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quarta-feira, agosto 12, 2015

Fico parada na borda mais do que o necessário, atravancando um pouco o tráfego, mas ninguém acha estranho porque ficar cansado faz parte, assim como interromper a série, recomeçar a contagem. Ou simplesmente não contar. Algum dia eu vou tentar isso: não contar. Nadar como se a piscina não terminasse nas bordas.


Paloma Vidal, Mar azul

quinta-feira, junho 06, 2013

top 5

Das anotações do meu caderno de pós-graduação, algumas frases entreouvidas entre um delírio teórico e outro:

1) Dente é patrimônio.
2) Eu queria ser uma vírgula no texto dele!
3) Clarice [Lispector] não fala, Clarice vaticina.
4) O Facebook é um Retrato de Dorian Gray às avessas.
5) Coisa boa é ir pra um motel sozinho com seus livros.

Bônus: "Só gosto do que é melhor em tudo, desde música, desde pintura, até o arroz com feijão."  (João Antonio)




quinta-feira, agosto 16, 2012

Conclusões # 01


 O trânsito é sempre pior às terças e quintas e é sempre quinta quando sucumbo à Coca-cola e a confissões inconfessáveis, como confessar que não tenho entendido nada, nada mesmo, e que hoje cheguei em casa e não sabia nem se tinha tomado banho de manhã.

terça-feira, abril 17, 2012


vai
e
esqueça a linha que te segue
                                    te cega
                                    te trança

não há costura que te possa


Ericson Pires , Canto II in Pele tecido, 7 Letras 2010. 

quarta-feira, abril 04, 2012

Quatro bagatelas

I.
Todas as soluções são boas,
menos a que você escolher. 
Escolha, sim. (Mesmo que doa,
dá uma espécie de prazer.)

II.

Nenhuma explicação 
entre o pé e a mão. 
Transcendência nenhuma
entre o sabugo e a unha. 

Ao corpo, masmorra sem porta,
pouco importa que você morra. 

III.

Viver momento a momento
com a insensatez dos insetos
que arremetem impávidos
contra o real da vidraça
obedecendo sem trégua
à lógica imperturbável
que trazem em suas entranhas.

IV.

Vida sempre rascunho, folha sem pauta,
pasto de lacunas e rasuras,
risco sobre risco, pré-
-texto de nada.



Paulo Henriques Britto in Formas do nada, Companhia das Letras, 2012. 

sexta-feira, julho 16, 2010

Anomalia

(Bilhete a M., desses para serem encontrados sobre a pia do banheiro pela manhã.)

Já percebeu que toda vez que você me deixa em casa a gente desata a conversar e fica mais meia hora (no mínimo) a falar? Carro embicado na garagem, o porteiro da noite a roncar no sofá de entrada, música escolhida por mim de pano de fundo.

Deve ser que a gente não entende direito esse lance de despedidas, ou que a gente nunca aprendeu a dizer "tchau".

sexta-feira, março 05, 2010

Choosing my confessions

Se for egocentrismo imaginar que o consulado americano vai investigar cada uma das informações informadas no formulário de requerimento de visto para os USA, se for tão ridículo pedir pra mãe ir ao dentista pra segurar minha mão, se for delírio concluir que sinusite só dá de manhã, ou toda vez que eu acordo, se for inevitável morrer de amores por Afrin, se for preciso morrer de amores por ele.

Se for heresia ter fé em Paul McCartney, se for obsessão essa minha relação com o Morrissey, se for sempre tão incrivelmente saudável viajar com elas, se for essencialmente vital que elas sejam sempre um pouquinho só minhas, e vice-versa, se for incontrolável comprar inutilidades e coisas sem mais nem porquê para presentear dois ou três amigos.

Se for tão perfeito viajar sozinha e querer aprender a língua local com uma semana de antecedência, se esses rompantes de vontade me fizerem pegar a estrada e inventar todas as soluções ao mesmo tempo sem parar pra pensar em medos, se for patético ter crise alérgica em quartos que seriam reprovados pela vigilância sanitária, se for nocivo beber, se for indecifrável o alcance e a largura dos teus olhos quando esbarram em mim.

Se for normal o ciúme, se for apaziguador beber vinho, se for decente o preço da ponte-aérea, se for sempre reconfortante o nosso encontro, se for sempre tão consolador dar de cara com crises existenciais por email, se for sempre tão gostoso ver o quanto você cresceu.

Se for sempre tão esclarecedor esse falatório na hora do almoço.

Se for sempre tão acolhedor ver TV, se um dia eu me convencer a escrever um livro, se eu fizer o que mais gostaria de tentar, se eu conseguir saber de cór cada pedaço da tua pele e tuas medidas, se eu tiver coragem, se fizer sol, se o filme não queimar, se não tiver fila pra ver o Matisse no museu, se ela for me buscar no aeroporto, e mesmo que nada disso seja certo ou tenha razão... diz que sim quando eu te perguntar?

terça-feira, dezembro 22, 2009

Come rain or come shine

(da série "coisas que ajudam a viver", ano 2009)

As coisas inusitadas que aparecem eventualmente numa mesa do Baixo Gávea, e que variam desde um bolo de chocolate ainda no tabuleiro até clémentines deliciosas vindas diretamente de Paris. Quarteirão com queijo especial. Todos os brigadeiros de muitos milhões de reais que podem ser devorados ao lado da Pizzaria Guanabara. A ansiedade de buscar o negativo revelado na loja de fotos, e poder conversar com o vendedor sobre os filmes, mesmo que você não tenha o mais vago conhecimento sobre o assunto. O Jobi e o Diagonal, dois bares para os quais nunca se deve dizer não.

O Grupo Corpo, mesmo quando não é incrível, mesmo quando é longe pacas, mesmo quando não acontece tanta mágica. Bruno Cesário e Joaquim Tomé quando dançam juntos de preto. O Tony, quando gargalha dando aula e me diz para atacar mais. O Toni com "i", quando me pega no colo. O celular quando apita mensagens contendo a palavra “tigresa”.

Todos os livros que eu posso ler, mesmo os ruins, mesmo os que não permanecem, mas especialmente os que me dão vontade de querer alguma coisa. Os quadrinhos de Peanuts, e poder envia-los por email. Os emails de madrugada que nos servem de confessionário para vergonhas escondidas. As conversas salvas de msn que posso colar no caderno como lembrança. Belle and Sebastian, sushi e sashimi. Uma credencial que guarda as emoções de um desfile de inverno, o livro de Ronaldo Fraga na estante. Assistir a um pedacinho do José Luis Peixoto na TV, sem querer. Passar o dia na piscina a devorar torradinhas com pasta e saber que isso é felicidade quando os amigos estão juntos.

Dar asas à insegurança no Tok & Stok. Ou na Zara. Ou no Hortifruti. Ou no Zona Sul. O almoço do dia primeiro de janeiro, sempre. Os dias em Angra que chegam por acaso, e as marolas da lancha parada em frente à praia. As noites de conversas infinitas adoçadas por biscoitos de avó num cafofo. O carpaccio do Gula Gula. As livrarias e os cafés dentro delas, e essas coisas bobas que viram elos: lanches, poesia, chocolate quente com creme.

A Casa da Matriz. O karaokê indie, mesmo quando não se consegue cantar Smiths no palco. Smiths, a banda que sempre salva a minha vida. O John Lennon quando canta. “While my guitar gently weeps” a todo volume no percurso Ipanema-Leblon de madrugada. Entender que “boboca” combina muito com “eu te adoro”, ou vice-versa. Ilhas gregas, com ou sem queijo feta. Um apartamento especial cheio de post-its na Rue de Rennes. O Calder no Pompidou. “A Última Ceia” em Milão. Os jardins repletos de risinhos infantis e gente a desenhar. As lingeries da La Perla. Os croissants da França, que são melhores que qualquer outro alimento do mundo. A alegria de avistar uma placa onde se lê “Underground”. Veneza quando chove.

Flertes via mensagem de celular. Ouvir Karma Police na Apoteose cheia e emocionada em frente ao Radiohead (for a minute there I lost myself, I lost myself). Acordar no dia seguinte do show do Radiohead e descobrir que a coluna não dói mais. Adorar a praticidade de enviar pro oftalmologista por email uma foto do olho cheio de gosma de manhã. Adorar a praticidade de desligar o telefone às vezes. Ir à praia com o ipod, e entender que ele serve pra essas coisas. O cachorro quando eu chego em casa, e quando ele brinca tão alegre que nem me importam as almofadas que vão caindo pelo chão. O cachorro quando eu estou triste, porque ele nunca piora as coisas. O cachorro quando eu estou feliz, porque ele sabe.

Um amigo que me deixa chorar, seja na mesa cheia de waffles ou no carro com abraço e colo.

Amigos que dançam quadrilha na sala do apartamento de um deles, amigos que dançam dentro de uma piscina esvaziada, amigos que não deixam a festa acabar (mesmo que para isso seja preciso ir a uma praia distante no frio), amigos que hipotetizam sobre ménage-à-trois.

O Ney Matogrosso no palco. As homenagens ao Michael Jackson. A Pina Bausch no filme do Almodóvar. As tardes na praia com vergonha da câmera apontada pra mim. Acreditar em horóscopo numa manhã de domingo. Inventar a pior cantada do mundo e ver que mesmo assim ela funciona.

Cazuza.

Aquela cama enorme cheia de travesseiros. Lecuona. As linhas 12, 13 e 14 da página 31 de “Cemitério de Pianos”. “O Estrangeiro” na língua original. Beijo no (meu) pescoço, mesmo quando acidental. As gravuras restauradas na parede. Dormir 12 horas seguidas, e sopa no inverno. Dramin, às vezes. Woody Allen esparramada num colchão pra 3 nos Jardins. Peças infantis com toda a criançada encantada na platéia. O Rei sob dilúvio. #41, do Dave Mathews Band. Vinícius de Moraes. Furtar catálogos de exposições em SP. Bolinhas-de-queijo. A lotação da praia e as piadas decorrentes, e quando a prima guardava lugar pra gente que chegava depois. Miss You, do Rolling Stones. A carta do Carlos. A carta da Bruna. A irmã no quarto ao lado. E, por que não, até mesmo o Zoológico. Fernanda Montenegro quando é Simone de Beauvoir. Sangria. The Rain Song, do Led Zeppelin. Cachorro quente feito pela Carol. E, confesso, Kid Abelha em dias nublados.

Palavras que começam com “des” – desamparo, descaminho, desmesura, desalento. Tudo o que vem depois que imito Marina Lima. Sessão da tarde, mesmo fora de época. Bombons. Yogoberry com manga. Grampos de cabelo, Grey’s Anatomy e a Lindomar quando me chama de “minha menininha”. A charutaria na Rua Senhor dos Passos. O Real Gabinete Português de Leitura e os sebos ali perto. Babilaques.

Sophia de Mello Breyner Andresen. Noites em que o melhor momento é quando o A-Ha canta Crying in the rain numa rádio duvidosa do carro e isso não significa que tudo foi ruim. Saber cantar Crying in the rain ainda de cór. Mergulho na praia da Reserva, onde ainda há conchinhas, depois de sessão de massagem com a Ana. Massagem da Ana. Ficar indie aos domingos. Colírios e uma gripe pra parar um pouco. O Bolero de Ravel. Tin tin e Capitão Haddock. E Milou, é claro. Saber a hora de sair. Começar tudo de novo. Acreditar quando a Globo canta que hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem quiser. Levar sustos com presépios. Aprender a respirar.

Escrever um blog!

sexta-feira, outubro 30, 2009

É festa no outro apartamento

Então nunca mais: nunca mais um milk-shake na praia colorida de pipas alheias aos teus braços enroscados nos meus, nunca mais teus jeans surrados debaixo dos meus vestidos intermináveis, nunca mais flores que saem dos teus bolsos para os meus, nunca mais tua rouquidão às três da tarde, nunca mais juntar nossa paixão desmedida por Vinícius, nunca mais os teus pratos cheios de sushi enquanto eu tento decifrar alguma coisa em você, nunca mais tua alegria com a tua vontade de dançar, nunca mais tuas demoradas conversas no telefone enquanto eu te olho e resolvo onde, meu deus, onde te encaixar nessa minha vida, nunca mais tuas paredes cheias de cor, nunca mais teus cabelos dentro das minhas mãos, nunca mais tua imitação de Jards Macalé, nunca mais o barulhinho do vinil rodando mudo na vitrola ("tá fazendo um ano e meio amor / que o nosso lar desmoronou"), nunca mais te telefonar para aplacar desamparo, nunca mais te encontrar pra me deixar largada no teu peito, nunca mais te avistar estatelado na areia teus lábios se descortinarem num sorriso largo, nunca mais tuas mãos despudoradas que faziam do meus rosto teu império, nunca mais tua mansidão, nunca mais teu abraço enorme e cheiroso que punha fim a qualquer uma das minhas tentativas de raiva contra você, nunca mais declarações de amor descabido entre dentadas num filé-com-queijo, nunca mais teus (meus) apelidos cafonas, nunca mais toda a bagunça que você deixa quando parte sem aviso, nunca mais me sentir possível ao teu lado, nunca mais te ter no banco do carona, nunca mais essa saudade lancinante que ataca toda vez, nunca mais essa vontade de conversar por horas a fio e afinal te deixar improvisar monólogos só pra ficar quieta e ouvir tua voz, nunca mais o teu carinho derramado em cada olhar, nunca mais aquela dúvida que a gente tem de não saber o que fazer um com o outro, nunca mais esse teu jeito de falar como quem sublinha palavras, nunca mais toda uma felicidade que eu nem sei mesmo se um dia eu senti com você, nunca mais essas apostas que a gente fazia em tardes de janelas trancadas pro mundo, nunca mais tardes de janelas trancadas pro mundo, nunca mais, então.


:: Acontecimentos - Marina Lima

segunda-feira, setembro 21, 2009

Every move I make

Eu sei que no teste dos bares cariocas o Gustavo é o Bar da Praia e o Rodrigo é o Palaphitas (pfff), sei que a Fabi quer que o Acaso chegue e que o Kiko achou o jogo de futebol feio a ponto de não querer mais assistir nenhum. Sei que a Julia precisa de ajuda no jogo de Máfia Wars (que até hoje eu não sei o que é), que o Thiago adora a Elizeth Cardoso e que a Ritinha lembrou-se, graças a mim, que "D’yer Maker" é daquelas músicas que dá pra deixar no repeat por cinco horas seguidas. A Biba, se fosse uma roupa, seria um conjunto de lingerie (sexy), a Raphaela ta vendo o Emmy, a Biela sobreviveu ao casamento de ontem, a Cissa ta muito feliz porque casou (ontem), o Léo é flamengo até em Lima e o Bruno ta indeciso entre 3 nomes de mulheres que não fazem sentido nenhum pra mim. A Guga renovou sua playlist no ipod, a Carla convidaria o Kenny (entre outras pessoas mortas) para jantar, a Isa ta felizzzzzz com muitos “z”, a Adriana perdeu seu nextel. Eu sei que a Olivia também seria o Palaphitas na categoria barzinho do Rio (desde quando o Palaphitas é “barzinho”?), a Eduarda seria o Jobi (assim como eu), a Betinha se perdeu na liquidação da Livraria da Vila e a Bruna ta indo pra Hanói (com outra Julia). Eu sei que a Anita não está entendendo nada da venda de ingressos pro festival do Rio, a Bebel não conseguiu falar com a Inês no dia do aniversário dela (nem eu, até porque eu nem sabia), sei que o Eduardo queria saber desenhar, que a Maíra quer falar com a Luiza e que a Joana ama Bloody Mary. Eu sei que a Carol achou o final de "True Blood" bem ruinzinho. Eu sei que a Madá está pensando na vida, que o Chico quer ser Zé Mayer em uma outra e que o Augusto também pensa que o tempo é mercúrio cromo. Sei que o Manel gosta de “Kind of Blue” e que o Felipe deseja que durmamos bem ao som de John Coltrane (dormiremos). Eu sei que a Jô desejou Feliz Ano Novo pra Nicola, que o Antonio sempre lê "The Economist", que a Camila não sabe se compra um carro ou aluga uma casa. Eu sei que a Mel precisa de uma mandinga branca, que a Ana tá com saudades da Maína e que a Evelyn não tem forças nem para abrir uma Vogue.

Toda essa gente deve saber que andei comprando pneus, que planejei explodir o Detran, que tenho frequentado festas onde tocam Ace of base e C&C Music Factory (e que portanto planejo comprar um par de tênis Keds e usar perfume CK One). Toda essa gente deve saber que de fato escuto no repeat há cinco horas seguidas aquela música porque seriously: you don't have to go e a gente pode beber duas jarras de sangria por noite até pra sempre. Toda essa gente sabe que quero ficar sedada, que estou cabeloless e que voto Paulo Borges para presidente.

Toda essa gente sabe que eu perdi a lixeira do meu desktop já faz quase um mês e ninguém consegue resolver esse mistério. E eu pensando que o Facebook seria útil nesses momentos de aperto...

sexta-feira, julho 10, 2009

O twitter é aqui - vol. 2

13h15
Todo dia de manhã engulo água da pia e depois uma porção pequena de flúor oral-B azul e tenho certeza que um dia isso vai trazer algum mal. É que dá muita hipocondria no inverno

13h25
E o batom laranja que nunca sai? Infecção, na certa.

13h30
Tipo o filtro solar. Excesso de fator de proteção na pele, e mesmo assim as sardas se expandem. Não faz nenhum sentido.

13h55
( "E algum trocado pra dar garantia." )

14h22
Sexta-feira eu ganho dois centímetros no alongamento, mas hoje me estiquei tanto que tenho certeza que estou com 1m77. Segunda tudo volta ao normal pra 1m72.

15h18
Algumas coisas, porém, passam a fazer sentido tão de repente: o cd da Cibelle, o nome dos passos de ballet, havaianas (as legítimas), sashimi de salmon.

15h22
E outras ficam à espera de alguma coisa que resolva: esse dia seguinte, tentando estancar saudades.

15h24
( "Pra poesia que a gente não vive, transformar o tédio em melodia." )

15h27
E essa ausência de quadros na parede...

15h29
E esse ipod amarelo, em que momento da vida se escuta ipod?

15h31
E onde diabos foi parar o cd do Grande Circo Místico, caracolis?!

16h50
É alguma vértebra que não tá legal e que inflama desde o pescoço até o cotovelo deixando o braço direito tão pesado e o ombro completamente inútil. Penso: sofrer de amor não parece tão trágico.

16h54
( "E algum veneno anti-monotonia." )

17h00
Faz sentido também quando Tony gargalha mexendo a mandíbula, e só ele deve fazer isso.

17h04
E esses suspiros que duram o tempo exato dessas saudades, que duram bem mais que abraços esquecidos, que percorrem o exato trajeto da dor que começa na garganta e toma de assalto o cotovelo. No fim é tudo a mesma coisa: dói, e é físico.

17h41
( "Ne me quitte pas / Je ne veux plus pleurer / Je ne veux plus parler / Je me chacherai là / À te regarder / Danser et sourire / Et à t'écouter / Chanter et puis rire" )

17h45
Ne me quitte pas.

18h00
É que às vezes parece que o mundo não faz nenhum sentido quando você não participa do Twitter, sabe?

segunda-feira, maio 18, 2009

O twitter é aqui

(ou: Pensamentos cruciais de segunda-feira)

16h30
Com soluço. Tomar água de cabeça pra baixo funciona?

16h42
Ainda com soluço. Alguém me dá um susto?

17h00
Meus álbuns de foto estão grudando, será que talco resolve?

18h50
Depois de percorrer 5 farmácias, concluo: minha tinta de cabelo está em falta. Isso sim é grave.

18h59
Ouvindo Secos e Molhados, organizando as fotos de dentro da caixa, que também estão grudando. Haja talco!

19h01
O verme passeia na lua cheia...

19h10
Doces Bárbaros, preparando a invasão.

19h11
Tem cantora melhor que a Bethânia???

19h12
Tudo ainda é tal e qual.

19h24
Cachorro tentando comer meu creme hidratante de mãos.

19h32
Indo jantar.

20h40
Seriously. Cabelos brancos ocupando 1/3 da cabeça.

20h45
Soluço de novo. Como faz?

21h00
Indo pro shopping comprar chapéus.

21h50
Seriously. Quem se importa?

terça-feira, março 17, 2009

Antes de dormir:

Segunda-feira só faz sentido depois que vejo o novo capítulo da série; perdi a vontade de ir àquele show, deve ser porque comprei o ingresso há tanto tempo que esqueci; me dá uma vontade de ser mulherzinha toda vez que passo creme no nariz; o relógio faz um barulho danado dos ponteiros e fico aflita enquanto não durmo, ou enquanto não acordo totalmente; o carro parece que sossegou desde que ficou todo amassado do lado direito; estou aprendendo a emprestar livros; não sei como se pede desculpas; uma pilha de revistas foi pro lixo; telecine light me vicia, por pior que sejam os filmes; acho que pedi ajuda esses dias, mais de uma vez; fico lendo um livro de 500 páginas achando que nunca vou chegar ao fim, mas já cheguei na metade; sou ecologicamente correta no super mercado e não gasto sacolas plásticas; minha máquina de fabricar água pifou, oh céus!; meu saldo bancário me odeia, e é inversamente proporcional ao meu caso de amor com a Zara; eu sei, são só besteiras; não sei o que fazer com todos os cartões postais que não tenho onde exibir; fico já antecipando as roupas que vou levar na viagem, mesmo que ainda falte um mês e eu não tenha casacos; José Luis Peixoto me fez chorar no meio do carnaval e foi por isso que meu celular se afogou na praia, porque preferi salvar o livro; tenho uma queda por dicionários antigos, daqueles que cheiram a velhice e cuja ortografia é duvidosa; ando militando a favor de suco de uva; ando acordando com o cabelo igual ao do Bozo, todo pro lado, um horror!; ando com vontade de escutar Lenny Kravitz cantando “baby it ain’t over til it’s over” só porque eu concordo totalmente, mas como é que faz pra saber que acabou?; tento matar umas pessoas, mas elas parecem ter sete vidas; são sete dias que se emendam em muito mais que sete horas de sono por noite; será que depressão dura uma semana só?; e será que é muito grave nunca ter ido a um concerto de música clássica?; a oftalmologista começou a me explicar a operação dos olhos e eu quase vomitei em cima dela de nervoso, eu não precisava de tantos detalhes assim, oras!; e aí perdi os óculos de sol dentro do carro, vê se pode; e pode fingir que ta tudo bem quando se morre de dor no pescoço?; e é possível gostar de alguma coisa quando alguém do seu lado na platéia não para de tossir?; às vezes eu lembro de uma vez que eu tinha uma estagiária e eu não tinha a mais vaga idéia do que fazer com ela, e agora eu estou que nem aquela música “I Just don’t know what to do with myself”; tanto clichê...; preciso estudar francês; sinto uma saudade tremenda da cadela da minha professora de francês, por mais estranha que seja essa frase; o protetor labial não impede que eu continue comendo a boca toda, o protetor solar não impede que às vezes descasquem as costas e essa proteção idiota que eu inventei contra as pessoas não impede que eu me desmantele toda de vez em quando, uma vez por dia, por não conseguir mais me desmantelar com elas; o som está com dificuldades para fazer os CDs tocarem; roubaram a bolsa da Jandira Fegali na Casa de Cultura Laura Alvim; a Casa da Gávea vai fechar; dizem que a Maria Bonita está falindo; esses amores platônicos perdem a graça tão rápido; não agüento mais escutar: crise, recessão, Barack Obama; e o Collor, alguém me explica?; é, eu sei, não entendo nada mesmo; detesto todos os colunistas do Globo, concluí com a Bebel; e esse sono que não me faz dormir?; meu joanete está crescendo e eu não sei o porquê; quantos baianos você conhece? Eu só conheço um, e foi sem querer; Toni me pega no colo toda vez que me encontra, mesmo que eu seja enorme; agora já chega, preciso dormir, amanhã acordo de novo ao meio-dia e nunca acerto o horário, fico bocejando até o pôr-do-sol; tenho que ligar pro despachante amanhã, sem falta; e o sono, meu deus, e o sono?; leio mais 10 páginas, só esse capítulo, ou tomo logo um remédio, daqui a pouco não consigo mais, agora já chega, jogo só mais uma partida de Tetris, busco água pro comprimido, desabo desmilinguida na cama antes que você me invada a cabeça outra vez.

:: "Sua enorme inteligência compreensiva, aquele seu coração vazio de mim que precisa que eu seja admirável para poder me admirar. Minha grande altivez: prefiro ser achada na rua. Do que neste fictício palácio onde não me acharão porque - porque mando dizer que não estou, 'ela acabou de sair'." Clarice Lispector em Para Não Esquecer

segunda-feira, outubro 27, 2008

Snakes and ladders

Uma neblina se abate sobre a cidade e não se vê São Conrado da Av. Niemeyer; uma manicure carioca diz que votou no Trivella no primeiro turno e que, portanto, votaria no Paiva no segundo, sendo ela menos uma eleitora do Gabeira, ou seria Caveira?; o Panorama de Dança anuncia nomes de teatros dos quais nunca ouvi falar; o Tim Festival parece ser o único dentro da categoria “festivais” com o qual eu consigo lidar; já faço planos para a próxima fantasia de carnaval; fico apavorada a cada conto de Andersen que termino de ler; me pergunto se a cor bege dos corantes Guarany está em falta no mercado; escuto repetidamente uma música que foi definida por um amigo como trilha sonora de um filme imaginário numa cena de passagem de tempo; olho, minutos a fio, a foto de Bruno Cezario no programa do ballet e não me convenço de que ele seja desse mundo; sonho com cachorro-quente; tenho urgência de mar; após o duelo onde fatalmente um dos cavaleiros sempre perde, uma criança na platéia do teatro diz “perdeu” e é realmente engraçado estar perto delas; perder-se em Santa Teresa requer um casaquinho, caso você vá parar acidentalmente nas paineiras; é sempre melhor ir embora quando todo mundo quer que você fique, seja do mundo ou do bar; volto ao Saara, nunca ao jardim; tem goteira no carro; arranhões também, e as pessoas insistem em me lembrar que eles estão ali; alguém já reparou que a acústica do Bar Lagoa é péssima?; as histórias escritas têm ficado todas pela metade; existe saudade de sentir com um o que sempre sinto com outro, e vice-versa, nunca dá pra misturar os dois num só; o show termina e muitas pessoas continuam cantando em coro; a pele fica bem melhor depois de uma noite dormida com a cara empastelada de Hipoglós, mas se a pessoa é casada, como faz?; nadar é preciso; isso que vem pela fresta da janela do carro à noite deve ser o verão; cortar unhas é uma arte para poucos; Acautele seus objectos, dizem duas placas dentro da igreja antiga da Av. Passos; pulo alto quando escuto aquela marchinha; libélula é uma palavra legal enquanto que suvaco é inaceitável, ela diz, mas eu adoro suvaco e gosto também de ampola; são lindas as bolhas de sabão voando e estourando nos fuços dos cachorros; e quando o ar-condicionado quebra?; e quando a casa começa a fazer barulhos no meio da escuridão sozinha?; e quando eu fico com esse jeito de quem quer fazer besteiras e soltar fogos por aí é quando encosta no meu pescoço a tua língua; vem à tona sempre uma dúvida cruel e eterna, um dia quero gente, noutro quero edredom pra me esconder, noutro quero continuar o encontro; antes de dormir esfrego sempre os olhos e penso que as lentes não servem mais; o espaço é o suficiente pra ela ficar tão próxima que até gruda; tem sempre mais alguma bobagem pra ser dita no fim da noite e ser tão engraçado que a gente estoura de tanto gargalhar na escada dizendo tchau; tem outra música repetida também que diz "eu vou ver o jogo se realizar de um lugar seguro", mas não era pra ser o contrário?

segunda-feira, junho 23, 2008

Antes

Parece brincadeira mas foi o que ela disse: sua cabeça está fora do seu centro de gravidade e por isso você está com dor e vai continuar sentindo. Ela não era minha médica nem nada, era alguém na sala de espera enquanto eu lia para o ortopedista o laudo da ressonância. Isso tudo antes d’eu voltar pra aula de ballet e me empolgar num salto (que o professor dizia que era geté e eu tinha certeza que era saut d’ange) e sair da aula chorando com uma coxa direita estirada ou hiper-estendida ou destendida, nunca entendi muito essas pequenas lesões. Isso antes das cinzas do Kurt Cobain serem roubadas da casa de Courtney Love (!) e antes também da minha irmã ter problemas no rim e eu leva-la à Santa Casa porque a médica substituta do médico tradicional estava dando uma prova lá, e lá não lembra em nada Grey’s Anatomy, mas parece muito alguma coisa que a gente se acostuma a ver em documentários e certamente que aquilo merecia um. Isso também antes de comprar o cd novo da Madonna e de achar que hip hop não é tão ruim assim e eu sei que só achei legal porque é a Madonna e comprei junto também um disco do The Smiths e isso tudo antes de tirar os chinelos e sair literalmente correndo atrás de um amigo que passava de skate pela orla num domingo em que eu não encontrei um outro amigo que marcou um encontro que não poderia ser desfeito ou adiado porque ele estava sem celular, e no meio da corrida o cara do skate se afastava e a minha irmã e minha prima que tinham ficado sentadas riam da minha cara e eu comecei a rir também e desisti. Isso foi depois que o barraqueiro de uma outra orla encontrou meu celular que eu tinha perdido e me devolveu com uma foto de suas partes íntimas e essa história é verídica e bizarra. Isso antes do mesmo telefone perdido, e então reencontrado, cair no chão e só funcionar no viva voz e eu não poder mais conversar com as pessoas, mas não tem importância. Isso tudo também foi antes dos comentários deste blogue virarem demonstrações explícitas de ciúmes de amigos que querem que eu escreva sobre eles, não é muita pressão? Isso foi antes de dirigir o carro da minha irmã, agora já curada dos problemas de rins, e questionar se o meu carro tem mesmo direção hidráulica e de repente a dor de ombro e pescoço tem a ver com o esforço pra fazer curvas, além da cabeça que está fora do centro bla bla bla e tudo isso foi antes de entrar na chapelaria e a senhora me atender e fazer meu cadastro e dizer que se lembrava de mim, que ela não tinha esquecido meus olhos grandes, que geralmente olhos grandes são feios mas os meus não eram. Ela disse isso antes de oferecer seus serviços de numeróloga e tudo isso é claro que aconteceu em Copacabana onde aparentemente eu sou um ímã. Todas essas coisas antes de uma amiga comprar uma máquina de Frozen Margaritas e antes também do postal da Bebel ter chegado aqui em casa com um carimbo que ainda soltava tinta mesmo depois de ter atravessado um oceano. Isso também antes de ir ao Saara e andar pelas ruazinhas antigas do Centro e encontrar um casal de amigos dentro de um vagão do metrô, depois que o priminho neném (pós-neném na verdade) passou horas se escondendo atrás da cortina e gargalhando cada vez que eu o encontrava de novo, depois também de querer comer pizza com irmã e vó no dia 12 e concluir que certamente o Zona Sul teria mesa vaga (e de concluir também que se não tivesse a gente teria que dar um toque nos casais porque comemorar dia dos namorados no Zona Sul é muito loser). Isso tudo antes de uma amiga de infância casar com sorriso que parecia rasgar seu rosto e eu chorar feito boba perto do altar, antes da festa cheia de flores tão coloridas que pareciam mentira, antes dela dançar a noite toda e começar essa vida a dois, antes de receber o convite pra festa de despedida de mais uma amiga que se vai... Tudo isso aconteceu antes d’eu ganhar um SEGUNDO Santo Antônio, é muita pressão, agora fico aqui, tentando colocar a cabeça de volta no eixo, a coxa de volta no lugar, tentando escrever sobre todos os amigos ciumentos e chantagistas e tentando, principalmente, fazer amizade com os dois Santos que esse inverno aqui no alto tá muito frio e eu quero alguém pra esquentar.


terça-feira, abril 01, 2008

... de tudo outra vez.

Um livro escorregou da prateleira e espatifou a caneca do Van Gogh no chão uma semana antes de algum músculo que liga ombro direito e pescoço pifar, tudo isso na mesma semana em que um amigo telefonou pedindo uma dica de óculos e touca de natação e eu achei isso engraçado demais e contei pra todo mundo, não faz mal, contei pra todo mundo também as alucinações que o Marcelo teve com o Osama e essa foi uma das últimas notícias que eu tive dele, do Marcelo, não do Osama, ou do Osama também, nem sei mais, e comecei a ler blogs e recomecei um livro que estava parado e percebi que em algum momento alguém entendeu que eu achava que a Paris Hilton se veste bem quando na verdade eu me referia à Suri e então me dei conta de que esse era um papo que eu só poderia bater comendo linguicinhas no Braseiro acompanhada da Bebel, que não faz natação, não tem alucinações com o Osama e também acha a Suri uma das celebridades? mais bem vestidas do mundo, ha ha ha, a gente engataria toda sorte de assuntos bobos, não os assuntos bobos do fim de semana em Penedo, aaah Penedo, a gente na piscina tentando convencer uma das amigas a não fazer permanente, a outra a não cortar mullets, de onde as minhas amigas tiram essas idéias?, e à noite eu consegui viciar uma delas em Grey's Anatomy, não foi preciso muito, muito eu precisei foi de relaxante muscular e como é que se fica em pé durante o dia, a língua começa a enrolar, a cabeça pesa, esse remédio é quase um calmante, e toda aquela conversa de O Segredo, comecei a implantar os pensamentos de manhã, quem sabe?, arranjei uma vaga bem rápido, será que o Universo já me escutou? sério, preciso melhorar, amanhã começa um curso novo, depois de amanhã começa uma nova análise, semana que vem começa o que mesmo?, uma vontade de beber litros de água e leite, uma vontade de dormir e dormir e dormir, uma vontade de dormir na rede de Penedo, ficar perto das árvores, pisar na grama, afagar a cadela, perguntar "Clara você me alcança? Será que pode me balançar?" só por preguiça de apoiar os pés no chão, uma vontade de experimentar dormir no barco, e também uma vontade quase insana de te ver, de te achar, de te procurar por aí, principalmente uma vontade mais que insana de te escrever, ou de te falar talvez, de te fazer entender, de te fazer voltar, mas que cabimento tem isso depois de tantos anos?, e então o itunes faz uma reviravolta e Freddie Mercury é substituído por Roberto Carlos e é como um tapa, eu não conseguiria escrever nada decente ou esclarecedor pra você porque foi o Rei quem compôs a música, é sempre assim e a gente pensa que queria ter escrito aquele livro ou composto aquela melodia e tantas melodias você carrega e eu também, quanto tempo, quanta vontade de te pedir pra voltar, quanta vontade de te pedir pra gente dar certo, de te fazer entender que você foi o maior dos meus casos mesmo tendo durado 5 noites, te convencer que você é a saudade que eu gosto de ter... e se eu gravasse uma fita com essa música e mandasse pra ele?, mas se ele achar Roberto Carlos uma cafonice..., como é que faz?, será que é cisma? deve ser, tem que ser, porque se não for eu faço o quê?

sábado, outubro 13, 2007

that's me in the corner...

João Caetano começou a tomar calmantes, passei a chantagear com tortas e bolos os fornecedores para que eles sejam legais comigo e me entreguem produtos no prazo, a lavagem de um vestido em lavanderia é praticamente um assalto e por essas e outras me aventurei no mundo do tanque, comecei a passar o caderno de telefones da minha mãe a limpo, as coisas continuam mofando, a professora de natação agora me usa para impressionar os alunos que vão fazer aula teste e por essa e outras eu finalmente consigo fazer três braçadas de golfinho seguidas, quase morri engasgada com um morango quando fui contar uma história hilária para o meu pai porque comecei a rir antes da hora, passei também a ameaçar fornecedores que atrasam tudo dizendo que os apresentarei a João Caetano off medicação, a fisioterapeuta boa voltou antes mesmo que eu tivesse chance de gongar a antiga, um sujeito quer porque quer que eu pague $4.500 pelo notebook que alguém comprou com o meu cheque roubado e eu juro que fico penalizada mas já inventaram serviço de consulta a cheques, tsá?, o Papel Pobre acabou e o luto terminou quando descobri o Modellon e agora eu e a minha dupla no trabalho temos novamente alguma distração fútil, reencontrei pessoas que não via há uns 7 anos por opção e elas sequer mudaram seus cortes de cabelo e ainda exclamavam o quanto eu estava sumida, wonder why – eu pensei, tive que explicar para alguns fornecedores que João Caetano é um pitbull encarnado em poodle ou lobo em pele de cordeiro para os que preferem expressões populares, dois dias depois de assistir A Chorus Line pela centésima vez recebei de uma amiga um trecho de um filme do Fred Astaire e quase, quase mesmo chorei muito de saudades, descobri como colocar músicas no celular que virou quase um ipod, agora tenho traças no quarto também, fui atingida por um pombo desgovernado que após bater em minha cabeça saiu voando inabalável e depois desse fato aparentemente corriqueiro (embora eu não conheça alguém que tenha sido pombado) uma série de coisas começou a desandar e quando eu vi eu tinha comprado uma peça na Farm, tiha gostado do desfile do Roberto Cavalli, todo mundo furou o chope, o carro voltou a fazer barulhos, a coleção não foi aprovada porque era bonita demais pra ficar tão pouco tempo na loja e de lá pra cá recebemos 347 ordens e direções diferentes por minuto, o ascensorista do prédio me emprestou um cd para escutar cuja capa era estampada com a foto dele mesmo e ele canta Elvis no cd e imagine!, o nivel de stress subiu 80% nos últimos dias e eu que já quase não sentia dores fiquei atacada das juntas, não consegui entender mais nada do livro de francês, os pés das meias têm sumido e como perdi os critérios mesmo passei a usar meias descasadas, perdi também o saco com o cabelo e faz tempo que tá precisando de uma tinta nele, perdi o saco em geral, ando perdendo papéis no meio da bagunça e ando perdendo muito a hora, ando perdendo o interesse e a vontade de bater papo com as pessoas, that's me in the spotlight losing my religion.

quarta-feira, agosto 01, 2007

Já que o brilho desse olhar foi traidor

A casa nova é na montanha e é portanto o lugar mais gelado do mundo, o cachorro me mordeu feio na perna, acho que ele tentou me matar, a torta de pavê crocante é um vício, outras pessoas descobriram que os biscoitos da minha avó são os mais deliciosos do planeta, encontrar cds do Dave Mathews Band é tarefa árdua, ladrões, além de escrotos, são burros porque um sujeito em São Paulo que se disse meu avô tentou passar meus cheques, por que eles acham que os mesmos não estariam sustados depois de quase um mês???!!!, Lia Rodrigues Cia de Danças quase não me deixa dormir de perturbação, mudei todos os livros de lugar, achei aquela peça de teatro chata demais, não consigo fazer um óculos novo porque o meu era o mais lindo de todos, voltei a ser amiguinha da moça do silk, o novo corte de cabelo ficou ótimo, outro dia saí igual a um Stroke, morro de saudades do carro, andei num táxi cujo taxista era surdo e eu tinha que escrever o destino num papel, dei um tênis que eu tinha desde os 15 anos, pendurei o meu retrato na parede um pouco escondido, fui até o banheiro enrolada no cobertor porque ter que acordar às sete da manhã num frio de rachar dói, a coluna parece nova e, lei das compensações, só pode ser, o ombro esquerdo piora a cada dia, o bacana do novo corte de cabelo é que posso nadar sem touca!!!, recomecei as aulas de francês e o passé composé continua sendo um mistério, fui num bazar de lingerie e fiquei chocada ao ver mulheres ensandecidas por calcinhas e sutiãs, recebi outra mensagem evangélica no celular, ganhei um cachecol, comi waffle no café da manhã do Cafeína sozinha, tomei chocolate quente com creme depois do trabalho com uma amiga, trouxe o rádio do conserto mas esqueceram de me entregar o fio, repeti Bethânia cantando “chega de tentar dissimular e disfarçar e esconder...” ad infinitum, a cadela da minha professora de francês não se conteve de emoção e alegria quando me viu e fez tanta bagunça que sem querer comeu um pedaço do meu caderno, decorei sem querer o número do telefone da facção que faz nossas camisolas, da fábrica que faz nossas calcinhas e do Leve Fácil, terminei um livro que entrou na minha top 5 list, uma amiga reparou que sei bem as regras de crase, dessa vez não vou perder o Momix, fiquei tentando adivinhar quem era a Juliana do Grupo Corpo na capa do Segundo Caderno de algum dia da semana passada, fiquei muito feliz de pensar que vou poder comprar meu cd Lecuona de novo!, dei uma chance ao corretivo de O Boticário, tomei um Miosan e fiquei completamente lesada, habitei uma cidade paralela onde não havia jogos do Pan, descobri que faz meses que não vejo nada na televisão, levei a sapatilha na mochila mas na hora h não fui fazer a aula de ballet, fiquei bêbada sem querer, fiquei com saudade sem querer também e fiz um monte de outras coisas sem querer, olha o perigo, tietei os amigos, recebi vários convites todos muito interessantes para a mesma data, é claro, comprei um livro porque gostei da capa e do título, resolvi que coisas que a gente não sabe se gosta são muito melhores que algumas outras que a gente tem certeza, dormi com muitas e muitas roupas e alguns cobertores por cima e deve ser por isso que não me lembro de nenhum sonho.

domingo, junho 24, 2007

1, 2, 3 e já:

(para ler ao som de Jorge Vercilo)

Fiquei presa dentro de uma camisola piloto (trabalhar com moda tem dessas coisas), arranjei um novo óculos de natação, descobri que a minha professora de natação não usa lingerie da Verve, quase conheci o C.A., o Cláudio Tozzi disse que me conhece muito de fotos, o André do Nirvana me telefonou oferecendo preço especial se que quisesse voltar (e eu achei que ele deve ter bebido), o Beto achou extraordinário eu ter uma irmã, a Bebel chegou, vi o Gotan no Rio sem a Bebel e sem o terceiro elemento, fiquei horas no estacionamento do Rio Sul quente e abafado conversando com uma das melhores amigas que eu tenho, derrubei uns 30 cds no chão (e agora tenho mais ou menos essa quantidade de caixas quebradas), fiquei alérgica ao desodorante, ganhei um livro, o Bola pediu pra ser meu amigo no orkut, comprei dois cds dos Beatles e o último do Gotan e ainda ganhei um cd gravado do Marcelo, que reclamou ser o coadjuvante no post anterior, comi fondue com as amigas mais finas, me empanturrei de tangerinas, marquei um pic-nic, deixei a manicure lixar a sola do meu pé pela primeira vez na vida (e ainda assim ele continua de menino), fui a Friburgo conhecer a fábrica de Lingerie, tive L.E.R no punho esquerdo, me auto-diagnostiquei com L.E.R no punho esquerdo, comprei uma saia Huis Clos, comi pavê crocante, almocei com a minha prima e o namorado que moram longe, comprei cadernos novos, chorei duas vezes, cocei muito a orelha, dormi toda a tarde de sábado, marquei e desmarquei um cinema em cinco minutos porque me deu preguiça de tirar a camiseta furada e me vestir decentemente, encontrei os amigos, ri de doer a barriga, pensei que “não é nada disso” quase todos os dias, gastei muito dinheiro com comida, me medi e me pesei (1.72m, 60 kg), engordei mais uns quinze quilos no fim de semana, sonhei que atropelava um amigo, comprei um gel hidratante para o rosto, sonhei com pessoas antigas que faziam pães para mim, me dei conta do quanto é insultante o Lobão ter gravado um acústico mtv (tão insultante quanto se o Glauber tivesse dirigido 2 Filhos de Francisco), assisti Elizabethtown e achei um horror!, abracei uma pessoa que infelizmente ainda me deixa tensa, encontrei a Danni Carlos e quase gritei de susto, desliguei o telefone na cara de um fornecedor porque tive um ataque de riso ao ouvir seu nome, cantei Crazy for You da Madonna todos os dias porque todos os dias ela toca no rádio e no domingo à noite vi uma foto e fiquei pensando nele e foi batata, a saudade bateu foi que nem maré.

quinta-feira, março 22, 2007

É uma ave no chão

“O problema não é você, sou eu” é a frase que eu mais tenho desejado ouvir e, clichês à parte, a esperança é a última que morre; é impossível subir escadas rolantes sem olhar para as pessoas que descem na escada ao lado e vice-versa; a capacidade de fazer baliza é inversamente proporcional ao tamanho da vaga; natação é a próxima tentativa e a grande questão é como ficar decente dentro de uma touca; 1/3 da vida dormindo, 1/3 dirigindo e 1/3 tentando; “ ‘não entender’ era tão vasto que ultrapassava qualquer entender – entender era sempre limitado.” na página 43 eu me apaixonei definitivamente por Clarice Lispector; achar o carro no estacionamento do shopping Leblon é tarefa árdua o bastante pra tirar o bom-humor; o shopping Leblon, por si só cumpre bem esse papel: para ir à administração do shopping você passa, ora veja, pelo estacionamento, não faz sentido algum; a vontade de comer crayons ataca toda vez que os vejo coloridos e enfileirados; para uns, “ralação” está exclusivamente ligada à capacidade que a pessoa tem de carregar sacolas, manequins e afins, bem como de ouvir grosseria o dia todo; ortopedista novo é o suficiente pra você se iludir outra vez só para então constatar que a medicina ainda não achou solução legal pro seu caso e sim, você terá que encarar toda aquela chatice; tylenol é tão tão tão bom que eu desconfio que haja alguma substância anti-depressiva em sua fórmula; o Parque Lage é um dos lugares mais quentes do mundo; lá vem as águas de março e o que me anima mesmo é a promessa de vida; alguém tem que avisar a esses seres de cabelo esquisito que mullets não é cool, é só horrendo; eu sou art-nouveau, dê uma olhada nas figuras do Schiele (e do Klimt) e lá estou eu; eu costumo errar a verificação de palavras que os blogs pedem quando deixo comentários, o que me desanima às vezes; o melhor de Marie Antoinette, o filme, é a trilha sonora e quando você a escuta sem ver o filme ela fica ainda melhor; Marie Antoinette até o começo do mês era apenas a rainha que havia inspirado Sofia Coppola e de repente essa mulher virou uma perseguição; noite de sábado vendo curtas com os amigos e a gente tentando achar uma solução, noite de quarta a caminho do curso com amiga e a gente tentando achar uma solução, noite de terça no bar com amiga e a gente tentando achar alguma solução, quando foi que todo mundo entrou em crise?; parece letra de Belchior e a música fica repetindo na cabeça eles venceram e o sinal está fechado pra nós que somos jovens mas também pode ser aquela do Renato vamos sair mas não temos mais dinheiro, os meus amigos todos estão procurando emprego e haverá sempre o otimista insuportável que vai dizer que é um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão e prefiro crer que é um pouco sozinho; é possível abastecer o carro na Zona Sul?; e Wikipedia, é possível viver sem Wikipedia?; havia vida antes de Targus?; e The Magic Numbers, é possível não ouvi-los?; o bom de voltar a estudar é que você pode dar a incrível sorte de ter aula com um cara fabuloso e esse cara pode te abrir os olhos e até mesmo arregalar seus olhos e de repente tudo aquilo que você sabia cai por terra e você tem a oportunidade de pensar tudo de novo e optar por deixar as coisas como estão ou pegar o caminho mais longo e a música dessa vez é Candeia: deixe-me ir, preciso andar.