se você tiver algum palpite, Carol, por favor, não hesite. Fiquei um pouco perturbada com isso. Com medo de não conseguir me livrar nunca dessas pessoas, entende? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Se você não me responder vou explodir. Não é uma ameaça, é uma constatação. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu espero acontecimentos, cachorro-quente e tudo o que você tiver pra mim. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Muitos beijos,&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-1689007144920680212?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/1689007144920680212/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=1689007144920680212' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/1689007144920680212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/1689007144920680212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/02/carta-cs.html' title='Carta a C.S.'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-7091255485039345101</id><published>2011-02-10T22:13:00.002-02:00</published><updated>2011-02-10T22:13:34.157-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bang-bang'/><title type='text'>Clínica São Vicente</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:WordDocument&gt;   &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:PunctuationKerning/&gt;   &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;   &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:Compatibility&gt;    &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;    &lt;w:SnapToGridInCell/&gt;    &lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;    &lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;    &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:LatentStyles DefLockedState="false" LatentStyleCount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt; /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;}&lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Fiquei doente ontem pra justificar toda a miséria que se abateu sobre mim na terça-feira. Faxina é uma merda. Etiquetei os cadernos e aquela nossa mania de estar juntos veio à tona, e também todos os espirros possíveis, e tanto mais. O suprimento de Kleenex não foi suficiente. Deve haver alguma poesia em gastar todo o lenço de papel da casa enquanto escrevo pra você. Antes fosse só alergia. &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Joguei uma caixa de ingressos de cinema no lixo. E uma tonelada de músicas. Amoleci quando encontrei um resto de areia e perdi a coragem de me desfazer de tudo. Algumas coisas insistem em ficar. Maresia, retratos, bilhetinhos cheios de garranchos embriagados e aquele sopro de ar que você trazia pra me ver sorrir. Perdi a hora gargalhando com todas as mensagens, perdi a conta com todos os suspiros, perdi alguma coisa de tão grande quando fiquei sozinha que nem sei direito o que te pedir de volta. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Dormi sentada, de duas em duas horas: um puff de Rinosoro 3% em cada narina. Amanheci na emergência e fiquei por lá, derrubada perto dos médicos que insistiam em repouso e muito líquido. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Recebi uma visita, tive alta no fim do dia. Pensei em te ligar pra reclamar do preço abusivo dos sucos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-7091255485039345101?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/7091255485039345101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=7091255485039345101' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7091255485039345101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7091255485039345101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/02/clinica-sao-vicente.html' title='Clínica São Vicente'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-2513711530525460393</id><published>2011-02-06T13:53:00.001-02:00</published><updated>2011-02-06T13:53:34.592-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='as conversas'/><title type='text'>Entreouvido num batizado</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Padre – Você é casada?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Julieta – Não, padre. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Padre – Mas vai se casar? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Julieta – Quem sabe, né Padre?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Padre – Vai sim, minha filha. Encontre seu caminho! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-2513711530525460393?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/2513711530525460393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=2513711530525460393' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2513711530525460393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2513711530525460393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/02/entreouvido-num-batizado.html' title='Entreouvido num batizado'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-6844469794362029849</id><published>2011-02-01T22:59:00.001-02:00</published><updated>2011-02-15T12:39:22.414-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='extratos'/><title type='text'>Previsão do tempo</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;(para Clara) &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Toda vez que chove desse jeito eu queria estar fora do carro, mas é sempre São Conrado e túnel e eu fico cercada de vidros sonhando com aquela enxurrada na cabeça. Toda vez que a gente volta àquela praia e dá um mergulho no mar depois de todo o suor a gente jura que a vida pode ser simples assim. Ainda acredito, também, nas promessas dos xampus, embora cada pote seja uma decepção. Minha mãe outro dia disse que sabão em pó era bom pra quando você quer espirrar e não consegue. Eu cheirei metade da cozinha e nada: sabão em pó, pimenta, shoyu, curry, gengibre, e lembrei de como era bom o cheiro do leite em pó. Lembrei também que a gente sempre espirra quando menos se espera, especialmente quando se tem um moreno bonitão a poucos centímetros de distância. Ou, claro, quando limpa armários. Espirrar nos outros deve ser piada, vingança ou muito amor. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mais amor ainda é quando o guarda-sol não voa na praia, e redenção é não se afogar em meio às ondas e sujeiras do mar do Leblon. Escapar dessas ciladas, encontrar bicicletas para alugar e mais uma sorte de gestos e atos são coisas pelas quais vale à pena se iludir um pouco, nem que seja pra depois xingar alguém ou escrever barbaridades que jamais serão enviadas: está quente demais para medidas drásticas. Quente demais pra querer reviver encontros ou pra se deixar levar por uma conversa mole em meio a chopes. Toda vez que faz esse verão eu queria litros intermináveis de Afrin, hidratante de mãos e todas as demais possibilidades de ficar no ar-condicionado com conforto. A gente continua procurando a locadora de vídeos perdida. Eu sempre faço planos de ir bastante ao cinema, mais pela contravenção de vestir meia fora de temporada que pelos cartazes. Eu sempre acho que no verão os sapatos vão ficar livres dos fungos, e que dois banhos gelados por dia são suficientes. Eu dispenso sacolas plásticas o ano todo e reciclo todos os meus papéis pra poder gastar toda a água do mundo. A gente sempre faz piada de que só falta o eucalipto. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Toda vez que a gente vive um janeiro a gente investe nas sombras, no leque e num plano triunfante pra fugir dos blocos e do cecê da massa. Acreditamos que não chegaremos com vida a abril. Eu sempre penso que emagreço dois ou três quilos. Minha mãe insiste na melancia e orienta sempre ter cuidado com as latinhas que encontrarmos atrás do trio elétrico. Todo o Carnaval tem seu fim e a gente ludibria a ressaca exalando fator de proteção no baixo bebê.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu sempre cogito: e se esfriasse de repente?! &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Toda vez que tem esse bafo sobre as nossas cabeças, é batata: a previsão é de pancadas de chuva em todo o estado.Só basta acreditar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-6844469794362029849?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/6844469794362029849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=6844469794362029849' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/6844469794362029849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/6844469794362029849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/02/previsao-do-tempo.html' title='Previsão do tempo'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-6898872811495098503</id><published>2011-01-14T23:27:00.002-02:00</published><updated>2011-07-11T22:53:23.870-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aspas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros'/><title type='text'>entrevista</title><content type='html'>&lt;b&gt;Is there any artist you regret failing to snap up before they became famous?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Vermeer, Velazquez, Van Gogh. And that's just the Vs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Do you feel responsible for the British art scene as we know it?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;No.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Is ego a part of that?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;I don't seem to have given you the answer you wanted above. Sorry.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Charles Saatchi in "My name is Charles Saatchi and I'm an artoholic", ed. Phaidon.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-6898872811495098503?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/6898872811495098503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=6898872811495098503' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/6898872811495098503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/6898872811495098503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/01/is-there-any-artist-you-regret-failing.html' title='entrevista'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-4212429089404179648</id><published>2011-01-12T17:53:00.004-02:00</published><updated>2011-02-01T23:16:44.477-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vamos fazer um filme?'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gastronomia'/><title type='text'>Waffles com mel - cena 2</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;O café está cheio, pelos ruídos da porta já se pode afirmar. Esperamos menos que cinco minutos, vemos sair tantas pessoas sozinhas que consomem com rapidez seus goles, deixam sobre as mesas as moedas, disfarçam a melancolia em pressa. Ela não. É uma dessas que, como nós dois, dedica o fim da tarde de domingo àquele lugar. Em meio a revistas, jornais e gestos vagarosos, tudo nela parece um espreguiçar do tempo: cabelos grisalhos, mania de rabiscar, um jeito de sentar meio de lado, precisão de movimentos que muitas vezes ficam suspensos, uma mania de levar a colher a boca erguendo com exagero o cotovelo, quase um ballet.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Desde a primeira vez que a vimos eu achei que a conhecia de algum lugar, você disse que ela se parecia com aquela atriz e eu concordei. Inauguramos uma época em que a senhora grisalha era centro das nossas atenções. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Fazíamos nossos pedidos habituais e começávamos a inventar mundos inteiros pra ela. Difícil adivinhar onde pousava sua atenção, parecia mirar um ponto sem jamais fixá-lo. Parecia cansada de todas as bobagens compreendidas em diálogos. Parecia cheia de profundezas indecifráveis. Escrevíamos pequenos roteiros e dramas onde sempre havia um filho complicado, um amor perdido ou esquizofrenia. Eu sempre torcia pra que ela fosse a vilã da história, você acabava dando um jeito de absolve-la no final. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ela permanecia ali por horas, imperturbável. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Aquela senhora virou personagem de diversas histórias sem final feliz que inventávamos entre uma entrada e um bolo desde que nos tornamos fiéis aos waffles dali. Lançávamos olhares curiosos por sobre a mesa daquela senhora, encontrávamos às vezes desenhos e esboços que eram tragicamente amassados pela garçonete sem que pudéssemos desvendá-los antes, caminhávamos em direção ao banheiro na tentativa de decifrar o que ela lia, por quais notícias se interessava. Alheia, ela nunca dava pistas. Ensaiamos alguns métodos de aproximação, perguntamos as horas, tentamos atrair sua atenção de diversas formas e nada, nunca conseguimos captar o olhar dela por mais de dois segundos. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Frustramo-nos, e por acasos da vida, mudamos o dia do café para quinta-feira. A senhora grisalha, porém, continuou a ser o centro de nossas especulações, especialmente naquela semana em que, contrariando as agendas, tornamos a encontrá-la, na última segunda-feira daquele ano. Ela nos assombrava. Só a notamos depois de muitas conversas e de listarmos nossas resoluções para o ano-novo, uma das quais era esquecê-la por completo. Ela estava sentada perto de uma família ruidosa. Rancorosos, engatamos um papo qualquer que nos fizesse abstrair a criatura grisalha, e nos agitamos nas cadeiras quando ela passou distraída por nós dois, depois de devorar um pote de creme chantilly. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A mesa ficava a caminho do banheiro, e com a desculpa da alergia, surrupiei um papel cheio de desenhos, antes que alguém viesse e o jogasse no lixo. Em meio a manchas de café, gotas d’água e o meu espanto, a senhora grisalha desenhara em tinta azul a tua gargalhada. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foi a última vez que a vimos por ali. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-4212429089404179648?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/4212429089404179648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=4212429089404179648' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/4212429089404179648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/4212429089404179648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2011/01/waffles-com-mel-cena-2.html' title='Waffles com mel - cena 2'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-5900566849113469552</id><published>2010-12-25T10:49:00.003-02:00</published><updated>2011-02-15T12:36:03.920-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela com neve'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='via láctea'/><title type='text'>Neve, Paris, Rue de Rennes e outras obs.</title><content type='html'>&lt;style&gt; &lt;/style&gt;&lt;br /&gt;&lt;style&gt; &lt;/style&gt;&lt;br /&gt;&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "Times New Roman";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: "Times New Roman"; }table.MsoNormalTable { font-size: 10pt; font-family: "Times New Roman"; }div.Section1 { page: Section1; }&lt;/style&gt;    &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;(voume 1 &lt;a href="http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/12/neve-nantes-o-surfista-hungaro-e-outras.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;) &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;À frente dos ônibus e sob olhares incrédulos, abandonamos o barco. Não hasteamos bandeira, mas a ocasião era épica o suficiente. Tomás, Lilia, Jerome e eu agora só podíamos contar uns com os outros. Não tínhamos mais qualquer apoio ou informação dos funcionários da Air France, o que, a bem da verdade, não fazia qualquer diferença nesse momento. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Uma vez traçado o plano, nos apresentamos formalmente. Eu não descobri tanto da minha pequena infantaria quanto do surfista húngaro que mora na Tijuca. De fato, pouco ficou de cada um: Jerome é um francês de Fontainebleau que casou-se com uma brasileira. Chegou ao Rio em 1997, abriu um escritório de design, divorciou-se, casou-se de novo e agora já contabiliza 10 funcionários em seu negócio. Gosta de aipim, mora em Botafogo e usa o metrô para o trabalho. Tem cabelo liso e castanho, mas não o reconheceria nem mesmo se ele estivesse exposto numa vitrine do Louvre. Tomás tem 24 anos, sua mãe é psicóloga e aparentemente me conhece pois teceu comentários a meu respeito ainda no aeroporto do Rio, sua mãe certamente foi casada com um francês, com quem teve Tomás e que nos avisou sobre a possibilidade das estradas estarem caóticas. Tomás passou um perrengue de ônibus na Colômbia, este é o adendo mais pessoal que posso informar a respeito do líder. Lilia ainda é um mistério: seu marido passa uma temporada em Paris a trabalho, mais precisamente em La Défense. Lilia não fala francês. Aprendeu Espanhol durante uma temporada em que o marido passou em Buenos Aires, a trabalho. Depois de Paris, Lilia vai encarar a Austrália. Além de andante, Lilia é baixinha e vestia preto da cabeça aos pés, e não arrisco mais palpites. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Não, essas coisas todas não foram ditas na apresentação. Foram descobertas ao longo do caminho que nos levou à gare de Nantes, onde também descobrimos coisas sobre um norueguês que mora no Rio há 13 anos e que ainda não tinha entrado na quadrilha. Ele foi nosso quinto elemento no trajeto de ônibus. Nos contou sobre seu barco, sobre sua mulher brasileira, sobre a Petrobras e o Pré-Sal. Eu não teria tanta criatividade pra imaginar um diálogo sobre o Pré-Sal em Nantes com um norueguês. O surfista húngaro que mora na Tijuca já havia contribuído de forma significativa pro inusitado da história. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Nos despedimos do norueguês ao avistarmos a Gare. Em menos de cinco minutos possuíamos bilhetes de um TGV que nos levaria à Gare de Montparnasse, em Paris. A essa altura eu já sabia que o Charles de Gaulle e Heathrow continuavam fechados, e acreditava que tudo se resolveria uma vez que: eu chegasse a Montparnasse, pegasse um taxi, adentrasse o 83 da Rue de Rennes, tomasse um banho, gargalhasse por uma noite e no dia seguinte entrasse no Eurostar com destino a London London, a Camden, a Kensington e à Guinness. Bollocks. O Eurostar não funcionava há dois dias. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Eu fiquei pensando se as pessoas que moram na Sibéria enfrentam esse tipo de coisa. Será que elas estocam provisões e não saem de casa até que passe o inverno? E em Moscow? E em Seattle? E em todo o resto do mundo onde a neve cai em dezembro? Será que essas pessoas tem uma Nantes para chamarem de suas? “Desolée” fazia sentido e me descrevia com exatidão. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Nos separamos no trem, somente Jerome e eu ficamos no mesmo carro, o que explica o fato de eu saber mais coisas a respeito da vida dele. Mas a conversa não foi pra frente: Jerome disse que eu parecia a filha do Chico Buarque e eu achei melhor fingir que estava dormindo. Nos meus sonhos, Tomás, Lilia, Jerome e eu nos abraçávamos emocionados ao chegar à Gare Montparnasse, trocávamos e-mails e promessas de um bom croissant matinal na Rive Gauche e nunca mais nos víamos, na melhor das hipóteses nos adicionávamos no Facebook. Bollocks de novo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Um trem nunca foi tão revolucionário quanto naquele momento: em duas horas e meia estávamos em Paris. Em Montparnasse. Em duas horas e quarenta e cinco minutos eu estava no 83 da Rue de Rennes. Em três horas e meia eu estava na H&amp;amp;M da Rue de Rennes. 5 dias depois, eu continuo na Rue de Rennes. Chegar a Londres mostrou-se inviável, primeiro por causa do aeroporto, segundo por causa do Eurostar, terceiro por incompatibilidade de agendas. Foto segurando a Tour Eiffel em Trocadéro também se provou complicado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Eu ando por aqui entrando em cafés a cada quarteirão, não porque procuro discos voadores, a Lilia ou o surfista húngaro que mora na Tijuca. Cada pausa nos cafés é pra que as mãos voltem a funcionar. Neva em Paris. Os telhados e carros estão cobertos por camadas brancas de gelo. Os jardins do Palais Royal continuam em obra, já faz mais de um ano e meio. O metrô continua cheio, fétido e assustador, porém apaixonante. Paris deve ser um deslumbre até cinza, infelizmente não disponho de habilidade pra tirar os dedos de dentro da luva e bater fotos ao mesmo tempo que seguro guarda-chuva e acerto o foco, tampouco disponho de coragem pra flanar pelas ruas, desde que cheguei aqui ainda não vi o Sena. Substituí a Guinness por vinho, Kensington pela Rive Gauche, só Camden ainda não parece resolvido. Cissa parece um pouco inconformada. Eu também. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;No fim das contas, na manhã de Natal, o sol apareceu. Apresso o fim desse capítulo para correr até a margem, tirar boina, cachecol, luvas e acionar o timer da câmera. É a quinta vez que estou aqui e não tenho sequer uma foto com a Notre Dame ao fundo. Tem uma música também do Morrissey que não me sai da cabeça:&lt;span style="color: #e06666;"&gt; &lt;i&gt;I’m throwing my arms around Paris&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;. C’est La vie! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-5900566849113469552?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/5900566849113469552/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=5900566849113469552' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5900566849113469552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5900566849113469552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/12/neve-paris-rue-de-rennes-e-outras-obs.html' title='Neve, Paris, Rue de Rennes e outras obs.'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-6565421130199291022</id><published>2010-12-23T18:05:00.004-02:00</published><updated>2011-02-15T12:35:53.486-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela com neve'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='via láctea'/><title type='text'>Neve, Nantes, o surfista hungaro e outras obs</title><content type='html'>&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "Times New Roman";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: "Times New Roman"; }table.MsoNormalTable { font-size: 10pt; font-family: "Times New Roman"; }div.Section1 { page: Section1; }&lt;/style&gt;    &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;À minha frente a pequena tela da TV individual oferecida pela Air France exibia o itinerário do vôo, a temperatura externa, a previsão de chegada ao destino, o restante a ser percorrido: 45 minutos. Todos nós, ligeiramente amassados, nos inquietamos um pouco em nossas insuficientes cadeiras da classe econômica. Meu vizinho, que passara o vôo todo dormindo sem nem sequer levantar para fazer xixi, pareceu despertar com a ansiedade de pousar em Paris e seguir até a China, seu país natal. Os brasileiros sentados na fila detrás estavam maravilhados com a possibilidade de ficarem horas no Trocadéro até que a foto saísse perfeita: mãe amparando a Tour Eiffel de um lado, filha do outro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Eu sonhava com o todo o curry que Londres me reservava. Com Kebabs. Com Camdem Town e todas as camisetas que eu compraria. Com o momento mágico em que eu sairia à superfície e veria as luzes de Picadilly Circus. Com Kensington: eu sonhava com Kensington e com um pint de Guinness. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Eis que então o comandante anuncia que a neve nos impedia de seguir adiante, e que faríamos um pouso em Nantes para aguardar as novidades do Charles de Gaulle. Meu vizinho só entendeu quando o comunicado foi traduzido pro inglês, sorriu amarelo pra mim e aproveitou pra cochilar mais um pouco. Uma vez que o avião estava em terra firme e que comissários e comissárias não sabiam nada além de que a temperatura externa era de 12 graus, resolvi eu também dormir. E dormimos todos, por horas e horas até que o comandante anunciou que o Charles de Gaulle estava pronto para nos receber e que seguiríamos viagem. Comecei a ficar tensa aí: Nantes e a neve me fariam perder a conexão pra Londres. Eu podia vislumbrar minha mala rodando sozinha na esteira de Heathrow. A Cissa telefonando pro aeroporto pra saber se o vôo estava dentro do horário previsto.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Oh God. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Eu nunca cheguei a Londres. Durante as quase 48 horas que demoraram pra que eu chegasse a Paris, três versos do Morrissey ficaram ecoando na minha cabeça: “&lt;i&gt;&lt;span style="color: #e06666;"&gt;and still we say / come back, come back to Camden / and I’ll be good&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;”. Eu dizia calma, estou indo. Mas não estava. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Saímos do avião, buscamos as malas na esteira em Nantes, entramos num ônibus que nos levou a um hotel próximo ao aeroporto. Sim, viramos primeira pessoa do plural quando o comandante, logo após termos apertado os cintos para a decolagem, anunciou que estava “desolé” e que não poderíamos ir a Paris. Os franceses adoram dizer que estão desolés. Acho que é parte da cultura deles, algo como “vamos tomar um chope um dia desses?” &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E foi no ônibus que o surfista húngaro entrou na história. Ele perguntou se eu falava inglês e começou uma conversa de amenidades que logo ficou bastante chata, mas àquela altura eu já tinha fugido de uma brasileira chatérrima, do meu vizinho chinês e não podia me dar ao luxo de desperdiçar companhia. O surfista húngaro era louro e parecia saído do Surf Adventures, ou do catálogo da Redley, ou sei, lá, da Califórnia, menos da Hungria. No trajeto do aeroporto até o hotel, uma parte da vida do surfista híngaro se revelou: casara-se com uma brasileira que trabalha no Leblon, na Oi, sabe? Dividia seu tempo entre surfe e kitesurfe, na Barra, perto do Pepe, eventualmente no posto 4, porém lá as pessoas não eram tão bacanas. Morara 4 anos em Dublin, para onde retornava agora pra um curto período de férias e natal, e antes disso vivera em Estocolmo. Habitava, agora, a Tijuca, porém anunciou que se mudaria para o Recreio com a mulher. Eu mal tive tempo de desejar boa sorte à mulher no trânsito e o surfista húngaro que mora na Tijuca começou a contar que vai começar a trabalhar na H Stern e que portanto terá menos tempo para surfar e kitesurfar. Não me atrevi a pensar que ele era chato, não nesse momento. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Dia seguinte, café da manhã às 4h, partida pro aeroporto em comboio às 4h30. Na fila do check in o surfista húngaro que mora na Tijuca veio perguntar se eu havia dormido bem, eu disse que sim, me arrependi de te-lo julgado mal e encarei uma hora e meia na fila. Passei pelo raio-x e vi um tumulto no portão de embarque. Ao pedir informação pro mocinho da Air France, o mesmo orientou que eu buscasse minha mala. Eu disse que acabara de deixar a mala no check in, ele disse que eu pegasse a mala e eu achei que não estava mais entendendo a língua local quando ele informou que o vôo havia sido cancelado, e eu perguntei de novo?? E ele disse “desolé” e era mais do que nítido que ele não estava desolé, &lt;i&gt;en fait&lt;/i&gt;, ele não poderia se importar menos com o fato de que Camden, Kensington e Guinness ficavam vez mais distantes. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Pegamos as malas de novo, eu, o vizinho chinês, a brasileira chatérrima, o surfista húngaro que mora na Tijuca e dessa vez fomos informados que a Air France nos levaria de ônibus para o aeroporto de Paris. A previsão era de seis horas de viagem. Todos nos aglomerávamos em frente aos ônibus que esperavam do lado de fora, pessoas acenavam tickets para os motoristas, malas eram forçadas para dentro dos bagageiros e nessa hora tudo parecia um filme onde as pessoas precisavam fugir da guerra e só restavam aqueles ônibus. Até o surfista húngaro que mora na Tijuca virou um bárbaro (ou um viking?) e deu as costas a mim e a todos, garantindo o lugar da sua mala sem se importar com os exilados à sua volta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Uma vez instalados no ônibus, prontos para a partida, eis que um novo e salvador personagem entra na história. Tomás anuncia que está “desolé” e que não partirá no ônibus conosco, que seu pai informara de Paris que as estradas estavam cheias de neve e que a viagem demoraria no mínimo 9 horas, e que Tomás, que realmente devia estar desolé e não fez uso da palavra à toa, pegasse um trem imediatamente. Um burburinho se forma ao redor de Tomás e eu vou atrás averiguar. Em 10 minutos ficamos reduzidos a um grupo de quatro: e assim, liderados por Tomás, Lilia, Jerome e eu desertamos. &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;(a seguir cenas do proximo capitulo: Neve, Nantes, Rue de Rennes e outras obs) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-6565421130199291022?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/6565421130199291022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=6565421130199291022' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/6565421130199291022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/6565421130199291022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/12/neve-nantes-o-surfista-hungaro-e-outras.html' title='Neve, Nantes, o surfista hungaro e outras obs'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-6828222843713592570</id><published>2010-12-15T22:59:00.003-02:00</published><updated>2010-12-15T23:00:41.183-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o amor'/><title type='text'>Diálogos com um sobrinho - vol. 2</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu achei que teria várias conversas com você, neném, que te contaria desde os primeiros minutos muito sobre a sua mãe, sobre seus avós, sobre como era a praia quando tinha tatuís, sobre as músicas trágicas da infância, sobre ter uma fraldinha preferida que dura até quase os 10 anos. Eu achei que engataria com você um falatório desenfreado em que te mostraria os nomes das cores, as formas dos círculos e que te chacoalharia uma sorte de bichinhos em meio a uma explicação sobre as qualidades de cada um. Eu achei que te leria histórias do meu tempo de criança, mesmo que você ainda não entendesse nada. Achei que teceria com você diálogos e monólogos pra lá de divertidos, cheios de risinhos e interpretações, e que com o passar dos anos você ia pedir sempre pra eu imitar fulano ou beltrano. Achei que eu ia caprichar nas vozes e trejeitos, melhorar o vocabulário e pesquisar novas palavras pra te segurar todas as atenções. Eu não contava, neném, que diante de tanta bochecha e milagre eu ia ficar assim completamente débil, entregue e babona. Um dia eu quero que você saiba como é esse amor grande e impensável. Quando você souber como sentir, não vai querer outra vida. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-6828222843713592570?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/6828222843713592570/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=6828222843713592570' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/6828222843713592570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/6828222843713592570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/12/dialogos-com-um-sobrinho-vol-2.html' title='Diálogos com um sobrinho - vol. 2'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-5061359346569978131</id><published>2010-12-06T23:39:00.002-02:00</published><updated>2010-12-06T23:47:23.125-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><title type='text'>O outro vizinho</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Era britânico o ruído que vinha do apartamento de cima: entre a segunda e a terceira garfada, mais precisamente, porque era igualmente pontual o meu almoço e calculada a minha fome naqueles dias de tédio. Entrei numa rotina insípida que causava bocejos a quem eu contasse, até que o barulho do 201 me tirou da inércia. Não pense em romances, novelas, ação ou novidades. Imagine que o vizinho de cima trouxe de volta aos meus dias uma cisma comparável à que eu tinha com o &lt;a href="http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2009/12/porteiro-da-noite-issue-vol-2.html"&gt;porteiro da noite&lt;/a&gt;, que deixou de ser alvo das minhas especulações no momento em que enterrei minha vida social. De lá pra cá, quase nada foi alvo de tanto fascínio e incompreensão quanto o vizinho do 201.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Começou como uma curiosidade: me apeguei às marteladas sincopadas do 201. Dia após dia, refeição após refeição, lá vinha o barulho de um martelo esmurrando pregos. Sutil, impossível de ignorar, porém. Batidas leves, empurrões suaves, diários, e mesmo nos fins de semana. De segunda a sábado, pra ser mais precisa, era possível saber que já passava do meio-dia quando o vizinho começava a agir. Empilharam-se semanas até que decidi perguntar pra minha mãe: é, é verdade, já percebi sim, ela afirmou. Mas sua intriga era até blasé perto da minha, que foi acentuada no dia em que a furadeira entrou em ação. Parecia um ritual: eu me sentava à mesa, decidia entre o suco ou o refrigerante e o motor dava início a orifícios que eu só podia imaginar. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu vislumbrava verdadeiras galerias de arte no 201, ou uma bela oficina de marcenaria com pequenas colinas de serragem encostadas às paredes. Sonhava, ainda, que ali poderiam se construir barcos, carrinhos de rolimã, charretes ou qualquer outro meio de transporte improvável. Arcas, quem sabe. Então a cada vez que o suposto homem ligava a máquina pra organizar supostas exposições eu perguntava à minha mãe o que ela achava que poderia ser, e no quinto dia ela sugeriu que poderia ser que eu precisasse arranjar um emprego. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Então eu arranjei, mas era em casa, e os barulhos e ofícios do vizinho do 201 não me largaram. Eu disfarçava a minha obsessão perto da minha mãe, eu não queria causar preocupações pois ela ainda sugeriu que eu arranjasse outras coisas além de emprego: namorado, assunto, amigos e principalmente psicanálise. Cheguei a pegar as escadas algumas vezes, mas ficava empacada entre o primeiro e o segundo andar, me achava mais ridícula que uma carta de amor, voltava, punha fones de ouvido. Mudei o horário do almoço só pra poder ouvir com mais precisão e calma os furos e marteladas, só para tentar adivinhar os detalhes. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Alguma coisa na minha fisionomia denunciou que eu andava com o sono desordenado. Eu sonhava com martelos que batiam na minha testa, com pregos que escancaravam meu cérebro, acordava com enxaqueca só de lembrar. Um dia minha mãe me convidou pra almoçar fora. Eu inventei acúmulo de trabalho. Ela insistiu outras vezes, e finalmente percebeu. Providenciou uma caixa de ansiolítico e inspecionou minha boca como fazem nos sanatórios dos filmes. Tomada a medicação, dormi por dias a fio. Eu estava descompensada. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Acordei de um pesadelo: minha casa era invadida por uma horda de senhores de macacão, bigode e furadeiras, eles lutavam pra esburacar todas as paredes e ligavam suas máquinas na máxima potência e por fim o prédio ruía. Senti minha testa molhada, parecia um delírio. Vi o bilhete de minha mãe dizendo que tinha ido ao mercado. Vi o cão estirado no chão, barriga pra cima, vem chegando o verão. Eu não agüentaria um janeiro inteiro de martelos misteriosos, eu não poderia ficar em paz enquanto não descobrisse o que fazia o vizinho do 201. Abri a porta de casa e o elevador aberto me esperava. Um andar. Apenas alguns segundos. Uma respiração. Um toque na campainha. Um tempo que não sei calcular. Nenhuma resposta. Toquei de novo e de novo e de novo. O relógio marcava 13h04. Nenhum som vinha do apartamento, nenhum prego, nenhum martelo, nenhuma furadeira, absolutamente nada, nenhum ruído, e posso jurar que o blim-blom do convite imposto fazia eco. 13h17. Às 14h eu voltei pra casa, minha mãe me recebeu espantada e preocupada com meu sumiço e eu contei. Contei que tinha ido ao vizinho, que precisava saber, que ia mesmo pedir pra entrar em sua casa e quando estava prestes a chorar de desespero ela pegou minhas mãos e disse: você precisa ser forte. Foi assim que soube que o vizinho do 201 não morava mais lá. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-5061359346569978131?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/5061359346569978131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=5061359346569978131' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5061359346569978131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5061359346569978131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/12/o-outro-vizinho.html' title='O outro vizinho'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-5659494960098209155</id><published>2010-11-18T14:07:00.004-02:00</published><updated>2011-07-11T22:54:09.044-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aspas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="color: #cc0000;"&gt;Esta noite sonhei com um verso de Sophia. Sonhei que o tinha escrito eu. Fiquei tão feliz que continuei a sorrir mesmo depois de acordar. 'O senhor professor parece que viu Deus em toda a sua glória. Ter sido Sophia durante alguns segundos não anda muito longe, parece-me, da glória de ver Deus.'&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;José Eduardo Agualusa em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Milagrário Pessoal&lt;/span&gt;, páginas 19 e 20.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-5659494960098209155?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/5659494960098209155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=5659494960098209155' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5659494960098209155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5659494960098209155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/11/esta-noite-sonhei-com-um-verso-de.html' title=''/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-134225874776672615</id><published>2010-11-10T23:49:00.003-02:00</published><updated>2011-04-18T17:08:34.357-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='extratos'/><title type='text'>Domingo no Parque</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Brotam flores das cabeças nesse domingo, estamos no Parque sob uma árvore, tomando notas mentais, alheios às milhares de lagartas que nos olham por entre os galhos e folhas, possivelmente atropelando formigas. Tudo derrete lá fora, desde o sol até as solas emborrachadas dos nossos sapatos de verão, as saias rodadas das moças e as vozes encolhidas nas sombras. Dedos no botão de disparo, frames ensaiados antes de começar um balé. &lt;a href="http://www.myspace.com/letuceletuce"&gt;Ainda existe centopéia?&lt;/a&gt; Onde? Alguns vaga-lumes dançam à noite na minha sala, para espanto do cão e de todas as crianças que ainda vão chegar. As pessoas aguardam num círculo, um homem de meia-idade parece dormir recostado num tronco, uma toalha cretinamente xadrez cobre parte do chão, provavelmente atropelando formigas também. Não tem sorvete nem rosa nem roda-gigante nem faca. Em vez de amor, cobiçamos alguns doces e espumas cor de champanhe. Tudo parece tão surreal que se a era de aquário despencar sobre nossas cabeças talvez a gente entenda e aprecie toda a performance que se desenrola diante de nossos olhos. Agora além de flores brotam espessas gotas de suor de nossas têmporas, jorra água do chafariz e percebemos como o verão é cruel em nos fazer sair mais cedo. É mais fácil gostar das coisas no inverno. Saímos do Parque sem conseguir enxugar da testa toda a incompreensão, com a triste lembrança de que em vez de voar ou nos enfeitiçar com seus passos de dança, a bailarina, coitada, desabou no chão. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-134225874776672615?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/134225874776672615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=134225874776672615' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/134225874776672615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/134225874776672615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/11/domingo-no-parque.html' title='Domingo no Parque'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-2353657838295121691</id><published>2010-11-09T23:34:00.002-02:00</published><updated>2010-11-09T23:38:40.967-02:00</updated><title type='text'>Migrações</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(para cinco ou seis pessoas que me ensinaram a dançar)&lt;/p&gt;É uma coleção de adeus temporários, desconfiança e temor de que um dia seja definitivo, piruetas cada vez mais sem eixo, desequilíbrios, braços que se atrapalham no ar. Há muito que deixamos de escrever nomes e inventar pessoas com os pés, nos últimos anos a gente substituiu a enorme seqüência de saltos por alongamento, xingou todas as gerações passadas e futuras tentando melhorar o posterior de coxa e carimbou os cotovelos de roxos e rolamentos quase senis.   &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ficamos velhos. Não aquela velhice dos anos que passam, não aquela cronologia lógica do tempo, mas outra, ferrugens que se alocam nas engrenagens mais especiais, as que faziam minhas pernas parecerem infinitas, as que faziam minhas mãos parecerem sublimes. Ficamos tontos. Giros toda terça e quinta, ensaios e contagens confusos, poesia pra delinear o espaço, frases tão bobas que nos faziam dançar: sopros, setas, músicas, fechar de olhos, pausas, qualquer estímulo, no fim aquele sofá, uma lata de coca-cola gelada ou outra contravenção.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ficamos tão distantes... Ceará, São Conrado, Barra da Tijuca, Copacabana, NY, até a Gávea agora parece um país para o qual não tenho visto ou passaporte. Não sei me entender sem as pedras, sem uma ou duas faixas arranhadas daquele disco, sem o chão que de repente deixou de escorregar, sem os tapetes que protegem o cóccix. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ficamos tão magros, criamos joanetes, eu tirei os óculos e agora nem sei onde te procurar. Ficamos abandonados de todas as coisas que eram nossas e agora parece que falta gente pra entender minhas piadas. Falta gente pra você? Te faltam descontroles? &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;É uma sucessão de lutos. Eu nunca quis todos os recomeços que busquei, eu encontrei o lugar onde queria estar desde muito cedo, segui porque foi tão fácil encontrar casa em outras vozes e deslocamentos, tão natural e confortável, sempre obedecendo as ordens que eram dadas depois do tchau: continua. Sempre a mesma recomendação dada em tons semelhantes de fascínio. “Não pare” mais uma vez. Mas foi ficando tão mais complicado, as possibilidades foram se esgotando, os intervalos se alargando e quando me vi tão suada e só, tão sem todos, eu parei. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-2353657838295121691?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/2353657838295121691/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=2353657838295121691' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2353657838295121691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2353657838295121691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/11/migracoes.html' title='Migrações'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-4835586135916767010</id><published>2010-11-02T14:32:00.004-02:00</published><updated>2011-02-15T12:39:49.707-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='extratos'/><title type='text'>Sentou pra descansar como se fosse sábado</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu não gostava de ler biografias, na verdade sempre as abandonava às metades e montava torcida secreta e solitária pro biografado morrer logo, por que é que essa gente precisa amar tanto assim, eu perguntava, e com essas justificativas eu podia vislumbrar todo o falatório que eu poderia ter com o sujeito de óculos e casaco verde que se aproximou pra conversar, mas não, me desculpe, eu não socializo em livrarias, não com 3 livros no colo, costas curvadas pra frente, banco de madeira e o Jimmy Page sem ter ainda idéia de quem era Robert Plant. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Pouco depois ela disse que eu estava ranzinza e velha, e eu estava mesmo e além disso estava também sonolenta, alérgica, chata, sem assunto e com uma quantidade inaceitável de cabelos brancos, vibrando com a descoberta de uma prateleira intitulada “autores lusófonos” e indisposta a qualquer tipo de abordagem, fosse do sujeito de óculos e casaco verde ou do vendedor me oferecendo ajuda, o que ali, naquele lugar, nunca acontece, ufa. Eu poderia ter concordado quando ele disse que ficava sempre à espreita pra ocupar uma das poltronas caso elas se esvaziassem, mas o achei bobo por pensar que alguém seria generoso assim, dei um risinho condescendente, peguei os livros, fui ao caixa, deixei dois pelo caminho e voltei pra casa com uma certa dose de som e fúria.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ela disse que eu poderia ter sido menos ríspida, eu disse que não fui ríspida, ela insistiu que sim, eu respondi que ela nem estava lá pra ver e que as pessoas que iniciam conversas com desconhecidos devem saber, ou ao menos aceitar, que tem gente assim feito eu: ríspida. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Bandeira branca pra ela, eu não estava em condições de discutir, eu não tinha argumentos pra nada, eu não tinha mais nada além de uma preguiça e de uma apatia que eu não sabia como vencer, pior, que eu não queria vencer. Ela disse que também andava assim, e combinamos jantar pra resmungar juntas e maldizer todas as pessoas felizes de batom e visão política, salto e óculos e casaco verde, será que todo mundo que trabalha demais fica chato assim como nós? Será que todo mundo que tem o coração quebrado recorre a “autores lusófonos”? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu tomei muito gin tônica aquela noite, até o meu drink parecia ultrapassado e demodê, eu sentia calor e minhas bochechas ficaram rosadas no primeiro gole, eu dormi atravessada na cama sem nem um lençol, esqueci de mandar uma mensagem pra ela avisando que tinha chegado bem e ela esqueceu também, cheia de ice-tea no sangue, e acordei vomitando tanto que resolvi dar um mergulho no mar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Naquele dia o sol não durou muito, eu encontrei três pessoas na praia e inventei outras duas que não eram reais. Naquele dia eu fui ao cinema e depois conheci um novo Baixo, conversei bobagens com amigos que há muito não via, bebi moderadamente e respondi a tantas perguntas que fiquei besta de ver. Naquele dia as pessoas queriam saber se eu tinha gostado daquele balé (não), porque eu continuava de óculos (      ), como estava o Roberto (eu não sabia, mas eu estava com saudades do Roberto), quando a Cissa ia embora (e eu não queria pensar ainda que a Cissa ia embora), onde eu andava saindo (em casa), se eu gostava do Mia Couto (coração) e o que eu estava lendo (autores lusófonos). &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Aquele dia me deu vontade de voltar a escrever, de encontrar as pessoas, de, quem sabe, voltar à livraria e responder com mais boa vontade as possíveis perguntas do sujeito de óculos e casaco verde e de repente saber o que ele gostava de folhear por lá. Naquele dia eu percebi que as coisas continuavam boas, era eu que tinha desaprendido de gostar. Naquele dia derrubei todas as paredes flácidas que eu tinha erguido, dancei e gargalhei como se ouvisse música, comi feijão com arroz como se fosse o máximo.  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-4835586135916767010?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/4835586135916767010/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=4835586135916767010' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/4835586135916767010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/4835586135916767010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/11/sentou-pra-descansar-como-se-fosse.html' title='Sentou pra descansar como se fosse sábado'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-828312567123505282</id><published>2010-10-03T22:35:00.004-03:00</published><updated>2011-07-11T22:54:47.573-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aspas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="color: #cc0000;"&gt;Tem mais presença em mim o que me falta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;::&lt;br /&gt;&lt;div style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #cc0000;"&gt;Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manoel de Barros, O Livro Sobre Nada, 3a parte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-828312567123505282?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/828312567123505282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=828312567123505282' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/828312567123505282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/828312567123505282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/10/perseguicao.html' title=''/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-1656280652600631600</id><published>2010-09-27T23:24:00.002-03:00</published><updated>2010-09-27T23:35:59.036-03:00</updated><title type='text'>Sent Mail</title><content type='html'>De: Julieta&lt;br /&gt;Para: undisclosed recipient&lt;br /&gt;Assunto: Speaking words of wisdom&lt;br /&gt;Data: 27 de outubro de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Segunda-feira eu acordei resoluta de duas coisas: a primeira é que tinha que pintar o cabelo, não podia mais postergar o fato. A segunda é que o cabelo teria que ficar pra terça-feira pois à noite ia ao cinema ver o documentário  "O Último sonho de Pina Baucsh", dentro da programação do Festival do Rio. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pois bem. Chequei os emails de trabalho, respondi as urgências, organizei as finanças do mês e fiquei com a respiração suspensa quando li que o Morumbi reservou os dias 21 e 22 de novembro para Sir Paul McCartney. Quem mandou o link foi a Ritinha, e imediatamente trocamos 345 emails histéricos ponderando que o sobrinho não poderia, em hipótese alguma, nascer antes do tempo. A Ritinha tinha outras preocupações de cunho mais, espiritual, digamos, e toda uma logística de que os dois melhores Beatles se foram. Eu sempre fui mais fã do Paul, acho que meu segundo Beatle era o George. Tenho quase certeza de que só a minha mãe era fanática pelo Ringo. &lt;span lang="EN-US"&gt;Anyway. &lt;/span&gt;Beatles, "Qual estilista brasileiro você é", "Quem é você em Sex and The City", "Qual David Bowie você é", o Facebook foi certeiro em todos esses testes, acho que só errou ao afirmar que eu era o Karev de Grey’s Anatomy. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas voltando ao X da questão: Paul em São Paulo, sobrinho nascendo no Rio e eu fiquei desesperada tentando encontrar uma solução para conseguir estar presente no parto e no show do Paul. Tudo pode dar certo se o sobrinho nascer de fato dia 23, como diz o médico, mas gente, vocês sabem como funcionam essas coisas. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Passei o dia nervosíssima, tomei um banho no fim da tarde e fui pro cinema esbaforida, coloquei o ipod no máximo e cantei &lt;span style="color: rgb(153, 51, 153);"&gt;Band on the Run&lt;/span&gt; me imaginando no meio do Morumbi com o Deus à frente. Chegando na bilheteria, não encontrei minha carteira na bolsa. Oh God, pensei, é a segunda vez que perco a carteira esse mês. Por sorte eu tinha o código de compra anotado num caderninho e consegui o ingresso. Entrei na sala, o cinema estava vazio, sentei na melhor poltrona (o Marcelo certamente aprovaria minha escolha) e re-la-xei. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Veio um mocinho avisar que a sessão atrasaria cinco minutos, eu olhei ao redor e achei o público da Pina Bausch bem esquisito e logo em seguida as luzes se apagaram. As cenas que se seguiram na tela me espantaram: Roman Polanski dando uma entrevista a um repórter que queria saber do interesse dele por mulheres mais jovens. Eu, que não freqüento festivais, pensei que os documentários estão ficando cada vez mais enigmáticos. Os depoimentos de advogados e juízes começaram a aparecer e eu ainda pensei, sei lá, vai que o último sonho de Pina Bausch era inocentar o Polanski. Ha ha, claro que eu não pensei nisso. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Peguei o ingresso, fiz lanterninha com o celular dentro da bolsa e li: “O Último sonho de Pina Bausch” dia &lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;b style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;4 de outubro&lt;/b&gt;.&lt;/span&gt; Como eu já estava ali, fiquei até o fim controlando o riso. Eu me diverti sozinha pensando na minha trapalhada. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Entrei em casa, o telefone tocou e era meu pai. Contei pra ele a patetice do dia. A história melhora aqui: ele contou que comprou ingresso pra ver Brad Mehldau no Municipal sábado, e lá foi. Subiu as escadas do Theatro e esticou o braço com o ingresso na direção do mocinho que olhou pra ele e disse “senhor, esse show é sábado que vem”. Ele voltou pra casa também divertido. Concluímos que só pode ser genético.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Em tempos de confusão mental, minha gente, o conselho é de Sir James Paul McCartney:  Let it be.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-1656280652600631600?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/1656280652600631600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=1656280652600631600' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/1656280652600631600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/1656280652600631600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/09/sent-mail.html' title='Sent Mail'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-2242105321409296610</id><published>2010-09-18T16:59:00.004-03:00</published><updated>2010-09-18T17:04:34.241-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='correio'/><title type='text'>Carta a T.</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Chouchou,&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Não é bem uma carta que te escrevo, e sim um apanhado geral das coisas que fui anotando e que deveriam ser desenvolvidas e endereçadas a você. Como você perceberá, não desenvolvi tanto quanto gostaria. É assunto demais. A gente não pode viver em cidades separadas, começo a me afogar em ideias que ficam sem escapatória. Enfim. Voilà.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;“Como esquecer” dizem alguns anúncios espalhados pela cidade, tipografia branca sobre fundo preto, e aguardamos ansiosos o que vem pela frente e faço essa comparação meio ridícula de que tem gente que poderia ser classificada como um teaser que não deu certo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Será que é normal colecionar frases do Hortifruti e morrer de rir delas toda vez que a banca da esquina se renova? Tenho colecionado palavras também, invento enormes frases só para encaixa-las e tudo vira ficção apenas pra que “contágio” ou “escandalizar” entrem na página, mas não entram porque empaco no caminho e não conto história nenhuma. Inauguro, ainda, um novo caderninho onde anoto as frases que mais gosto dos meus amigos: “domingo eu sou apaixonada por ele”, ela disse, contrariando toda a lição de vida que o Robert Smith nos ensinou durante anos de pista de dança. Sempre preferi “Just Like Heaven”. Fico vidrada quando ele começa a cantar. Numa festa imaginária, “Just Like Heaven” só pode vir antes de “This Charming Man”. Será que existe mais alguém no mundo que entenda essa lógica?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ando misantropa até o último fio de cabelo (Carol então, nem sei!), segregando pessoas, dizendo não ao telefone, preferindo comer no meu restaurante preferido sem alguém que me conte como foi seu dia. Seriously: não poderia me interessar menos por terceiros nesse momento. Hoje era sábado, manhã e chuva quando entrei numa antiga loja de discos e só dei papo pro proprietário, que instaurou uma bela trilha sonora pro meu fim de semana sozinho. Folheei livros, CDs e cantei baixinho enquanto saboreei o fato de poder fazer tudo com calma, lentidão e sono. É incrível, e tudo o que ando desejando. Abro exceções, porém, combino um cinema e mando uma mensagem pra Bruna dizendo que eu sou inteira. Ela responde que ainda bem! e eu fico dias e horas pensando se a afirmação procede, e depende. Terças e quintas à noite eu sou tão inteira que me assusto. Sexta à tarde eu nunca sei onde estou, quiçá do que se compõem meus ossos e fibras, parece que tudo se esfarela e vira pó.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Sobre as outras coisas: com ele não posso mais, mas também não posso mais esse não poder mais. Tento ser outra pessoa pra poder ser eu quando era com ele de novo, ou pra ensaiar resgate e reinvenção, pra parar de doer, mas nada tem funcionado tanto quanto dormir. A tua lista de coisas que mudaram tua vida não me sai da cabeça, e inventario as coisas que mudaram a minha, esbarro em classificações e quando percebo estou listando categorias: filmes que mudaram minha vida, viagens, cremes de cabelo, sobremesas, estradas, ressacas, percebe como as ressacas, em sua maioria, são agentes transformadores? Essa memória seletiva que a vodca nos traz, a obrigação de esmiuçar ou a chance de esquecer por completo. Tem um sapato que mudou a minha vida, mesmo que poucas semanas depois ela tenha voltado a ficar bem igual ao que era antes. Vale? Acho que a maioria das mudanças é temporária. Ou nós é que somos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;As pessoas te olham torto quando você canta ou fala sozinha no supermercado? Você canta ou fala sozinha no supermercado? Você também tem uma vontade incontrolável de enfiar a mão no cabelo da Mayana Moura pra ter certeza de que aquilo é cabelo de verdade e não um monte de fios de plástico? Será possível todo aquele brilho, e toda aquela simetria? Outro dia ela brigou com a Carolina Dieckman na novela e ao fim estava impecável. Ando intrigada com essas coisas, tipo o cabelo da Mayana Moura, o guarda-sol do Índio da Costa, os tênis da Nike. Desconexões. Bem. Não pense que estou triste, desesperada ou submersa. Ando apática sim. Daqui a pouco passa e se não passar logo, bem, we’ll always have Jardins.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;um beijo enorme!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-2242105321409296610?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/2242105321409296610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=2242105321409296610' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2242105321409296610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2242105321409296610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/09/carta-t.html' title='Carta a T.'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-3189691876563812244</id><published>2010-08-29T22:42:00.002-03:00</published><updated>2011-02-15T12:40:02.247-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bang-bang'/><title type='text'>Avenida das Américas</title><content type='html'>Dele não me basta falar: é preciso que se viva ainda alguma coisa, mesmo que agonizante, é necessário ainda escavar os peitos, todos os nossos quando se abraçam de frente, tecer enganos, tomar de novo nota das tuas palavras tão desmedidas que me faziam emigrar. É vital que ainda te escute cantar um dia, ao volante, perfil em riste, invadir tua camisa de botão, te abocanhar no sinal fechado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-3189691876563812244?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/3189691876563812244/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=3189691876563812244' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/3189691876563812244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/3189691876563812244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/08/avenida-das-americas_29.html' title='Avenida das Américas'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-7281570178702600884</id><published>2010-08-16T22:48:00.003-03:00</published><updated>2011-02-15T12:40:22.367-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='extratos'/><title type='text'>Retrato em branco e preto</title><content type='html'>Aquilo que vi em você quando abri a porta, apatia se espalhando como vento na praia, aquilo não era só o que você me disse que parecia. Aquilo que se misturava às tuas cores não era apenas, não podia ser! Aquilo que se descolava da tua pele e solidificava em nuvem cinza, aquela tempestade anunciada sobre a tua cabeça, aquilo não era o que você achava. Aquele você que me recebeu não era só o apelo minutos antes por telefone, terceiro andar, descalço em pedras frias e magricelo, aquele dia, não era só tristeza, solidão ou temperatura abaixo de zero. Aquilo que se apoderou do teu abraço, tão minguado, não era só Agosto, muito menos oito dias trabalhando sem parar. A tua cabeça tombada no caminho até o sofá da sala, seu quase sumiço por entre as almofadas, aquele resgate que se fez necessário, havia um colapso em você que era subcutâneo e que nem mesmo sopa quente, cachecol e beijo de boa noite: aquilo, meu bem, não era pedido de socorro ou saudade do meu colo: era segunda-feira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-7281570178702600884?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/7281570178702600884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=7281570178702600884' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7281570178702600884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7281570178702600884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/08/retrato-em-branco-e-preto.html' title='Retrato em branco e preto'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-62512216190506542</id><published>2010-08-04T10:06:00.002-03:00</published><updated>2010-08-04T10:12:11.438-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><title type='text'>Nessa data querida</title><content type='html'>Fernando Gusmão me enviava cartões de felicitação todos os anos, sem deixar passar sequer um dos meus aniversários. Sua atenção ia além, e ele fazia também sua secretária me telefonar para dar voz a seus mais sinceros desejos de felicidades e realizações pessoais. Mesmo quando o meu dia caía num fim de semana o telefonema acontecia: na segunda-feira de manhã ela se desculpava pois o gabinete não abria aos sábados e aos domingos. Fernando Gusmão me estimava a ponto de se desculpar por não poder telefonar no dia correto do meu aniversário. Fernando Gusmão era bem mais atencioso que muitos dos meus (agora) amigos de facebook, que muitas vezes esquecem de olhar o calendário feito exclusivamente para que não sejam esquecidos aniversários de gente da minha importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que demorei a me recuperar do baque do primeiro ano em que o cartão de felicitação de Fernando Gusmão simplesmente não apareceu. Assim mesmo, Fernando Gusmão me cortou de sua lista de pessoas a serem parabenizadas, cortou meus cartões de aniversário e cortou os telefonemas à minha residência: eu nunca mais ouvi a voz de sua secretária, ela nunca mais se deu ao trabalho de se desculpar pelos fins de semana em que não pode me desejar saúde-amor-amigos e eu fiquei pensando que “o problema não é você, sou eu”, afinal certamente o Fernando Gusmão devia ter descoberto que eu nunca tive a intenção de ajuda-lo nas eleições, e parou de lutar pelo meu voto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão repentino quanto o sumiço de Fernando Gusmão foi um 21 de agosto em que aterrissou sobre minha mesa um cartão comemorativo endereçado a mim e assinado pelo Sergio Cabral, o que explicava muita coisa: alguém da minha estirpe não poderia continuar recebendo cartões de um mero deputado quando o governador me felicitava. Era uma questão política, oras, simples assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha surpresa foi que os cartões do Sergio Cabral duraram somente um inverno, e no ano seguinte fiquei à espera do que o Lula pudesse me escrever. Poucas vezes me vi tão ansiosa, afinal, na linha de sucessão, ele era o próximo. Eu queria correr ao gabinete do Fernando Gusmão para esfregar-lhe na cara o cartão do presidente da república, para dizer-lhe que não precisava mais de suas frases reduzidas de deputado, ou, enfim, fazer isso tudo diante da secretária. Mas não era culpa dela, tenho certeza de que ela continuaria me telefonando todos os anos, com ou sem cartões adiantados, não fosse o fato de que Fernando Gusmão me deletou de sua agenda telefônica. Fato é que o cartão do Lula nunca chegou, o que me fez adotar uma postura de extrema direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então é agosto de novo, eu me contento com os cartões impessoais que me oferecem 10% de desconto (da ótica, da loja de sapatos, nunca da Livraria da Travessa, que nem sabe o dia em que nasci) e abro animada um envelope verde que me chega via E.C.T para ler a poesia que nem Vinícius de Moraes escreveria: “A vida guarda muitas coisas para você viVER!!!”. Assim mesmo, com caixa alta no final e três exclamações, e cujo remetente, adivinha? é a clínica oftalmológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não sei bem onde foi que perdi a piada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;::&lt;/strong&gt; &lt;span style="color:#993399;"&gt;"&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;What do you want me to do, to watch for you while you're sleeping? Then please don't be surprised when you find me dreaming too." &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt; The Greatful Dead in &lt;em&gt;Box of Rain&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-62512216190506542?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/62512216190506542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=62512216190506542' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/62512216190506542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/62512216190506542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/08/nessa-data-querida.html' title='Nessa data querida'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-1054448750373276677</id><published>2010-07-27T19:24:00.002-03:00</published><updated>2010-07-27T19:26:56.514-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='funerais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bang-bang'/><title type='text'>Meus suicídios (vol. 3)</title><content type='html'>VIII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me suicido toda vez que tento entrar numa agência do Banco Itaú porque nunca consigo passar da porta giratória, e nem mesmo de quaisquer outras portas que existam pelo caminho. É dar um passo à frente que a porta giratória trava, eu esvazio a bolsa sob olhares que me acusam de crimes gravíssimos e nunca cabe no recipiente toda a quantidade de chaves, os dois telefones, as duas câmeras fotográficas, os dois reais separados pro flanelinha, tanto plural. Suo frio até chegar ao caixa e ali, frente ao sorriso benévolo que me absolve, digo ao gerente que se dane, não quero mais. Encerro a conta, aperto a bolsa mesmo que o saldo seja negativo e numa correria dou de cara no vidro, espatifada me enterro no chão e pronto, fico morta pra não encarar o segurança que arrasta meu cadáver pra fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me suicido toda vez que percebo que já te esqueci, porque às vezes o seu cheiro podre de decomposição me invade e eu percebo que já não sonho mais, já não penso mais, já não faço esforços para descomplicar as coisas que complicamos, já não relativizo, não perco mais o sono, não procuro entender ou ponderar ou adivinhar ou escrever ou inventar sozinha qualquer coisa que permita ainda conjugar “nós”, e me vejo frente a tanto silêncio, escassez de gargalhadas, tanta maturidade e vazio, e então te puxo pra perto de novo só pra me suicidar, porque sinto saudade de construir castelos, refúgios, abrigos, abraços, tanto plural. Eu me suicido toda vez que te esqueço porque não sei o que fazer com o que vem depois e com todo o espaço ao redor, esvazio vidros de medicamentos e agonizo sozinha, a baba escorrendo, e apodreço esquecida, meus restos de carne expostos sendo lentamente devorados por insetos que nunca param de aparecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;X.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me suicido toda vez que resolvo ler uma biografia, porque putz grila!, haja gente pra não se suicidar no mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-1054448750373276677?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/1054448750373276677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=1054448750373276677' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/1054448750373276677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/1054448750373276677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/07/meus-suicidios-vol-3.html' title='Meus suicídios (vol. 3)'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-4502925285109847238</id><published>2010-07-25T23:42:00.004-03:00</published><updated>2011-07-11T22:55:19.733-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aspas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="color: #cc0000;"&gt;"(...) Você diz:&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #cc0000;"&gt;- Você inventou para mim. Não tenho nada a ver com a história que você teve comigo.&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #cc0000;"&gt;- Você disse o contrário, uma vez, no início. &lt;/div&gt;&lt;div style="color: #cc0000;"&gt;- Digo qualquer coisa, e depois esqueço. Você sabe - você sorri -, mas estou sempre perto de você no desespero que lhe causo."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Marguerite Duras in &lt;i&gt;Emily L.&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-4502925285109847238?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/4502925285109847238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=4502925285109847238' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/4502925285109847238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/4502925285109847238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/07/ficcoes.html' title=''/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-5285027956414372332</id><published>2010-07-16T14:11:00.003-03:00</published><updated>2011-04-18T17:09:06.752-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='os dias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><title type='text'>O dia em que engasguei cantando um refrão do Bon Jovi</title><content type='html'>Disciplinei meus pensamentos pra que eles viessem à tona naquela terça-feira. Primeiro porque ia chover, e angústia combina mais com céu desabotoado que com sol. E depois porque eu sabia que tinha um percurso longo a ser feito de carro, onde há anos dedico-me a cantar e a debater assuntos: em voz alta, com fervor, sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preparei-me pra ida ser apenas o ensaio da volta, afinal eu dirigia-me a compromissos profissionais, onde não podia chegar destrambelhada, o que ocorreria caso alguma canção me pusesse a chorar. Evitei o caminho da praia e escolhi uma lista de músicas segura onde a cantoria fosse apenas digna de final feliz, e concentrei-me nas resoluções (agora) tolas: que iogurte também é leite, e portanto deve ser cortado; que gostaria de ter um par de cada cor do modelo dos meus óculos novos; que preciso investir mais que R$4,00 num xampu. E que preciso, oras, decidir um time de futebol pra chamar de meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aí que começou o drama. Por sorte eu já estava na recepção, concentrando-me agora nas coisas sérias do trabalho, crachá na mão, atenta às placas das salas, ufa, é aqui. Interrompi qualquer divagação, fiz cara de simpática e fingi que entendia tudo de novela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de mais de seis horas de encontros eu estava de volta ao carro, confusa porque a praia da Macumba parecia a maior extensão de areia do planeta, enquanto que a orla da praia da Reserva teimava em não acabar, indiferente às minhas investidas no acelerador. O dilema, então se apoderou de mim, e da seleção musical que agora acontecia em shuffle, descontrolada. Me vi frente às seguintes considerações: não era possível a essa idade tornar-me flamenguista, que pra isso precisava ter vocação. E Vasco, bem, era impossível ser vascaína, por todas as razões óbvias que envolvem um ex-namorado e um time que não sai da condição de vice. Verdade seja dita que meu espírito competitivo se esqueceu em algum lugar distante, mas minha tolerância para piadas futebolísticas é baixíssima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais essa. Torcer pra um time de futebol significa que você tem que interagir e enfrentar as risadas e coisas do tipo? Faz parte do jogo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei no Botafogo, que adotei em algum momento da vida, e guardei por alguns anos uma camisa no armário. Foi a segunda das camisas esportivas que ostentei, sendo a primeira a que levava o número do Romário e que foi exaustivamente usada na Copa de 94, e a terceira uma camisa de remo do Vasco usada nas aulas de surfe. Ok, pano rápido, pula parágrafo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que só sobra o Fluminense, que muito me seduz, porque acho o conceito todo do time super vintage. Treinos em Laranjeiras cercados por palmeiras, as cores da camisa. Mas será que são argumentos suficientes pra sustentar uma escolha dessa importância? Começo a achar que não se pode ser torcedor impunemente, da mesma forma que não é possível, do dia pra noite, querer que a Mocidade de Padre Miguel ganhe o Carnaval. São escolhas que envolvem convicções, critérios, afinidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou sendo dramática?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego à praia da Barra desordenada: aflição me consome, cheia de indecisões, diante dum impasse. Como é que eu posso resolver o que fazer com as minhas dores de amor se não consigo nem resolver que camisa vestir? Como pode ser possível escolher profissão se não consigo decidir em que lado da arquibancada quero estar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim, diante desse retrato que agora parece tão claro, que entro no túnel em direção a São Conrado e o ipod explode em guitarras, e mesmo que a música não tivesse nada a ver com a questão da torcida (e realmente não tinha), tudo convergia pra um desabafo em choro. Numa tentativa de retardar as lágrimas, enchi os pulmões e comecei a cantar o refrão: &lt;span style="color: #993399;"&gt;&lt;i&gt;ooooh we're half way there, ooooh living on a prayer. Take my hand and we'll make it, I swear.&lt;span style="color: #cc33cc;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #cc33cc;"&gt;.&lt;/span&gt; Mas em vez disso engasguei, e num acesso de tosse achei que morreria sufocada sem assumir uma posição, umazinha que fosse, e num nervosismo crescente estendi o engasgo até a porta de casa, sem mais saber se a música era a mesma ou se uma sinfonia de Beethoven tentava em vão me apaziguar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus olhos lacrimejantes e esmagados em meio à tosse avassaladora clamavam por um tapa nas costas. Inundada de água e ar fresco, e respaldada pela futilidade das minhas atividades, achei que poderia usar como único argumento a estética, e estava prestes a anunciar aos quatro ventos que era a mais nova integrante da torcida fluminense quando o Mauro se meteu na conversa e contou uma história tristíssima sobre o time. A Ritinha por sua vez, mandou um email um pouco revoltado sobre o assunto, apresentando queixas consistentes pelas quais eu deveria descartar os argumentos do Mauro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia em que engasguei cantando um refrão do Bon Jovi eu xinguei esses dois por terem tornado a minha escolha tão mais complexa do que parecia, morri de saudades da Copa do Mundo e decretei: sou América desde criancinha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-5285027956414372332?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/5285027956414372332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=5285027956414372332' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5285027956414372332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5285027956414372332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/07/o-dia-em-que-engasguei-cantando-um.html' title='O dia em que engasguei cantando um refrão do Bon Jovi'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-3341716246868769712</id><published>2010-07-16T01:16:00.003-03:00</published><updated>2010-07-16T01:20:06.835-03:00</updated><title type='text'>Anomalia</title><content type='html'>(Bilhete a M., desses para serem encontrados sobre a pia do banheiro pela manhã.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já percebeu que toda vez que você me deixa em casa a gente desata a conversar e fica mais meia hora (no mínimo) a falar? Carro embicado na garagem, o porteiro da noite a roncar no sofá de entrada, música escolhida por mim de pano de fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve ser que a gente não entende direito esse lance de despedidas, ou que a gente nunca aprendeu a dizer "tchau".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-3341716246868769712?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/3341716246868769712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=3341716246868769712' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/3341716246868769712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/3341716246868769712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/07/anomalia.html' title='Anomalia'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-7440487405527348335</id><published>2010-07-13T10:45:00.004-03:00</published><updated>2011-07-11T22:56:24.962-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aspas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros'/><title type='text'>E por falar em saudade</title><content type='html'>&lt;div style="color: #cc0000;"&gt;&lt;b&gt;"Como é que eu mato a tua morte?"&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Inês Pedrosa em &lt;a href="http://www.travessa.com.br/FAZES_ME_FALTA/artigo/a9e3d74f-e0d7-4c53-a8a9-0a12952b0a1a"&gt;&lt;i&gt;Fazes-me Falta&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-7440487405527348335?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/7440487405527348335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=7440487405527348335' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7440487405527348335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7440487405527348335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/07/e-por-falar-em-saudade.html' title='E por falar em saudade'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-4769843744631006612</id><published>2010-07-11T22:47:00.001-03:00</published><updated>2010-07-11T22:53:48.418-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='extratos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bang-bang'/><title type='text'>Vestígios</title><content type='html'>As gotas de suor que marcavam o chão de linóleo da sala de dança, aqueles fios de cabelo que grudavam na nuca em questão de minutos, pensar que o mundo estava de cabeça pra baixo, rodar pela diagonal e se apoiar na barra ao final de uma série de piques, bater palmas ofegantes, pegar a blusa que ficou empapada esquecida a um canto da sala, gostar de gatorade às 21h15 de segunda-feira no verão: uma saudade avassaladora de chegar em casa depois da aula de ballet, deitar no chão com as pernas pra cima, entrar no banho e cantar Alanis Morissette embaixo do chuveiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudade imensa de 14 graus em outubro, vestido novo com meia grossa, trenchcoat emprestado, inspirar e expirar de olhos fechados mais uma vez antes de abrir a porta antiga do prédio, os ecos do salto atravessando a Rue de Mezières até qualquer café na esquina, uma mesa apertada que encoraja nosso encontro, sentados na vitrine sem querer saber das ruas, o caminho de volta, beijos urgentes imprensados na parede, mistura de suspiros, subir os 6 andares de uma escada atapetada refazendo mentalmente todo o percurso que me fez cair naqueles braços: cair naqueles braços. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ler pela primeira vez as linhas 12, 13 e 14 da página 31 de um determinado livro e ter uma retumbante certeza de que é possível guardar deslumbramentos em prateleiras. Saudade doída de escutar o Bolero de Ravel pela primeira vez e me sentir suspensa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trança no cabelo, frio de julho na beira do mar, fechar o zíper nas costas do macacão e sentir gelar toda a espinha quando as primeiras espumas de onda batem no pé. Remar com os braços aflitos, achar o equilíbrio e deslizar suavemente, guardar essa saudade de entender o fim da linha e se jogar pra trás, espatifar-me n’água, buscar a areia, deitar sobre a prancha e ter uma certeza retumbante de que presente bom é fitar as nuvens sem se importar com o tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perceber-se apaixonada e tentar conter aquele sorriso bobo que não respeita horários, caramba!, que saudade que dá de gostar mais de tudo, de demorar a dormir, de ter uma fome de banquetes, de ter um abraço esperando, de poder beijar sem parar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma saudade que me atravessa, impiedosa, de saltar do carro para abrir o portão, pisar descalça na grama e avistar os cães correndo em minha direção. De ver as marcas das patas imundas sobre minha camiseta tão branca. De estender toalha de pique-nique, folhear o jornal, lembrar do repelente depois de dois ou três mosquitos, adormecer escutando as vozes dos amigos, contar flores nas copas das árvores. Saudade tão forte de correr e pular pra dentro da piscina, de se apoiar em bóias e fica à deriva, da sopa em frente à TV, dos ruídos de lenha queimando na lareira, do ranger da rede. Essa saudade que me alucina: do cobertor que provocava espirros, daquela casa, de nossos dentes manchados de vinho, de dormir só no dia seguinte, daquela parte da estrada onde as árvores, pareciam, nunca iam morrer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-4769843744631006612?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/4769843744631006612/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=4769843744631006612' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/4769843744631006612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/4769843744631006612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/07/vestigios.html' title='Vestígios'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-4960180068905725731</id><published>2010-07-04T20:55:00.007-03:00</published><updated>2010-07-04T21:19:34.606-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bang-bang'/><title type='text'>Blood on the dancefloor</title><content type='html'>&lt;span style="COLOR: rgb(153,51,153)"&gt;"because my love for you would break my heart in two, if you should fall into my arms and tremble like a flower." David Bowie in &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Let's Dance&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta content="text/html; charset=utf-8" equiv="Content-Type"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CJulia%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:595.3pt 841.9pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.4pt; 	mso-footer-margin:35.4pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;color:#000000;"&gt;Do sofá tenho a melhor vista da festa: ali no canto pode ser o começo de uma grande paixão, ali na janela pode ser só enfisema, à direita prevejo roncos e sonhos barulhentos, à esquerda, indiscutível: vômitos no banheiro antes de dormir, nenhum engov vai melhorar. À minha frente se abre o espaço sob o decreto do dj e os olhares imperativos dos amigos que exigem minha presença na pista de dança. Desfilo meu mini vestido até o centro das atenções, encontro lugar seguro para os óculos, exibo meus melhores passos de dança e num rompante eufórico começo a pular alucinadamente, quase sacudo a cabeça como num show de rock. Oito saltos depois alguma coisa falha entre L5 e S1, apóio a mão nas costas e me rastejo até a porta de saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Dia seguinte, na cama, uma bolsa de água quente como aliada e dois vidros de remédios esvaziados: não sei se salvação ou tentativa de suicídio.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-4960180068905725731?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/4960180068905725731/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=4960180068905725731' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/4960180068905725731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/4960180068905725731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/07/blood-on-dancefloor.html' title='Blood on the dancefloor'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-2159606351155870365</id><published>2010-06-16T14:42:00.004-03:00</published><updated>2010-07-04T21:20:30.512-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vamos fazer um filme?'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gastronomia'/><title type='text'>Waffles com mel - cena 1</title><content type='html'>Sentam-se na mesa de sempre, isto é, sempre que o salão está vazio o suficiente para escolherem seus lugares cativos: ela prefere o sofá, ele senta na cadeira e volta e meia não resiste ao espelho em frente. Já sabem que morrem de frio no verão, por isso levam um casaquinho na bolsa, mesmo em janeiro. O primeiro comentário é, portanto, uma discreta revolta contra a potência dos aparelhos de ar-refrigerado nessa época do ano. Um exagero: prevêem gripes para o final de semana, convalescência na piscina. Ela tira da bolsa o caderno de anotações, tá aqui o nome do livro que te falei, como você tá inquieto, o que foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma garçonete loira, oi tudo bem? Ué, hoje não vai querer chocolate quente? Ah já sei, no calor é melhor milk-shake, né? Ela se encolhe no banco, pondera: um suco. Dois sucos, dois waffles, uma água sem gás para dividir. Ele muda de idéia: traz um café no lugar do suco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como até hoje não sabemos o nome dela? Ele interrompe suas divagações: tenho uma proposta que você não pode recusar. Ela escuta atenta até ser interrompida pelo celular. É minha mãe, preciso atender. Ele passa a mão pelos cabelos três vezes, chacoalha um pouco os pés. Manda um beijo pra ela também. Pronto. Ele começa a sua introdução seriíssima sobre o novo projeto, e antes de explicar efetivamente sobre do que se trata, elege as razões pelas quais ela é a parceira ideal para a empreitada. Envaidecida, se esparrama pelo sofá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eclode na mesa ao lado uma briga , um casal já em crise avançada que decide tornar públicas suas amarguras. A mulher, muito nervosa, explode em choros e soluços, o homem percebe que foram longe demais. A garçonete loira desvia o chá de camomila que levava para o senhor dos fundos e o pousa sobre a mesa da discussão, numa tentativa solidária de acalmar a mulher, que segura a bolsa e sai apressada sem olhar pros lados. O homem, constrangido, deixa um dinheiro além do necessário sobre um pires e vai atrás da mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio se dissolve e o barulho costumeiro do lugar recomeça. Diante do espelho, colherzinha suspensa no ar, imobilizado pelos gritos do casal, ele inunda o título do livro e todas as outras frases do caderno dela: nuvens no café.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-2159606351155870365?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/2159606351155870365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=2159606351155870365' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2159606351155870365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2159606351155870365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/06/waffles-com-mel-cena-1.html' title='Waffles com mel - cena 1'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-3073293262853535259</id><published>2010-06-09T19:34:00.001-03:00</published><updated>2010-06-09T19:37:46.772-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='correio'/><title type='text'>Carta a O.</title><content type='html'>Querido,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente combinou que ninguém mais ia embora, e eu combinei que nunca ia escrever pra um poeta. Confesso: morro de inveja de quem escreve poesia – todo o resto fica parecendo auto-ajuda, e ai que vergonha te falar por escrito. Além disso, eu não elucidei nenhum dos questionamentos: ir ou não ir, você pergunta, e eu caio em contradições: não, eu não acredito mais em paixões ou amores, mas não acredito neles pra mim e, de verdade? acho linda essa história de se juntar, desde que não seja comigo. O meu romantismo ficou todo para terceiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato dessas linhas serem endereçadas a você abre um precedente pra que eu seja compreensiva quando você enviar cartões postais do cerrado. Porque sabe, acho mesmo que de alguma forma você é bem mais coerente que eu, ou ao menos elabora mais objetivamente as perguntas que eu sequer ouso fazer: de quê serve tanta sensatez, raciocínio ou lógica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu empacaria de cara na hipótese de dar tudo errado, mesmo sabendo que os vôos vão e vêm. Eu acharia todos os motivos possíveis que me impediriam de tentar, e citaria até mesmo a umidade do ar como uma das implicações pelas quais não ir atrás de um grande amor. Eu não construiria as bases dos meus dias no outro, não confiaria meu bom humor matinal a alguém, eu não daria chance a um relacionamento que envolvesse um complicado e um outro perdido, e que ainda tivesse miopia, desemprego e toda essa distância cruel do Jobi no meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu optaria pela praticidade de continuar minha vida por aqui: evito aquele trecho da praia, passo a preferir o bar ao lado, exploro a sessão de livros infantis em boas companhias numa tarde de segunda-feira em Ipanema e mudo de assunto toda vez que for necessário. Finjo que não preciso de musos pra escrever, não tento te explicar a minha relação com aquele cara porque me convenço pra sempre de que não existe uma. Perco meu bigode na esquina e tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a ida é tua, e a coerência também: quantas pessoas transformam tatuagem em poema ou enxergam corações em fios de cabelo? Quantas pessoas viram à esquerda e dão significados a caderninhos e papéis fotográficos? Quem ainda alcança o tamanho do teu sorriso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você poderia ir e se descobrir de tantos outros jeitos, ou ver que realmente não daria certo. Poderia aprender a cozinhar, a dirigir, a usar lentes de contato, a manter o banheiro em ordem. Poderia pegar quantos ônibus errados fossem possíveis, encontrar uma turma de cineastas boêmios, usar barba. Se impacientar menos com burocracia e passar a gostar de sapatos. Você poderia ir e descobrir que é capaz de se acostumar às contas de luz, gás e telefone. Ou entender que algumas inquietudes são indomáveis, e voltar por uns tempos, e procurar outros destinos. Ou andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acho que você vai acabar descobrindo que precisa andar, e que vai encontrar uma forma de conviver bem com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você, afinal, não comprovar (ou desmentir) nenhum dos meus palpites, seja por excesso de ponderação ou por promessas de novas histórias dilacerantes aqui mesmo nessa nossa província, então, por favor: encaixote tuas palavras tão lindas, me dê uma obra de presente que assim, quem sabe, com tanta paixão pra inspirar, eu não amoleça um pouco essa minha cabeça descrente e veja no mundo um pouco dessas belezas todas que você enxerga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu tiver que te desejar boa viagem, lembre-se de dar sinal de vida quando estiver por essas paragens, e por favor: uma pizza, uma fuga de festa, um bloco de carnaval. Ou caipirinhas esquisitas em bares duvidosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer que seja a decisão, entenda: a questão não é o que o amor pode te trazer, e sim o que você procura: se um caminho de tijolos amarelos e promessas oníricas cheio de incertezas e desníveis, ou um pavimento de concreto e documentos em dia, repleto de praticidades e cálculos, onde talvez seja mais difícil encontrar tua poesia, e nem por isso ela será menos impactante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas estão aqui, pouco cambiáveis. Se a tua ilusão for tão volátil quanto orgasmos, compre a passagem de volta. Certamente as risadas estarão à tua espera, sentindo tua falta na cabeceira da mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(já dá saudade, só de pensar, mas acho que posso - e todos podemos - encontrar um ou outro drible pra ver como crescem os amigos queridos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um beijo enorme!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-3073293262853535259?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/3073293262853535259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=3073293262853535259' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/3073293262853535259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/3073293262853535259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/06/carta-o.html' title='Carta a O.'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-6118441184264580719</id><published>2010-05-20T20:25:00.003-03:00</published><updated>2010-05-20T20:29:33.083-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diários'/><title type='text'>Diários de São Paulo</title><content type='html'>(vol. II ou - o atropelamento segundo Caetano Veloso)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordo, pisco os olhos e me encaminho pra cozinha para devorar castanhas e é o suficiente para sentir a pele abrir-se em esgarços: pequenas feridas se depositam no topo das dobras dos dedos, a textura toda do rosto é agreste e o nariz sangra: pela manhã, à saída do ônibus, o vento frio na cara faz parecer NY, os combustíveis fazem parecer o inferno, o ipod faz parecer coincidência demais essas coisas sobre as quais não ouso pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio a tantas galerias, ilustrações e cores, decidimos que tão importante quanto o poder aquisitivo é a extensão das paredes, e mais grave é a dimensão das molduras: discutimos a necessidade do “paspatur” e mais tarde, entre chillis e cervejas com limão, debatemos a ética profissional, seguramos as lágrimas que se disfarçam em risadas, ensaiamos embriaguez no final do domingo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À tarde no escritório as pessoas comem bolachas, nunca biscoitos. Nos finais de semana as pessoas “dão risada”, nunca gargalham. Algumas coisas em São Paulo são “embaçadas”, e não são necessariamente vidros ou lentes. Outras ficam “zoadas”. Tem gente que “causa” na balada. E todo mundo atende pela primeira sílaba do nome, até mesmo Ana pode ser reduzido a “Ã”. Em São Paulo é assim: acostume-se com o dialeto, imite o sotaque, faça parte. Alguém vai te sacanear quando você falar “treix” ou “meixmo”. É a sua chance de sacanear de volta, com requintes irônicos que nem o mais erudito paulistano alcançaria: quer que eu te imito?, pergunte, e ria por último e melhor (e sozinho).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim de semana em Higienópolis, Aderbal e eu nos fazemos companhia. Em poucos minutos entendo seus miados e chamados, e em questão de duas ou três trocas de olhares nos gostamos tanto que ele deita no meu colo, se esparrama, fica dengoso e meu. É uma delícia, não fosse o pequeno acidente que ocorre depois de cerca de uma hora: sem querer, eu como o Aderbal. Ele solta tanto pêlo que começo a sentir na minha garganta seus cabelos, entro em pânico pensando que os pêlos todos do Aderbal se alojarão na minha garganta. Percebo, porém, que ele não encolhe, ufa. Saio do apartamento aliviada, e então, rá!, como minhas luvas e o cachecol, e, dependendo do figurino, como o meu casaco também. E comeria qualquer coisa que fosse feita de lã e se desfizesse aos poucos encontrando trajetos que levam o tecido a se acumular diretamente na minha garganta. Comeria outros bichos também. Papo estranho, melhor mudar de parágrafo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ando atenta pelas barracas da feira e aumento para 3 o número de itens da minha coleção de latas de talco antigas, questiono se de fato a denominação procede. Acho que sim. Quero que sim. As barracas de brinquedos antigos afirmam nosso saudosismo, e compro um Snoopy vintage para o sobrinho, que provavelmente terá mais interesse em coisas que piscam. Suspiro. Quem sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apita no meu celular uma mensagem enquanto atravesso o viaduto do chá: “ainda na terra dos bandeirantes?”. Certamente. Fugindo da multidão que invadiu a Liberdade no domingo de feira, e acho tudo naquele bairro um horror, de modo que nem um sashimi me salva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiro fotografias sem ter qualquer noção de que elas mostrarão tudo o que quero lembrar e, num descuido, queimo 24 poses de recordações. Desconsolo na Sé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico com uma enorme vontade de me apaixonar por alguém, pior: preciso me apaixonar por alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento: entro na Catedral, dou bom dia a um monge na porta do Mosteiro de São Bento, cruzo a Ipiranga e a Av. São João e o máximo que me ocorre é um espirro. Há que ser muito Caetano para mapear poesia em cruzamentos no nervo da cidade, e então um estalo. A maioria das ruas por onde tenho circulado não tem sinal (ou farol?) para pedestres e portanto a cada rua que cruzo, prevejo minha própria morte. O máximo que eu poderia sentir no coração ao me deparar com tal cruzamento deve ser algo parecido com a dor do fim. Não há romantismo que resista a tanta ameaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pausa. Fico cansada no fim do dia, me reconcilio com os óculos, pego um ônibus errado mesmo assim. Consigo estabelecer uma rotina para toda a homeopatia e sem mais determino: estou melhor, estou esquecendo, estou voltando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canto: desafino, dou gritinhos, rio no meio da letra e tenho uma inveja estúpida de quem sabe tocar violão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o fim do exílio: malas prontas a serem entupidas de tudo o que adquiri, responsabilidades e funções novinhas em folha, um ainda não saber como viver longe do Nintendo Wii, uma preguiça de deixar aqui toda essa gente querida que eu adoraria carregar no bolso: sentir saudades de novo, calor de novo, e atravessar os mesmos rostos nos velhos bares, evitar as mesmas farpas e limpar o armário toda semana por causa do mofo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudade eu tenho dessa cidade que ainda mal conheço, da Paulista quando é noite ou dia, das árvores de Higienópolis, do avesso do avesso do avesso do avesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguma coisa acontece no meu coração quando pego a ponte aérea, vejo os termômetros de São Paulo marcando 14 graus e sinto que pertenço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-6118441184264580719?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/6118441184264580719/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=6118441184264580719' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/6118441184264580719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/6118441184264580719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/05/diarios-de-sao-paulo.html' title='Diários de São Paulo'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-2898220019792449739</id><published>2010-05-08T12:43:00.002-03:00</published><updated>2010-05-08T12:47:56.057-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='top 5'/><title type='text'>Top 5</title><content type='html'>Características da linguagem regional:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. “Brigada eu” – é um esquisito sinônimo para o “de nada” que falamos após um agradecimento. Eu, que pensava detestar gente que diz “por nada”, me vejo agora às voltas com “brigada eu” naquele sotaque anasalado de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. “Imagina” – é mais um sinônimo para o “de nada” ou o “brigada eu” e na maioria das vezes é dito "magina", ocultando-se a primeira vogal, como no "brigada eu".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. “De quinta” – ou “de” + qualquer outro dia da semana. Ao chegar ao trabalho e fazer um comentário sobre o trânsito daquela manhã, alguém diz que “de sexta é um caos”. Ao perguntar a alguém sobre os horários de um museu, “de segunda não abre”. Ou qualquer outra coisa: “de domingo tem feira aqui na esquina”, “de quinta é mais caro pra entrar” e etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Plural – por alguma razão obscura, os paulistas não aprenderam a usar o plural na escola. Nenhum paulista: do trocador de ônibus às pessoas que passaram pelo ensino superior, todos adotaram o singular como número absoluto. O curioso é que tal regra vale para substantivos, porém cai em desuso para artigos, o que acarreta frases recheadas de: as blusa, os carro, os vestido, os mano, as mina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Subjuntivo – deve ser alguma emenda especial na pasta da Secretaria de Educação: os paulistas também não aprenderam a usar o subjuntivo na escola, e o que se escuta o tempo todo é uma espécie de dialeto verbal: quer que eu telefono? Quer que eu levo? Quer que eu busco? Eu não sei ainda como reagir a essas perguntas, na dúvida digo sempre que não porque estou convencida de que existe um significado oculto em tudo isso. Quer que eu te mostro?, me perguntou alguém outro dia, e eu saí correndo de medo pela av. Paulista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-2898220019792449739?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/2898220019792449739/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=2898220019792449739' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2898220019792449739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2898220019792449739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/05/top-5.html' title='Top 5'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-6812883697522740930</id><published>2010-05-05T21:50:00.007-03:00</published><updated>2010-05-05T22:22:23.131-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='os dias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gastronomia'/><title type='text'>O dia em que cortei cebolas</title><content type='html'>Teve garoa à tarde no dia em que cortei cebolas, e porque desde que cheguei nessa terra só fazia calor e sol eu pensei que a chuva fina tinha um quê de especial porque anunciava o frio, o casaco de lã, um guarda-chuva novinho em folha e quiçá epifanias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desci a Rua Augusta cantando e, distraída que estava, fui andando pra casa sem me importar com a poluição. Não arrisquei respirar fundo, porém, seria um descuido e uma impossibilidade, visto que por volta das 18 horas o nariz começa a entupir: em São Paulo, parece, até a alergia é profissional e cumpre horário de trabalho. E junto da alergia vem essa coisa que dá nos olhos, e que é um misto de coceira e ardência, e atravessei a 9 de Julho pingando colírio, aquele prescrito cheio de substâncias e que promete aumentar a produção de lágrimas, essas que haviam sido decretadas escassas e insuficientes para meus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já andava pelas ruas engarrafadas do Itaim quando entrei no supermercado, uma vontade de comer massa ou qualquer outra comida que ficasse pronta depois do simples e sublime ato de ferver água: brócolis para acompanhar, queijo derretido pra jogar por cima e gelatina de sobremesa. E uma salada de tomates e cebolas, que aí é mais mágico ainda e só precisa de azeite. Com sorte haveria ainda alguns goles de vinho no armário, e mesmo que não houvesse, eu ficaria enrolada em cachecol, esquecida no sofá. Com mais sorte ainda, dessas que nem amuletos ou simpatias garantem, a gata passaria mais um dia sem me atacar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Panelas no fogão e abridor de vinho decifrado: seriam necessários mais lenços de papel, mais gotas do suposto milagroso colírio e em outros dias seria preciso, também, janelas anti-ruído que silenciassem os esperançosos torcedores do Corinthians.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no dia em que eu cortei cebolas nada poderia estragar minha noite, tamanha foi a especialidade do evento anunciado pela garoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia em que cortei cebolas o porteiro me deu boa noite me chamando pelo nome, eu fui útil na Alameda Lorena e o risoto do almoço compensou a espera. O ponto alto do dia em que cortei cebolas teria sido o fato de que a gata lambeu meus dedos da mão, selando o começo de algo que pode vir a ser uma grande amizade de 3 semanas. A revelação, porém, era outra: no dia em que cortei cebolas chorei lágrimas em abundância.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-6812883697522740930?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/6812883697522740930/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=6812883697522740930' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/6812883697522740930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/6812883697522740930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/05/o-dia-em-que-cortei-cebolas.html' title='O dia em que cortei cebolas'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-9023418590206893761</id><published>2010-05-01T02:40:00.003-03:00</published><updated>2010-07-09T14:08:25.601-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o amor'/><title type='text'>Diálogos com um(a) sobrinho(a) - vol. I</title><content type='html'>Era um baldinho em forma de peixe, desses que as crianças levam para a praia cheio de ferramentas dentro: pás e forminhas para fazer bolinhos de areia. Ou buracos que nos levariam ao Japão, à China, e a um monte de outros países que ainda nem sei se aprendi direito: um dia sentaremos juntos em frente a um globo iluminado e escolheremos todos os destinos que couberem em nossos cadernos de viagem: sim, é bacana manter cadernos de viagens, e outros tantos um pouco inúteis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois foi uma caixinha pequena, de papelão e cheia de cores, de onde juntos puxaríamos diversos cartões, e em cada um deles haveria o começo de uma história: era uma vez. E então caberia a nós continuarmos: poderíamos separar príncipes de princesas, inventar bruxas dóceis, fabricar céus de marmelada e árvores de tangerinas (um dia, fatalmente, você descobriria que os Beatles já tinham inventado isso antes, mas tudo bem).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os casacos de plush: com capuzes e aconchegantes, mesmo que a nossa cidade seja esse exagero de calor e suor, e os sapatinhos: olhando os sapatinhos eu pensei que era mais lógico que bebês andassem (ou não) descalços, com os pezinhos sempre acima das cabeças, ensaiando passos de dança acrobático enquanto alguém já crescido empurra o carrinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí eu comecei a perceber que já estava elitizando ensinamentos e lições para você: eu tinha pronta uma lista de verdades e mentiras sobre o mundo, prós e contras sobre tantos aspectos da existência, e dicas para economizar água. Quanta besteira: seu mundo vai ser outro, vai ser, exatamente, o que você escolher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando eu resolvi que qualquer coisa seria piegas, e porque essa é a nossa primeira despedida, resolvi enfiar o pé na jaca. Pra você, neném, eu afirmo isso: invente o seu deus, escove os dentes toda noite antes de dormir, escute toda a música que puder, cultive paixões e escolha sempre as pessoas que vão te ajudar a fabricar sonhos: são elas as melhores, as mais especiais, e as que vão te servir de bússola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São só 3 semanas: eu voltarei cheia de presentes, saudades e essa felicidade sobre a qual ainda não aprendi a escrever.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-9023418590206893761?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/9023418590206893761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=9023418590206893761' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/9023418590206893761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/9023418590206893761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/05/dialogos-com-um-sobrinhoa-vol-i.html' title='Diálogos com um(a) sobrinho(a) - vol. I'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-1548807537989665245</id><published>2010-04-11T20:21:00.004-03:00</published><updated>2010-05-05T22:10:42.796-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diários'/><title type='text'>Diários de São Paulo</title><content type='html'>(vol. I ou - O Amor Segundo Hélio Oiticica)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou aqui nesse lugar onde tudo é comprável e tanta coisa acontece no meu coração que fica difícil priorizar: eu ainda te odeio, mas tenho uma vontade de te participar de cada passo que dou quando cruzo avenidas bem mais largas que as nossas, eu ainda te adoro, mas tenho ímpetos violentos e irreversíveis à mera menção do teu nome: te xingo, por via das dúvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através da vitrine não conseguimos ver muitas coisas, mas eu já sei quais são os livros que elas precisam ver, e quais são os trecos e coisas divertidos que nos farão rir e emendar piadas: nos deliciamos em almofadas bordadas de John-Paul-George-Ringo e cobertas de veludos: faz frio, eu coloco as mãos nos bolsos da minha jaqueta de couro e digo a elas que não, gente como nós nunca vai parar de tomar Prozac ou de fazer listas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico ligeiramente preocupada no avião: será que essa mania é de fato tão neurótica quanto eu penso que é? E se ninguém mais me agüentar? Tanto faz, decido: tem gente que bebe, tem os que jogam paciência no computador, tem gente que faz aula de artesanato e pronto: eu faço listas, é minha terapia ocupacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamo de mau gosto as vitrines do Bom Retiro, e guardo delas fotografias que me provam o contrário, não sei explicar, mas é assim que ocorre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;Sex is an illusion. The most exciting thing is not making it.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, diz o Andy Warhol. Será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passeio pelo Museu do Futebol e, confesso: choro. Duas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu guarda-chuva quebra na Augusta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me reconcilio com Hélio Oiticica na Av Paulista porque finalmente faz sentido penetrar uma de suas obras, e entendo pra que servem, afinal, as Cosmococas. Não são epifânicas, não superestimulam seus sentidos, não te fazem cruzar a porta de saída pensando em questões da arte ou do mundo, não te deixam hipnotizado por cores ou traços, não provocam rupturas, não causam o impacto da sessão de quadrinhos da Livraria Cultura, não, não, não: no escurinho de uma Cosmococa casais espalhados em colchões trocam beijos estalados e melados, eu saio de fininho encabulada porque não sei amar, prevejo um baby-boom e nenéns vestidos em Parangolés, e compreendo: &lt;em&gt;all you need is love.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Na bancada de uma cozinha em Higienópolis ouço a melhor definição que se pode fazer sobre alguém: ele não tem super-ego. E crio uma cumplicidade tão boa e grande que me esparramo no sofá, fico com as bochechas rosadas de vinho e me enrosco num gatinho ruivo que minutos antes tentava comer meu cabelo e que agora ataca meu pulso esquerdo com mordidinhas e miados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Almoço risoto na Livraria da Vila, onde sempre sou feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre sou feliz em São Paulo, concluo, e cada vez mais, sobretudo quando há uma lareira ao lado de um quarto com papel de parede retrô. Ou um flamingo de acrílico quebrado na sala. Ou todos os livros do Snoopy em inglês. E toda essa gente que me faz chacoalhar em gargalhadas revigorantes, os dias passam tão rápidos e sedutores aqui que só me dou conta no avião a caminho de volta pra casa que não penso em você há três dias, e rezo pra finalmente chegar o dia em que eu possa perder as contas e nem precise mais somar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em casa, ela me conta que perdeu o vôo de novo, sempre, que coisa insistente. Combinamos voltar em breve, aproveitar o frio, paquerar almofadas milionárias e comer como rainhas. com sorte, quem sabe, e com todo esse bom-humor, se esbaldar na Tropicália de braços dados com alguém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-1548807537989665245?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/1548807537989665245/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=1548807537989665245' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/1548807537989665245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/1548807537989665245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/04/diarios-de-sao-paulo.html' title='Diários de São Paulo'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-3092162408210641670</id><published>2010-04-07T15:25:00.004-03:00</published><updated>2010-07-09T00:09:46.214-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela com chuva'/><title type='text'>O desabotoado céu - volume definitivo</title><content type='html'>(para Betinha, Bruna e Clara, pelos lenços de papel)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas começaram a desabar todas juntas: eu tropecei numa pedra portuguesa num domingo, engasguei quando entendi que eu tinha inventado muito mais dele do que devia, perdi diversos botões de tantas roupas e uma motosserra rangeu por três dias e três noites me deixando numa insônia devastadora onde desaprendi a ouvir música. Caiu, então, uma chuva que pedia uma sequência inevitável de clichês: guarda-chuva virado ao contrário, água nas canelas, RJTV filmando gente de barquinho pelas ruas, preocupação de mãe, coração estilhaçado e um choro desatinado que demandava abraços, colo e vodca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era sábado, minhas roupas encharcadas pendiam no varal da casa dela (sempre ela!) enquanto eu me esforçava para parar de gaguejar, alguma coisa escorria de mim numa velocidade surpreendente, e minhas mãos tremiam. Aquele dia voltei pra casa a 10 por hora, coloquei um cd no som do carro, mas eu apenas não sabia mais como fazer: para ouvir música, para ouvir histórias, para achar que tudo ia ficar bem, para entender que agora era eu sem ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as águas baixaram e a cidade começou a secar eu já estava enjaulada em obsessões habituais: listar músicas com a palavra “olhos” (ou eyes – mais ou menos 20 de cada), discutir relação por email, mimar o cão e, aos poucos, colocar no som os cds e lembrar que algumas músicas são como navalhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aconteceu, então, que depois de muitos dias de calor e mar, a rua começou a despencar, com lamas e folhas que desciam nem sei de onde, e barulhos tão próximos e assustadores que pensei em fugir no meio da noite, sem nem dar tempo de inventariar o que eu carregaria comigo. A cidade toda começou a cair de novo, meus remendos se rasgaram com a mesma violência com que as encostas deslizaram e então tudo ficou em alerta. Dessa vez foi o prefeito quem decretou que evitássemos sair, e sem álcool, bobagens ou ânimos, vimos os dias cinzas separadas em nossas janelas sempre com o telefone ao alcance. Lemos quadrinhos e poesia, pregamos os botões das camisas e das calças e por fim juntamos nossas obsessões numa lista que somou 96 canções, umas com a palavra “rain”, outras com a palavra “chuva” no título. E porque aqui as coisas estavam realmente tristes e doloridas, e porque o Morrissey insistia em cantar “&lt;em&gt;come back to Camdem&lt;/em&gt;”, comprei minha passagem para onde por duas vezes fui extraordinariamente feliz. Chove sempre na Inglaterra, me disseram. Tudo bem, em mim também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-3092162408210641670?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/3092162408210641670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=3092162408210641670' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/3092162408210641670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/3092162408210641670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/04/o-desabotoado-ceu-volume-definitivo.html' title='O desabotoado céu - volume definitivo'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-8934435003472189605</id><published>2010-03-30T21:07:00.004-03:00</published><updated>2010-03-30T21:14:37.017-03:00</updated><title type='text'>Era uma vez</title><content type='html'>Me convenceram de que pizza fica melhor com guaraná, que um raio-laser me faria enxergar o mundo desembaçado em no máximo 48 horas, que mentos com coca-cola explode, que beber água de cabeça pra baixo cura soluço, que oferecer ovos a Santa Clara pode ser eficaz, que São Longuinho devolve as coisas perdidas por apenas 3 pulinhos, que Elvis não morreu, &lt;em&gt;&lt;strong&gt;que tu te tornas eternamente responsável por tudo aquilo que cativas,&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; que o que não mata engorda, que o cão é o melhor amigo do homem, que se deve entrar o ano de pé direito, que os Beatles são mais famosos que Jesus Cristo, que se não for infinito então que seja eterno enquanto dure, que o Obina era melhor... do que quem mesmo?, que antes tarde do que nunca, que antes só do que mal acompanhada, que aqui em se plantando tudo dá, que ovo faz mal, depois que ovo faz bem, que tudo se acaba na quarta-feira, um engov antes e outro depois, o sonho acabou, e, comprovadas ou não, é bom se apegar a essas certezas, quaisquer que sejam, quando a vida fica assim, fora do lugar e irreal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;::&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ARXDK0qEZbE"&gt;By my side&lt;/a&gt; - INXS&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-8934435003472189605?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/8934435003472189605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=8934435003472189605' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/8934435003472189605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/8934435003472189605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/03/era-uma-vez.html' title='Era uma vez'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-1138474509624723953</id><published>2010-03-08T15:11:00.003-03:00</published><updated>2010-03-09T12:29:54.859-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aspas'/><title type='text'></title><content type='html'>Manual para conquistar pequenos mundos,&lt;br /&gt;de Michel Zózimo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não descarte nada que respire;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Considere as coisas que não se movem;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Trace mapas imaginários que não escapem do presente;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calcule a distância da ponta dos seus dedos da mão até o infinito;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Descubra a medida do esquecimento;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Encontre o centro do oceano, imaginando que isto é impossível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-1138474509624723953?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/1138474509624723953/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=1138474509624723953' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/1138474509624723953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/1138474509624723953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/03/manual-para-conquistar-pequenos-mundos.html' title=''/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-2454549089311623006</id><published>2010-03-05T17:12:00.003-03:00</published><updated>2010-07-09T00:07:21.647-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='post-it'/><title type='text'>Choosing my confessions</title><content type='html'>Se for egocentrismo imaginar que o consulado americano vai investigar cada uma das informações informadas no formulário de requerimento de visto para os USA, se for tão ridículo pedir pra mãe ir ao dentista pra segurar minha mão, se for delírio concluir que sinusite só dá de manhã, ou toda vez que eu acordo, se for inevitável morrer de amores por Afrin, se for preciso morrer de amores por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se for heresia ter fé em Paul McCartney, se for obsessão essa minha relação com o Morrissey, se for sempre tão incrivelmente saudável viajar com elas, se for essencialmente vital que elas sejam sempre um pouquinho só minhas, e vice-versa, se for incontrolável comprar inutilidades e coisas sem mais nem porquê para presentear dois ou três amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se for tão perfeito viajar sozinha e querer aprender a língua local com uma semana de antecedência, se esses rompantes de vontade me fizerem pegar a estrada e inventar todas as soluções ao mesmo tempo sem parar pra pensar em medos, se for patético ter crise alérgica em quartos que seriam reprovados pela vigilância sanitária, se for nocivo beber, se for indecifrável o alcance e a largura dos teus olhos quando esbarram em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se for normal o ciúme, se for apaziguador beber vinho, se for decente o preço da ponte-aérea, se for sempre reconfortante o nosso encontro, se for sempre tão consolador dar de cara com crises existenciais por email, se for sempre tão gostoso ver o quanto você cresceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se for sempre tão esclarecedor esse falatório na hora do almoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se for sempre tão acolhedor ver TV, se um dia eu me convencer a escrever um livro, se eu fizer o que mais gostaria de tentar, se eu conseguir saber de cór cada pedaço da tua pele e tuas medidas, se eu tiver coragem, se fizer sol, se o filme não queimar, se não tiver fila pra ver o Matisse no museu, se ela for me buscar no aeroporto, e mesmo que nada disso seja certo ou tenha razão... diz que sim quando eu te perguntar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-2454549089311623006?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/2454549089311623006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=2454549089311623006' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2454549089311623006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2454549089311623006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/03/choosing-my-confessions.html' title='Choosing my confessions'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-5689497273937641717</id><published>2010-02-26T14:52:00.002-03:00</published><updated>2011-02-15T12:09:02.321-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='peanuts'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tirinha'/><title type='text'>it's getting better all the time</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/S4gKmos-DDI/AAAAAAAAAYI/KOGfFxXWIQI/s1600-h/310136_full.bmp"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5442611808554585138" src="http://3.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/S4gKmos-DDI/AAAAAAAAAYI/KOGfFxXWIQI/s400/310136_full.bmp" style="display: block; height: 82px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-5689497273937641717?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/5689497273937641717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=5689497273937641717' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5689497273937641717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/5689497273937641717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/02/its-getting-better-all-time.html' title='it&apos;s getting better all the time'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/S4gKmos-DDI/AAAAAAAAAYI/KOGfFxXWIQI/s72-c/310136_full.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-2588970434979726258</id><published>2010-02-23T22:35:00.001-03:00</published><updated>2010-07-09T00:14:17.949-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='extratos'/><title type='text'>Reveillon</title><content type='html'>De repente você não consegue mais lembrar porque foi parar no meio daquele fim de semana em Búzios, qual era o nome da praia onde você descobriu que precisava assistir a todos os filmes do Kubrick e nem em que quarto dormiu, se com um ou com outro, ou se sozinha enrolada num lençol fininho e sem dar qualquer espirro. De repente você tem uma saudade torturante do apartamento onde as coisas permaneciam secas, de dividir o banheiro, de subir a escada de mansinho pra se largar frente à TV. De repente você fecha os olhos e consegue catalogar todos os sorrisos que ele sorriu ao longo de dez anos, desde a escuridão de uma boate onde você parecia uma punk até o bloco de carnaval mais recente, passando por todos os seus sonhos e por todas as cenas que nunca aconteceram. De repente o que você mais deseja é que as coisas possam ser um pouquinho parecidas com o que já foram um dia: quando não havia abridor de vinho num apartamento onde a TV era a pior do mundo, quando eu era a única pessoa que não tinha idéia do que era um plano-sequência, quando eu disfarçava paixão, quando eu era mais parecida com o que eu achava que seria em algum futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente o Paul McCartney parece ser o único sujeito confiável do mundo e só o que faz sentido são caixas empilhadas de tylenol sinus sendo consumidas diariamente ao volume ensurdecedor de silly love songs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você se assusta ao encontrar vaga-lumes e entra em Cosmococas aguardando acontecimentos ou revelações, controla ansiedade tirando fotos em câmeras antigas de filmes, chora dias a fio olhando pros quadros que pintou na infância, compara a venda da casa de campo com a morte da goiabeira, desmarca o dentista com medo de que morra sufocada por causa da sinusite e pensa que tudo, tudo mesmo, pessoas, memória, lugares e ideias estão acabando rápido demais, e até dor de cotovelo tem aparecido menos, ou incomodado menos, ou talvez seja só uma questão de aprender a ignorar mais: os dias de sol, os chamados dele, o fato de que já compuseram músicas novas desde 1976, a superexposição, o amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você se sente meio idiota porque nunca consegue preencher o pedido de visto pros EUA, sonha que está em NY comprando todos os livros do Avedon sem se importar com o peso: da mala, da moeda, da obsessão, e isso é o que existe em comum entre viagens e sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente você confessa ciúmes e descrenças com a mesma facilidade, planeja se mudar pra fora do país, dá palpites em roteiros alheios, lê biografias em francês e fica tão completamente só nadando crawl na piscina, e quando se dá conta já é quarta-feira de cinzas e o ano, parece, começou. De repente você entende que precisa começar também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-2588970434979726258?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/2588970434979726258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=2588970434979726258' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2588970434979726258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2588970434979726258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/02/reveillon.html' title='Reveillon'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-2007697879257396784</id><published>2010-02-02T22:33:00.005-02:00</published><updated>2010-07-09T00:14:56.172-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bang-bang'/><title type='text'>(sem título)</title><content type='html'>Vou de encontro aos teus suspiros urgentes, rasgo um pedaço da tua calma, mas não sei como seguir adiante porque tropeço, sempre. Sinto falta dos teus sorrisos, de cochichar no ouvido e de quase cair da cama. Sinto falta de ternura. Nunca soube te dar respostas, nunca te convidei pra entrar. De novo. Abro a porta sozinha porque já não acredito mais nos teus desejos. Acordo quatro horas depois sem saber o que aconteceu. Mas imagino brigas, tua brabeza entre dentes serrados, tuas mãos vazias de mim, e vejo os paetês do meu vestido caídos no chão, nenhum sinal dos teus cabelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Construo justificativas possíveis, mas já é tarde demais pras tuas vontades efêmeras. O comprimido aplaca a ressaca. E o teu silêncio, quem cura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;::&lt;/strong&gt; &lt;span style="color:#993399;"&gt;but darling when I hold you, don't you know I feel the same?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Axl Rose in &lt;em&gt;November Rain&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-2007697879257396784?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/2007697879257396784/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=2007697879257396784' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2007697879257396784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/2007697879257396784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/02/sem-titulo.html' title='(sem título)'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-8572021551115675031</id><published>2010-01-22T16:18:00.002-02:00</published><updated>2010-07-09T00:07:55.719-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gastronomia'/><title type='text'>As tangerinas do meu tempo</title><content type='html'>Era sempre primavera ou verão, e especialmente os meses de outubro e novembro, que era quando as jabuticabas estavam prontas para serem devoradas. Antes disso era esperar pacientemente, dar pulinhos quando as primeiras bolinhas verdes apareciam nos galhos, e torcer pra que pipocassem logo nos três pés da fruta, além de condicionar todo o nosso desejo por elas, pra que casassem com os meses certos em que poderíamos colhe-las. Por sorte, havia uma mãe bastante convincente que nos incentivava a saborea-las ali mesmo, ao pé da árvore, sem água ou lavagem. “É da natureza”, ela dizia, e seu argumento era o suficiente. Subíamos o mais alto que alcançassem nossas perninhas para pegar os frutos gordos, e escapavam suspiros quando elas estavam já murchas, bicadas por passarinhos: felizes por eles, e com uma pontinha de inveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo com as goiabas: é da natureza. Mas também eram da natureza os bichos que eventualmente as habitavam, e por isso eu nunca comi goiabas. Por via das dúvidas, nunca comi, também, goiabadas ou qualquer derivado da fruta. Gostar de goiabas, como se pode deduzir, era bem mais complicado que gostar de jabuticabas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amoras, então! Quase sempre azedas e fazendo ameaças de manchas nas roupas e biquinis, só dava uma vez por ano e era um salve-se quem puder: crianças afoitas ao redor do pé que era alto demais pros nossos bracinhos. Comer amoras começou a ser legal depois dos 12 anos, ou a partir de 1m40.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais convidativas eram as mangueiras, cheias de galhos grossos que pareciam ter sido esculpidos pras nossas aventuras de escalada, e que ficavam bem mais atraentes com a ajuda de uma cadeira estrategicamente posicionada. As boas eram as mangas Carlotinha, que eu jurava terem sido batizadas assim pela minha mãe (que então tinha a mania de cantar músicas que eu também jurava terem sido inventadas por ela, mas isso é outra história). E sim, já sabíamos que as mangas eram da natureza, e por isso cravávamos os dedos casca adentro e comíamos as Carlotinhas lá no topo das árvores, e deixávamos o líquido laranja escorrer, e chupávamos o caroço, e às vezes até o roíamos um pouquinho até sentir os dentes cheios de fiapos. E se desse preguiça era só sacudir um pouco os galhos que caíam as mangas, e tinha dias em que nem precisava e que descobríamos as frutas esparramadas pelo gramado, ou entre os dentes dos cães sortudos que as atacavam com igual prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mangas em abundância viravam uma sorte de produtos que comíamos depois do almoço: sorvete, suco e doces que a minha avó preparava, e que lotavam o freezer e a geladeira, e todos tão naturais que nos restavam fiapos nos dentes também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Difícil mesmo, e bem mais complicado que gostar de goiaba ou alcançar as amoras, e bem mais saborosa que qualquer manga, era a tangerina. Eu nunca me conformei com a sazonalidade da tangerina, e vivia perguntando se já estava na época. Janeiro, fevereiro, março, abril, maio, todo mês eu perguntava, na esperança de que algo pudesse ter alterado o curso da tangerina na história do mundo, ao menos do meu mundo. Pra piorar, não havia pés de tangerina na casa de campo. A época de tangerina, portanto, era a mais aguardado do ano, e passava tão rápido que dava vontade de chorar. Eu perseguia o sorveteiro (Itália) na praia, e na maioria das vezes era obrigada a um confronto cruel (e suado) com a realidade: tangerina não tem, serve manga? Era tão frustrante que eu comia o sorvete de manga desbaratinada enquanto, sem querer, levava à morte por pisões meus pobres castelos de areia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;27 anos se passaram até eu dar de cara com tangerinas no supermercado em janeiro. Eu nunca cogitei que se pudesse comer tangerinas em janeiro, mais dramático, até: eu me conformei que não comeria, nunca, tangerinas em janeiro, e condicionei todo meu amor por tangerinas para a época em que elas floresciam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente pareceu que eu não precisava mais gostar de jabuticabas só em outubro, e que poderia ser viável comer, sei lá, morangos em março. O gosto da liberdade, ainda que eu estivesse meio escondida atrás de uma gôndola de carnes, foi tão mágico quanto alcançar sozinha a primeira amora, tão surpreendente quanto se dar conta de que havia comido mais de cem jabuticabas em meia hora, tão delicioso quanto ter o rosto inteiro besuntado de manga, só que muito mais, como dizer, espontâneo, porque isso sim, ah isso sim: comer tangerinas no supermercado em janeiro foi uma enorme transgressão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-8572021551115675031?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/8572021551115675031/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=8572021551115675031' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/8572021551115675031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/8572021551115675031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/01/as-tangerinas-do-meu-tempo.html' title='As tangerinas do meu tempo'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-7533208403564031194</id><published>2010-01-18T23:17:00.001-02:00</published><updated>2010-07-09T00:14:34.425-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='extratos'/><title type='text'>Aprender a ser só</title><content type='html'>O banheiro, outrora abrigo constante de borboletas, hospeda agora gordos mosquitos que não saem de lá nem às custas de SBP, e em algum lugar do quarto, provavelmente atrás de todas as coisas empilhadas, eles fazem casa também: minhas pernas indicam que ando pela selva. E não pode ser coincidência que o autor do livro que agora leio seja a) escritor de um personagem que é igualmente devorado por mosquitos, b) filho da Sophia de Mello Breyner Andresen, c) português, d) narrador de solidões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que parece impossível sentir solidão com tantas picadas de mosquito, e que é incongruente isso em janeiro, inexplicável, até. Mas sim, me acomete às vezes sentir uma que parece pior que todas as outras, que dá junto com uma saudade desconjuntada de pertencer a algumas vidas que me deixaram de lado, que vem junto com o balanço de mar em praia lotada, que me angustia tanto quanto boiar sem óculos e, portanto, sem saber ao certo a distância das ondas que a qualquer momento podem me engolir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E são tantas as solidões que me aparecem, não só as minhas, mas as de pessoas que eu pensei que pudesse consolar, as de gente que eu achava que sabia ouvir, as de amigos que eu jurava que se soubessem acolhidos por aqui, e as de finais tão fortemente anunciados que só podiam ser mentira, e que não eram, e ai que dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Solidão de filme de ficção, de capa de revista semanal, das manchetes, das missas, de mais de quinhentas páginas na mesinha de cabeceira, de acordes e ritmos lentos que se demoram mais que o sol, e uma certeza de ser tão só que escorrem lágrimas genuínas de pequenos roxos que se acumulam nos joelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo passa. É verão e já se fala em carnaval, já se pensa em fantasia e nas irresponsabilidades consentidas, nos disfarces e máscaras necessários, nas serpentinas e alegrias já tão treinadas que aplacam chororô, pelo menos até a quarta-feira de cinzas. Até lá, aumentar a lista de resoluções de ano-novo: 1) evitar as pancadas no box do chuveiro, 2) entender o final das coisas, 3) tomar complexo B ou mudar a marca do spray repelente, 4) jamais entrar no mar desacompanhada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-7533208403564031194?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/7533208403564031194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=7533208403564031194' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7533208403564031194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/7533208403564031194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/01/aprender-ser-so.html' title='Aprender a ser só'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-8738594821705270327</id><published>2010-01-05T00:23:00.003-02:00</published><updated>2011-02-15T12:37:32.522-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bang-bang'/><title type='text'>Começar de novo</title><content type='html'>Espalho pelo corpo uma lama do Mar Morto cheia de promessas e vejo a cor esverdeada escapar pelo ralo do boxe: água fria, sabonete líquido, xampu pra cabelos mistos e o verão pela clarabóia: hoje só mesmo um vestido, milimetricamente cortado para atrair teu olhar mais atrevido, aquele que é teu preferido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Água termal no rosto, compressa de soro fisiológico para as olheiras, essa noite dormi com hipoglós na cara, dizem que faz bem pra clarear um pouco as manchas: sol durante o dia, sal em cada mergulho, fator de proteção e chapéu de palha, mas mesmo assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cremes do corpo e as essências: me demoro após o banho, com perfume estratégico e me permito caprichos bobos típicos dos dias de festa: secador de cabelo, rímel, outra camada de esmalte, hidratante especial para os pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolho o sapato de salto que já sei, e que me deixa na altura exata para repousar a cabeça no teu peito, o nariz na curva do pescoço. Providencio um coque displicente, nuca à mostra, grampos pouco firmes que a qualquer momento podem desabar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coloco o vestido e ensaio uma voz calma e insinuante, palavras silabadas que saem por entre o batom suave: taça de vinho marcada, salada de entrada, profiteroles na saída. Sento na mesa ao fundo, estudo meus gestos, faço charminho pro espelho. Espero a conta cantarolando a trilha sonora que tanto escutamos juntos. Passo pela tua mesa, num soslaio vislumbro tua boca se abrindo e então, em passadas leves, flutuo até a porta com o brilho do álcool e da minha vingança nos olhos: chamo um taxi e finjo que não te vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;::&lt;/b&gt; &lt;span style="color: #ff6600;"&gt;"Não tem mistério, já / eu posso suportar mais que um janeiro sem te ver"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Moreno+2 in &lt;i&gt;Rio Longe&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18568015-8738594821705270327?l=euescrevoeteconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/feeds/8738594821705270327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18568015&amp;postID=8738594821705270327' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/8738594821705270327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18568015/posts/default/8738594821705270327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2010/01/comecar-de-novo.html' title='Começar de novo'/><author><name>Julieta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17677386928765056397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/_BikpKNO6ZDk/TQE1VjfznUI/AAAAAAAAAhc/udx72Fcv-dw/S220/na%2Bpraia%2B.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18568015.post-3712833055141238243</id><published>2009-12-22T23:30:00.004-02:00</published><updated>2010-07-09T00:08:42.091-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='post-it'/><title type='text'>Come rain or come shine</title><content type='html'>(da série "coisas que ajudam a viver", ano 2009)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas inusitadas que aparecem eventualmente numa mesa do Baixo Gávea, e que variam desde um bolo de chocolate ainda no tabuleiro até &lt;em&gt;clémentines&lt;/em&gt; deliciosas vindas diretamente de Paris. Quarteirão com queijo especial. Todos os brigadeiros de muitos milhões de reais que podem ser devorados ao lado da Pizzaria Guanabara. A ansiedade de buscar o negativo revelado na loja de fotos, e poder conversar com o vendedor sobre os filmes, mesmo que você não tenha o mais vago conhecimento sobre o assunto. O Jobi e o Diagonal, dois bares para os quais nunca se deve dizer não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Grupo Corpo, mesmo quando não é incrível, mesmo quando é longe pacas, mesmo quando não acontece tanta mágica. Bruno Cesário e Joaquim Tomé quando dançam juntos de preto. O Tony, quando gargalha dando aula e me diz para atacar mais. O Toni com "i", quando me pega no colo. O celular quando apita mensagens contendo a palavra “tigresa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os livros que eu posso ler, mesmo os ruins, mesmo os que não permanecem, mas especialmente os que me dão vontade de querer alguma coisa. Os quadrinhos de Peanuts, e poder envia-los por email. Os emails de madrugada que nos servem de confessionário para vergonhas escondidas. As conversas salvas de msn que posso colar no caderno como lembrança. Belle and Sebastian, sushi e sashimi. Uma credencial que guarda as emoções de um desfile de inverno, o livro de Ronaldo Fraga na estante. Assistir a um pedacinho do José Luis Peixoto na TV, sem querer. Passar o dia na piscina a devorar torradinhas com pasta e saber que isso é felicidade quando os amigos estão juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dar asas à insegurança no Tok &amp;amp; Stok. Ou na Zara. Ou no Hortifruti. Ou no Zona Sul. O almoço do dia primeiro de janeiro, sempre. Os dias em Angra que chegam por acaso, e as marolas da lancha parada em frente à praia. As noites de conversas infinitas adoçadas por biscoitos de avó num cafofo. O carpaccio do Gula Gula. As livrarias e os cafés dentro delas, e essas coisas bobas que viram elos: lanches, poesia, chocolate quente com creme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Casa da Matriz. O karaokê indie, mesmo quando não se consegue cantar Smiths no palco. Smiths, a banda que sempre salva a minha vida. O John Lennon quando canta. “While my guitar gently weeps” a todo volume no percurso Ipanema-Leblon de madrugada. Entender que “boboca” combina muito com “eu te adoro”, ou vice-versa. Ilhas gregas, com ou sem queijo feta. Um apartamento especial cheio de post-its na Rue de Rennes. O Calder no Pompidou. “A Última Ceia” em Milão. Os jardins repletos de risinhos infantis e gente a desenhar. As lingeries da La Perla. Os croissants da França, que são melhores que qualquer outro alimento do mundo. A alegria de avistar uma placa onde se lê “Underground”. Veneza quando chove.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flertes via mensagem de celular. Ouvir &lt;em&gt;Karma Police&lt;/em&gt; na Apoteose cheia e emocionada em frente ao Radiohead (&lt;span style="color:#993399;"&gt;&lt;em&gt;for a minute there I lost myself, I lost myself&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;). Acordar no dia seguinte do show do Radiohead e descobrir que a coluna não dói mais. Adorar a praticidade de enviar pro oftalmologista por email uma foto do olho cheio de gosma de manhã. Adorar a praticidade de desligar o telefone às vezes. Ir à praia com o ipod, e entender que ele serve pra essas coisas. O cachorro quando eu chego em casa, e quando ele brinca tão alegre que nem me importam as almofadas que vão caindo pelo chão. O cachorro quando eu estou triste, porque ele nunca piora as coisas. O cachorro quando eu estou feliz, porque ele sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo que me deixa chorar, seja na mesa cheia de waffles ou no carro com abraço e colo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amigos que dançam quadrilha na sala do apartamento de um deles, amigos que dançam dentro de uma piscina esvaziada, amigos que não deixam a festa acabar (mesmo que para isso seja preciso ir a uma praia distante no frio), amigos que hipotetizam sobre ménage-à-trois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Ney Matogrosso no palco. As homenagens ao Michael Jackson. A Pina Bausch no filme do Almodóvar. As tardes na praia com vergonha da câmera apontada pra mim. Acreditar em horóscopo numa manhã de domingo. Inventar a pior cantada do mundo e ver que mesmo assim ela funciona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cazuza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela cama enorme cheia de travesseiros. Lecuona. As linhas 12, 13 e 14 da página 31 de “Cemitério de Pianos”. “O Estrangeiro” na língua original. Beijo no (meu) pescoço, mesmo quando acidental. As gravuras restauradas na parede. Dormir 12 horas seguidas, e sopa no inverno. Dramin, às vezes. Woody Allen esparramada num colchão pra 3 nos Jardins. Peças infantis com toda a criançada encantada na platéia. O Rei sob dilúvio. &lt;em&gt;#41&lt;/em&gt;, do Dave Mathews Band. Vinícius de Moraes. Furtar catálogos de exposições em SP. Bolinhas-de-queijo. A lotação da praia e as piadas decorrentes, e quando a prima guardava lugar pra gente que chegava depois. &lt;em&gt;Miss You&lt;/em&gt;, do Rolling Stones. A carta do Carlos. A carta da Bruna. A irmã no quarto ao lado. E, por que não, até mesmo o Zoológico. Fernanda Montenegro quando é Simone de Beauvoir. Sangria. &lt;em&gt;The Rain Song&lt;/em&gt;, do Led Zeppelin. Cachorro quente feito pela Carol. E, confesso, Kid Abelha em dias nublados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras que começam com “des” – desamparo, descaminho, desmesura, desalento. Tudo o que vem depois que imito Marina Lima. Sessão da tarde, mesmo fora de época. Bombons. Yogoberry com manga. Grampos de cabelo, Grey’s Anatomy e a Lindomar quando me chama de “minha menininha”. A charutaria na Rua Senhor dos Passos. O Real Gabinete Português de Leitura e os sebos ali perto. Babilaques.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sophia de Mello Breyner Andresen. Noites em que o melhor momento é quando o A-Ha canta &lt;em&gt;Crying in the rain&lt;/em&gt; numa rádio duvidosa do carro e isso não significa que tudo foi ruim. Saber cantar &lt;em&gt;Crying in the rain&lt;/em&gt; ainda de cór. Mergulho na praia da Reserva, onde ainda há conchinhas, depois de sessão de massagem com a Ana. Massagem da Ana. Ficar indie aos domingos. Colírios e uma gripe pra parar um pouco. O Bolero de Ravel. Tin tin e Capitão Haddock. E Milou, é claro. Saber a hora d
