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quarta-feira, maio 13, 2015

I never can say goodbye


Músicas para ouvir no fim da festa:

1)      There is a light that never goes out, The Smiths

2)    I never can say goodbye, Jackson 5

3)     Turn your lights down low, Bob Marley

4)    I can’t take my eyes off you, na versão Frankie Valli & the Four Seasons

5)     Because the night, Patti Smith


quinta-feira, junho 06, 2013

top 5

Das anotações do meu caderno de pós-graduação, algumas frases entreouvidas entre um delírio teórico e outro:

1) Dente é patrimônio.
2) Eu queria ser uma vírgula no texto dele!
3) Clarice [Lispector] não fala, Clarice vaticina.
4) O Facebook é um Retrato de Dorian Gray às avessas.
5) Coisa boa é ir pra um motel sozinho com seus livros.

Bônus: "Só gosto do que é melhor em tudo, desde música, desde pintura, até o arroz com feijão."  (João Antonio)




domingo, maio 05, 2013

5 coisas que aconteceram no ano em que voei de balão


(Para Clara M.) 


1) No primeiro dia do ano de 2006 eu acordei sobre um braço que não era meu. Catei no chão o vestido, verdadeiro obstáculo da noite anterior, e fui até o banheiro tateando um corredor que eu não conhecia. Lavei o rosto e usei uma escova de dentes de alguém que eu também não conhecia e joguei as lentes descartáveis no cesto do lixo. Voltei pro quarto, outra vez me livrei do vestido, escorreguei para debaixo do edredom. Quando fechei os olhos, vermelhos e sensíveis por causa das lentes ressecadas, quando senti o alívio por fechar os olhos, e quando, respirando devagar e mexendo levemente os pés, como sempre faço pra embalar no sono, quando aquela certeza de dormir loucamente, sem hora, feriado mundial: dois braços que não eram meus, o rosto barbado, encontro de línguas, primeiro passo pro infinito. 

2) Li Ciranda de pedra e sublinhei, entre outros, este trecho: “Ouça, Virginia, é preciso amar o inútil. Criar pombos sem pensar em comê-los, plantar roseiras sem pensar em colher rosas, escrever sem pensar em publicar, fazer coisas assim, sem esperar nada em troca. A distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta, mas é nos caminhos curvos que se encontram as melhores coisas.” Li, também, todo o Caio, sem nem poder desconfiar de tudo o que essas leituras me causariam, e girfei, na página 168 da antologia que cobre a década de 1980: “Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer.”

3) Num caderno de capa dura (rosa) e folhas sem pauta (brancas) colei um silk de estrela prateada de uma camiseta que ficou velha, sendo que duas de suas pontas cobriam um pedacinho de um autógrafo do Marcelo Camelo que eu conseguira no ano anterior, numa garagem de Ipanema. Na contracapa do mesmo caderno escrevi, de caneta brilhante, um poema de Rimbaud. Das 150 páginas, 3 foram usadas para transcrever passagens dos diários do Kurt Cobain; 5 foram ocupadas com fotos de pessoas que estavam in voga naqueles tempos; 9 foram usadas para colar uma correspondência por email com um sujeito que me daria um pé na bunda em Paris no outono; metade delas poderia ter molhado de tanto que chorei por causa das separações que enfrentei e quase todas continham pelo menos uma ocorrência do nome dele (que ainda não tinha entrado na história e quando chegou, ai meu deus).

4) Clonaram meu Orkut.

5) Num outro dia em janeiro sentei-me numa cadeira Tenreiro procurando permanecer imóvel. À minha frente um artista plástico que eu admirava muito me desenhava. Eu nem sei se precisava ser tão econômica nos gestos, mas me parecia uma possibilidade coerente. Ele me traçava a carvão e eu sentia um batuque brando no peito, e esse estado presente era o que me dava a nítida sensação de que, na verdade, eu estava dançando, porque eu tinha esse ritmo, e portanto era impossível ficar imóvel. Poucos minutos depois, ao olhar para o desenho pronto, aquele desconforto de ficar olhando para si, e certo deslumbramento de, ao mesmo tempo, se reconhecer e ser estrangeiro, a desconfiança de que alguém tivesse me investigado, bem mais que F. naquele réveillon,  bem mais que os livros que me atravessaram, bem mais que roubo de senha: eu a carvão era uma possibilidade, mas tão real, como quando o mundo vai se apequenando e você vai vendo as casas de cima, os telhados e os buracos das chaminés, como quando o balão levanta voo e você vê tudo igual, mas de outro jeito, se embrenhando em azul, desviando de nuvens. 



sábado, maio 08, 2010

Top 5

Características da linguagem regional:

1. “Brigada eu” – é um esquisito sinônimo para o “de nada” que falamos após um agradecimento. Eu, que pensava detestar gente que diz “por nada”, me vejo agora às voltas com “brigada eu” naquele sotaque anasalado de São Paulo.

2. “Imagina” – é mais um sinônimo para o “de nada” ou o “brigada eu” e na maioria das vezes é dito "magina", ocultando-se a primeira vogal, como no "brigada eu".

3. “De quinta” – ou “de” + qualquer outro dia da semana. Ao chegar ao trabalho e fazer um comentário sobre o trânsito daquela manhã, alguém diz que “de sexta é um caos”. Ao perguntar a alguém sobre os horários de um museu, “de segunda não abre”. Ou qualquer outra coisa: “de domingo tem feira aqui na esquina”, “de quinta é mais caro pra entrar” e etc.

4. Plural – por alguma razão obscura, os paulistas não aprenderam a usar o plural na escola. Nenhum paulista: do trocador de ônibus às pessoas que passaram pelo ensino superior, todos adotaram o singular como número absoluto. O curioso é que tal regra vale para substantivos, porém cai em desuso para artigos, o que acarreta frases recheadas de: as blusa, os carro, os vestido, os mano, as mina.

5. Subjuntivo – deve ser alguma emenda especial na pasta da Secretaria de Educação: os paulistas também não aprenderam a usar o subjuntivo na escola, e o que se escuta o tempo todo é uma espécie de dialeto verbal: quer que eu telefono? Quer que eu levo? Quer que eu busco? Eu não sei ainda como reagir a essas perguntas, na dúvida digo sempre que não porque estou convencida de que existe um significado oculto em tudo isso. Quer que eu te mostro?, me perguntou alguém outro dia, e eu saí correndo de medo pela av. Paulista.

segunda-feira, agosto 03, 2009

Top 5 razões para ser feliz num fim de semana

1. A caixa de chocolates que chega junto com um jantar, que chega junto com ela, que chega nesse exato momento da vida em que eu quero e preciso e adoro conversar com ela, mais do que com quase todas as outras pessoas do mundo.

2. A varanda com flores e passarinhos gordos dessa outra casa que eu tenho, e o cochilo no sofá, após o almoço, com sol batendo na cara.

3. Trânsito na Jardim Botânico, o suficiente pra repetir # 41, do Dave Mathews Band várias vezes, e cantar nãnãnãs no solo de sax, e querer que a vida tenha esse ritmo.

4. Lembrar que existia ainda um livro do Nick Hornby que eu não tinha lido, e que é justamente o que fala sobre canções, o que permite descobrir que mais alguém no mundo além de mim mesma não se importa tanto quanto deveria com o Bob Dylan, e que te faz lembrar de uma música meio cafona que o Rod Stewart cantava ("I can tell by your eyes that you've probably been crying forever"), e que te dá essa vontade doida de saber de novo tocar “Come as you are” no violão.

5. Faz um intervalo na chuva e fica verão domingo. Um dia de praia com toda aquela gente semi-nua voltando a ser dourada, as crianças de baldinho na mão, as ondas batendo no pé, as pessoas sorrindo, os sorveteiros contentes, essa vontade bobinha de tirar fotos de celular dos amigos, e até a iminência de caixotes é uma boa perspectiva. A vida é boa quando tem sol.